Monthly archives: August 2008

Regras, metas e ética

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Grandes corporações precisam de regras e metas para garantir que seus milhares de funcionários não botem fogo nas cortinas.

Mas quando a empresa não tem ética, ela é formada por, — vejam só que coisa — profissionais sem ética. Nestes lugares, regras e metas servem apenas para ser burladas em benefício próprio.

Um exemplo são as regras que impedem contratações mesmo com o aumento de trabalho. Medida lógica e até interessante para enxugar a empresa, apesar da aparente impossibilidade de ser burlada, sempre é possível dar um jeitinho.

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Óbvio

O trecho abaixo é do M&M desta semana. Daqueles textos que você tem vontade de mandar para todo mundo por email. Como isso não é possível, destaco aqui a moral da história:
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Elas (as pessoas) de fato precisam disto, de uma afirmação externa do óbvio. Elas precisam que um instituto de pesquisa diga a elas que o povo (incluindo as classes C e D, que algumas agências e anunciantes continuam tratando como trogloditas) não acredita mais que o Antônio Fagundes realmente consome todos aqueles 137 produtos que ele anunciou nos últimos 3 ou 4 anos.

O texto cita o estudo realizado pela Datamonitor, que constatou que a superexposição de celebridades em campanhas está causando fadiga no consumidor. Mas o que me chamou atenção foi essa história de “necessidade de afirmação externa do óbvio”.

Sempre que posso, publico algo que saiu na mídia, que foi comprovado por um instituto de pesquisa ou dito por algum grande nome do nosso mercado, mas que postei antes aqui, algumas vezes um ano antes.

Exemplos não faltam, destaquei alguns aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Não se trata de auto-afirmação, mas mostrar que, às vezes, o que eu escrevo aqui pode ser a constatação do óbvio. Nestes casos, se eu tenho algum mérito, seria – no máximo – ter conseguido enxergar antes o que ninguém viu ou ter coragem de ser o primeiro a falar do assunto. O ponto é que seria burro só prestar atenção quando esta mesma opinião sai na boca deste ou daquele veículo ou instituto.

Então, assim como peço para vocês criticarem minhas idéias, também peço cabeça aberta na hora de pensar a respeito sobre o que está sendo discutido aqui.

Para não perder o costume, fecho este post com mais um exemplo, vejam só, do mesmo texto. Texto este que foi escrito por Fernando Campos, Sócio-Diretor de Criação da SantaClaraNitro:

…a porcentagem da verba de mídia que deve ser aplicada em produção (normalmente uns 10%, no máximo 15%). Elas descobriram – vejam só que perspicácia! – que ao mundo de hoje, em que o consumidor vai até a sua mensagem se ela for relevante par ele, a tal regra simplesmente não se aplica.

Então, para quem não leu com cabeça aberta o que eu falei um ano atrás, vale rever aqui, aqui, aqui e aqui

Na língua do P, o Brasil só sabe contar até 1

Preço é relevante? Sim, muito. Principalmente em um país pobre como o nosso. Mas ignorar o resto é, além de ignorância, burrice.

Ao ler um texto do Marinho que me enviaram hoje, soube que:

A pesquisa da Pay-TV Survey (PTS) mostrou que apenas 30% dos domicílios de brasileiros das classes A e B têm TV por assinatura. E o principal motivo para esse índice ser baixo é justamente o desinteresse dessa gente pela programação da maioria dos canais.

Novidade? Não, olha o que eu escrevi ano passado:

Eu costumo bradar que não existe um único serviço que preste no Brasil. E acredito que o principal gargalo para o aumento de vendas destes serviços não é preço, nem praça e – muito menos – promoção. É produto.

Não é novidade hoje, mas era na época? Claro que não.

A discussão é interessante e pertinente até mesmo para o post sobre pirataria. Será que o preço do CD e das músicas é tão relevante?

Acredito que boa parte dos assinantes daquelas serviços com assinatura flat (pague x por mês e escute o que quiser, quanto quiser) não estão comprando música, mas sim a facilidade de não precisar procurar, baixar, catalogar e fazer backup da pirataria.

Pirataria é crime! Ou não?

clique para ampliar“Não baixo filmes da internet”. “Meu PlayStation é travado e logo só compro jogos originais que custam 20x o preço de um pirata”.

Olhares mistos de curiosidade e desprezo cruzavam os meus. De fato isso pode soar até pretensioso, arrogante ou mesmo falso em um mundo cada vez mais “free” em que vivemos.

Afinal ta lá, após algumas horas da exibição nos EUA do último capítulo de Lost com legendas e, se você realmente não agüentar para ver, pode ter os “reviews” e “comments” dos que já viram enquanto espera o download…

Os olhares ficam mais confusos e difusos quando digo que músicas, por outro lado, eu baixo sim na internet.

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Post antigo não é post morto :-D

Já falei mais de uma vez que é a discussão que torna este blog interessante. Por isso forço e me esforço para que os textos publicados sejam opinativos. Não notícia, não case, não fofoca. Opinião para incomodar, obrigar a pensar e gerar discussão.

Também uso o blog para expor minhas idéias e esperar que vocês as mudem ou façam acreditar ainda mais nelas.

E por tratar de opinião, posts e discussões antigas continuam atuais. Acho que valem a leitura mesmo depois de um ano de sua publicação. Convido os leitores novos para dar uma navegada e convido todo mundo para participar das discussões que estejam rolando.

Para ajudar, instalei dois plugins novos. O primeiro permite que vocês recebam emails avisando quando rolar algum comentário na discussão que você esteja participando. Basta clicar em “Me avise por email…” quando for fazer seu comentário.

imagem ilustrativa

O segundo plugin monta a tabela abaixo, com as discussões mais recentes. Pretendo usá-lo de vez em quando.
update: retirei o plugin

Aproveito para agradecer a colaboração de vocês pelas visitas e pelos comentários. Obrigado galera.

Filantropia ou Pilantropia?

Faltou humildade no IV Congresso?

clique para ampliarCom toda a falta de humildade do mundo que um blog me permite, recomendei que a discussão do IV Congresso Brasileiro sobre Publicidade focasse em buscar maneiras práticas para integrar as equipes de criação e mídia.

O conselho também podia ser resumido em não perder tempo oficializando o passado, aproveitando a oportunidade única do evento para olhar para frente. Já sabemos que birôs não são legais, repetir isso à exaustão não ajuda. Conseguir resultados será sempre a melhor forma de garantir o que queremos.

Mas foi aprovada no congresso a tese que “a maior eficácia do Planejamento e das Negociações e Compras de Mídia ocorre exatamente no atual modelo brasileiro de Agências de Publicidade, com Mídia e Criação trabalhando integradas”.

Por isso sempre uso a expressão “na minha não humilde opinião”. Se estou falando dos líderes do nosso mercado, aqueles que são reconhecidos pelo histórico, carreira, experiência, maturidade e respeito (mais do que eu, sem ironia), não posso dizer que minha opinião é humilde.

Agora, se eles têm tanta experiência e maturidade (e têm, e continuo não sendo irônico), como defender a humildade deles? Faltou humildade para perceber que não basta sugerir medidas como mudanças nas faculdades ou programas de intercâmbio para andar pra frente.

Novamente, na minha não humilde opinião, perdemos uma oportunidade rara e importante. Como dizem, reconhecer o problema é apenas o primeiro passo.