Com toda a falta de humildade do mundo que um blog me permite, recomendei que a discussão do IV Congresso Brasileiro sobre Publicidade focasse em buscar maneiras práticas para integrar as equipes de criação e mídia.
O conselho também podia ser resumido em não perder tempo oficializando o passado, aproveitando a oportunidade única do evento para olhar para frente. Já sabemos que birôs não são legais, repetir isso à exaustão não ajuda. Conseguir resultados será sempre a melhor forma de garantir o que queremos.
Mas foi aprovada no congresso a tese que “a maior eficácia do Planejamento e das Negociações e Compras de Mídia ocorre exatamente no atual modelo brasileiro de Agências de Publicidade, com Mídia e Criação trabalhando integradas”.
Por isso sempre uso a expressão “na minha não humilde opinião”. Se estou falando dos líderes do nosso mercado, aqueles que são reconhecidos pelo histórico, carreira, experiência, maturidade e respeito (mais do que eu, sem ironia), não posso dizer que minha opinião é humilde.
Agora, se eles têm tanta experiência e maturidade (e têm, e continuo não sendo irônico), como defender a humildade deles? Faltou humildade para perceber que não basta sugerir medidas como mudanças nas faculdades ou programas de intercâmbio para andar pra frente.
Novamente, na minha não humilde opinião, perdemos uma oportunidade rara e importante. Como dizem, reconhecer o problema é apenas o primeiro passo.
RSS
Pois é, Cava…
Concordo com você.
No fim das contas, a sensação é de que o Congresso existiu apenas para oficializar o status quo e para parecer que foi uma decisão consensual aquilo que já fora decidido a portas fechadas.
Comentei específicamente sobre a Comissão de Novas Mídias no Webstage.
Abs
O congresso foi um congresso. Portanto, me parece q foi menos importante discutir e propor do q demonstrar uma certa “união” das agências em torno de algumas agendas: remuneração, licitações públicas e concorrências, criatividade, bureaus de compras nos clientes, etc
Acho q o balanço positivo foi esse. Foi uma demonstração pública de q a classe existe, tem problemas em comum e está afim de resolvê-los. Não tá bom? Melhor do q cada por si apunhalando ou se defendendo como pode.
Não acho q tenha tido um balanço negativo, apenas coisas esquisitas como por exemplo essa tal de cadeira de “integrador” nas faculdades (e agências) q até agora continuo não entendendo o q é nem pra que serve.
Alguém ajuda?
Fernand
Se a gente nao sabe, imagine as faculdades.
Vi alguns vídeos de discursos “quase políticos” deste congresso.
Enquanto rola todo aquele bláblá óbvio, assistir o intervalo comercial na tv ainda é um martírio sem fim.
Pra mim, foi quase uma reunião de algum sindicato, para reafirmar que tudo anda bem, que o mercado é forte enquanto o que vemos é uma publicidade atrasada, que vive de fantasmas em Cannes (ou seja, não consegue sequer convencer seus clientes que sua idéia vale), que não entende ainda o que é comunicação integrada e que mal consegue se organizar para lidar com disciplinas novas.
Fernand: integrador é o que há anos conheço como Project Manager. Mas as agências ainda não sabem desta “revolução” das consultorias e das agências web.
E dizer que o modelo atual é o mais adequado é de um atraso atroz. É o mesmo que dizer que o Brasil é o país mais avançado na publicidade e desconsiderar que modelos de pagamento estão hoje se tornando tão ad hoc quanto a própria noção do que é publicidade.
Os Project Managers que eu conheco nao fazem papel de integradores não. E quando fazem, não é “parte do job description”.
Sobre modelo adequado, não ter birôs é sinônimo da dependência dos BVs?
Então que P…. é essa de integrador? O q esse infeliz vai fazer? Qual é o job description dele? Para q serve? Não é um atraso sem fim colocar um “tráfego” desses qdo toda e qualquer campanha de comunicação já deveria nascer integrada? Q novidade é essa????
Se os PMs não são hoje integradores, é só por não estar no job description deles, porque são talvez os mais preparados para isso.
E sim, não ter birôs é escancarar o fato da dependência das grandes agências (principalmente) ao BV.
Amaral, discordo que não ter birôs seja sinonimo de dependencia. Sei que é dificil defender isso, mas eu acredito em um modelo sem birôs.
Sobre integradores. Acho que antes precisamos definir que cacete é isso. Se integrador é o cara que vai dar liga no processo e nas equipes dentro da agencia, acho que é uma funcao do atendimento/gerente de projetos. Nao importa a nomenclatura. Os dois cargos estao se fundindo faz tempo. E atualmente, os “job descriptions” tradicionais de ambos nao resolvem o problema. Mas é uma questao de amadurecimento.
Quando trampei na Euro, juntei as duas equipes, foi uma medida polemica na epoca que hoje todo mundo comeca a dizer que faz sentido.
Agora, se falamos de integrador no papel de unir disciplinas ou off e on (seja la que raios isso tb queira dizer), acho que nao é papel de ninguem, é papel de todos. E acho que ate pode existir “integradores”, mas sera apenas uma situacao temporaria. Que nem camisinha, ninguem liga nas preliminares (discurso), é importantissimo durante (e quem nao usa faz cagada) e torna-se inutil e descartavel depois.
pois eu acho q a função de integrador deveria ser do presidente da agência.
Cava,
Não entendo que o modelo de birô seja incompatível com a existência do profissional de mídia na agência. No meu entender, o mídia deveria ser o pensador estratégico de toda a mídia. O cliente, de posse das recomendações do mídia e assesorado por ele, vai ao bureau e compra o que está designado.
O que não me parece certo de forma alguma é recebermos um troco (aliás, bota troco nisso… conhece algum ramo de negócio que tenha comissão alta desse jeito?) quando compramos a mídia para o cliente, e cobrarmos nada sobre o que realmente fazemos: criação, estratégia, assessoria.
Faça a seguinte projeção: Imagine-se contratando um arquiteto, e na hora de perguntar o custo do projeto, ele diz que custa uma merreca, mas que ganha dinheiro mesmo é cobrando comissão em cima do trabalho do pedreiro. Você não ia desconfiar daquela escada espiral maluca e caríssima que ele te recomendou comprar?
Sendo bem tosco, profissão que cobra por comissão não presta: é lobista, cafetão, negociador e corretor de qualquer coisa. Não sei de vocês, mas não confio em nenhum deles.
Daniel, os biros podem vender a inteligencia que for, na pratica, o que eles vendem é volume. E para tanto, acaba sendo incompativel com um profissional de midia montando plano na agencia. O cara de midia pode continuar na agencia, mas nao para fazer plano.
Sobre modelo de negocio que ganhe comisssao causando um conflito de interesses? sim, quase todos.
Sua arquiteta ganha mais quando recomenda uma loja mais chique (e mais cara).
Seu dentista ganha mais quando diz pra vc que é melhor tratar canal do que simplesmente fazer uma obturacao.
Se voce pergunta pro seu advogado se vale a pena entrar em um processo, ele sabe que só vai ganhar dinheiro se voce entrar.
Se voce for em uma mae de santo reclamando da falta de dinheiro, acha que ela vai recomendar um gerente de banco?
enfim, conflito de interesse sempre tem. E mesmo que nao tenha, existem tocos e bolas para foder tudo.
Por isso eu digo que sou contra biros e isso nao tem relacao com a questao do BV.
complementando o cava, bureau é broker. broker ganha sobre volume, sobre VOLUME DE VEICULAÇÃO, todos os clientes confundidos.
vamos ser coerentes: nao dá pra ser contra BV e a favor de Bureau.
eu sou a favor do BV e contra o Bureau. Na pior das hipóteses, sou coerente.