Preço é relevante? Sim, muito. Principalmente em um país pobre como o nosso. Mas ignorar o resto é, além de ignorância, burrice.
Ao ler um texto do Marinho que me enviaram hoje, soube que:
A pesquisa da Pay-TV Survey (PTS) mostrou que apenas 30% dos domicílios de brasileiros das classes A e B têm TV por assinatura. E o principal motivo para esse índice ser baixo é justamente o desinteresse dessa gente pela programação da maioria dos canais.
Novidade? Não, olha o que eu escrevi ano passado:
Eu costumo bradar que não existe um único serviço que preste no Brasil. E acredito que o principal gargalo para o aumento de vendas destes serviços não é preço, nem praça e – muito menos – promoção. É produto.
Não é novidade hoje, mas era na época? Claro que não.
A discussão é interessante e pertinente até mesmo para o post sobre pirataria. Será que o preço do CD e das músicas é tão relevante?
Acredito que boa parte dos assinantes daquelas serviços com assinatura flat (pague x por mês e escute o que quiser, quanto quiser) não estão comprando música, mas sim a facilidade de não precisar procurar, baixar, catalogar e fazer backup da pirataria.
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Cava,
Excelente teu post.
A questão é – concordo com você – mais ligado ao produto e ao valor percebido que se tem dele.
Uma pergunta que sempre faço: Você pagaria para usar o Orkut? FaceBook? E se fosse o LinkedIn?
Voltando ao tema da música, eu baixo da internet mas faço questão de pagar pelo ingresso de shows, porque sei que é a “ponta” onde efetivamente sobra uns trocados a mais para o artista.
Não há uma clara percepção de valor, como no seu caso e no meu, há em relação aos games.
A única forma de me fazer pagar por música na rede é agregando algum benefício PERCEBIDO, que pode ser – por exemplo – facilitar o processo de encontrar faixas e garantir a boa qualidade delas.
Para resumir: Sem gravadoras, há música. Sem artistas, não.
Sem produtoras não há games. Ponto.
No fim das contas, it´s all about perception.
Bá, Ricardo,
concordo TOTALMENTE contigo.
“Eu costumo bradar que não existe um único serviço que preste no Brasil”.
Concordo muito e sempre digo a mesma coisa.
“E acredito que o principal gargalo para o aumento de vendas destes serviços não é preço, nem praça e – muito menos – promoção. É produto.”
Cara, exatamente. E como disse o Ale Jungerman, “valor percebido” e “facilidade de encontrar músicas e artistas”.
Mas penso existir outra pergunta ainda: como a percepção sobre o preço do CD e das músicas foi modificada pela existência de uma faixa de “preço” do tipo “baixei da internet”?
Realmente a programação da TV paga não é muito atraente, acho que ainda tem muito pra melhorar tanto em serviço e programação. Tentando acompanhar os lançamentos de programas ao redor do mundo.
Conheço muita gente que acompanha o Lost (não gosto da série) e não tem outra saída a não ser baixar da Internet o último episódio pois os mesmos são exibidos ao mesmo tempo no Brasil (fuso horário, legenda, etc, etc). O legal seria pensar em uma forma de fazer um “lançamento mundial” igual os cinemas fizeram para tentar reduzir a pirataria. O mundo inteiro vê o filme nas próximas 24 horas do lançamento oficial, os aficcionados não precisam mais esperar o lançamento após 1 mês no Brasil.
Mas concordo com o artigo e prefiro a TV paga ruim com um monte de canal do quê ver Faustão e Gugu no domingo à tarde.
Entao Michel, mas vc nao tem só estas duas opcoes (tv paga ou tv aberta). Voce ja pode comprar um AppleTV (pelo preco da franquia do Net HD) e comprar temporadas inteiras por 30 dolares e lancamentos por poucos dolares.
O ponto do Ale é matador pq ao mesmo tempo que servicos poderiam ganhar muitos novos clientes melhorando seu servico (ao inves de fazer guerra de preço), se meu argumento estiver correto, tambem invalida aquele argumento que a pirataria acontece pq a industria (fonografica, por exemplo) cobra muito caro por seu produto.
A verdade é que, assim como uma boa parcela das pessoas que faz pirataria compraria musica legal, uma boa parcela nao compraria nem se custasse 50 centavos.
Cava
Também andei discutindo esse assunto por outra óptica (a de que as empresas acham que se o preço for rídiculo todo mundo vai comprar : http://espicacandomarketing.blogspot.com/2008/07/injeo-na-testa.html)
Pior, quando a gente quer comprar algo, alguns complicam tanto o processo (sob a alegação de que isso torna o preço mais baixo) que nem quem quer consegue…
TV por assinatura é tudo igual. O produto é igual (todos tem quase os mesmos canais) e o serviço é igual (lamentável). Hoje só tentam se diferenciar por preço, infelizmente.
Determinados serviços na internet nasceram gratuitos como Orkut, MSN, LinkedIn, etc. Outros, como a música e o vídeo, caminham para a gratuidade via web.
Mesmo assim, o mercado de música vai continuar existindo. Mesmo com a falência das gravadoras, o artista vai continuar a vender seus shows. Já as gravadoras estão perdidas e não querem largar o osso. Mas a música não precisa mais delas. Nem os artistas e muito menos nós.
É isso, quando o produto e o benefício são bons vc paga por ele. [diferenciação]
Quando não, corre atrás de similar mais em conta ou gratuito. [preço]
E tem gente que usa a estratégia do traficante [dá de graça e depois cobra o que não for básico].
Os portais continuam aumentando sua base de assinantes mesmo com linha fixa estagnada, liminar para não pagar provedor e uma porrada de serviços e conteúdo similares de graça espalhados por esse mundão, o que me faz pensar na qualidade do produto, nos benefícios percebidos, e na necessidade de ser pautado [todos que aqui comentam não são referência de maneira alguma no que tange ao consumo de internet]
tem razao cezinha, não somos parametro. ate falei disso em um post sobre pesquisas.
mas por outro lado, vejo muito do meu comportamento e habito em relacao ao digital na minha sobrinha de 14 anos
sim, estou pronto pra receber as piadas que eu visito o site da barbie, haha
mas o que eu quero dizer é que talvez a gente seja parametro se pensarmos em longo prazo.
quando eu joguei meus CDs fora, meu irmao que tem 12 anos a menos que eu achou um absurdo. isso faz alguns anos, talvez hoje ele mesmo pense em jogar fora aquelas centenas de caixinhas que ganhou de presente
Isso mesmo Cava, acabei me fixando na idéia da TV a cabo/aberta mas indiretamente já faço isso, já tenho outras maneiras de ver TV. Compro conteúdo na iTunes Store, baixo pro notebook e ligo na TV; faço download de alguns canais no Miro e depois mando pro vídeogame pra ver na TV.
Com isso acho que já somos os novos consumidores que conseguem selecionar o conteúdo e o horário para vê-lo, não dependendo de uma grade de programação.
Espero que essas opções tornem-se viáveis para a maioria da população.
Entao Michel, a maioira da populacao usa a solucao da pirataria. Ai vem as emissoras de tv paga e acham que o problema é a pirataria. Não é, o problema é o produto.
Cava, nesse sentido [TV paga] penso que o problema foi de escala. Gastou-se muita grana para cabear as cidades, com previsão de penetração baixa.
Conforme o interesse cresceu para fora das classes mais altas surgiu o dilema: vendo mais barato pro pobre e escuto a chiadeira da classe alta ou mantenho meu preço e libero o gato?
A solução brilhante foi diminuir as opções do cardápio [pacotes menores e mais baratos] que não agradam a ninguém.
E bota a culpa na pirataria pois são todos gatunos!
Tá, mas Apple TV no lugar de Tv por assinatura?!!
Que país é esse, onde todo mundo fala inglês e vê séries sem legenda…classe A e B não significa que o cara é bilingue.
Sant’Iago, você leu rápido demais os comentários. Eu deixo claro que a opção do AppleTV é concorrente do NetHD e era uma opção para o Michel. Para o resto do país eu deixei claro em outro comentário que a opção atual é a pirataria (entre outras coisas, claro).
Vi no TED uma palestra sobre produto que o cara dizia: “Propaganda é o preço que a empresa paga pelo falta de bom desenvolvimento de um produto.” Algo assim, não exatamente isso. Gostei muito do seu post sobre pirataria, acho que tem tudo haver. É terrível termos que adquirir um produto horroroso pq não temos mais opções no mercado. Nos submetemos a cada roubada por causa da necessidade, não temos saída. O que fazer? Diz ai, o que devemos fazer?
mudar de país?
Cavallini, sinceramente, acho que este é realmente o ponto. Na verdade, a maioria das pessoas está insatisfeita com os serviços prestados porque a promessa é uma e a entrega é outra. Bem o lance de olhar para o umbigo mesmo. Se as empresas ao menos entregassem o que cumprem, pode ter certeza que esse índice melhoraria.
Abraço e mais uma vez parabéns pelo blog que está sensacional.
Então, concordo muito com a sua afirmação, apesar de continuar achando que alguns conteúdos poderiam ser mais universais. Tirando as maravilhosas séries e os programas cult-pop dos GNT’s da vida, certamente o público gostaria dos realuty shows do P&A e dos programas esportivos e filmes.
disse ao gringo que uma pessoa que compra um computador e depois compra o windows e o office gasta em software mais que em hardware. Consequentemente não encontra razão para isso. Por isso pirateia, o software é muito caro. Mas na minha opinião, esse cara por não ter dinheiro para comprar este software não é meu cliente, ele não é target. Ou eu crio um produto que o torne meu cliente ou eu desqualifico ele como target. No entanto, como essencialmente foi a questão financeira que o fez optar por um software pirata e como o software pirata tem seus problemas, assim que ele tiver possibilidade, comprará um original. Então me sinto fidelizado quando ele usa um pirata e não um concorrente alternativo.
Mas mudando para a sua segunda impressão, pirataria. Eu passei por uma entrevista de emprego há alguns anos em uma fabricante de hardware famosa. Provavelmente minha opiniào sobre pirataria foi o que me fez perder o emprego