Dando seqüência no post anterior, só para ficar claro que eu não desdenho a tal “força da blogosfera”. Eu acredito na força da comunicação que é potencializada nas comunidades, comunicadores instantâneos, ferramentas como blogs e várias outras que estão surgindo, como o Twitter.
Mas a força da blogosfera está no seu volume. Volume composto por um grupo tão disforme de pessoas que seria inocente acreditar que é controlado por poucos.
O problema está em categorizar a blogosfera sempre naquela mesma thurminha. Alguns chamam de panelinha, eu prefiro chamar de gangue. Gangue é um grupinho que fica criando escândalo mas ainda não tomou Nescau o suficiente pra ser chamado de máfia.
Se o assunto for realmente quente, ele irá bem além dos limites da thurminha. Além disso, não será necessário a thurminha para disseminá-lo.
A idéia de olhar a blogosfera como um organismo único e centralizado interessa a poucos.
Interessa para alguns blogueiros carentes, que podem se sentir parte de uma gangue.
Interessa para alguns jornalistas da imprensa tradicional, que têm assunto ou motivo para levantar polêmicas ou alguém para botar a culpa de sua decadência.
Interessa para alguns anunciantes, que realizam medíocres ações de post pago como falsa mostra de mídia social, quando na verdade não passam da forma mais ordinária de propaganda.
E, finalmente, interessa para duas ou três empresas que cacifam estes blogueiros para levar algum. Os chefes da gangue. Se autodenominam criativos mas só sabem fazer post pago. Se autodenominam agências mas são apenas redes de mídia.
Seu valor para as agências tradicionais - as que compram este serviço - se deve a dois motivos.
O primeiro, é fazer o handshaking com todos estes “pequenos veículos”. Quem compra mídia sabe a desgraça que é negociar com veículos pequenos ou regionais. Eles não falam a mesma língua, a negociação é pessoal, amadora e como se não bastasse, a forma de pagamento é sempre um estorvo.
Achar blogueiros de acordo com o perfil de cada campanha poderia ser feito dentro da agência, mas ter que pagar toda semana 15 ou 20 veículos não vale a pena. Muitos deles não têm nota fiscal nem empresa aberta, sem contar que não é interessante para a agência ter relacionamento com estas pessoas. O que leva ao segundo motivo.
Lembra quando eu falei dos escândalos? Pois então. Se der bosta, não será culpa da agência, pois ela terá alguém para culpar.
A ironia disso tudo, é que estes blogueiros que se sentem parte da gangue, são apenas putinhas de dois ou três cafetões.
44 comentários
Comentários em blogs:
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Trackback on Jul 30th, 2008
blogueiros ou putinhas?…
Uma reflexão sobre o poder da blogosfera. Vale a pena ler….
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Pingback on Aug 1st, 2008
[...] Ladybug, agora via FriendFeed, me levou a algo que você também não pode deixar de ler (Blogueiros ou putinhas). Mas, neste caso não cabe dar nome aos bois, não é [...]
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Pingback on Aug 2nd, 2008
[...] Crítica sensacional por Cavallini no artigo sobre blogueiros. [...]
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4
Pingback on Aug 4th, 2008
[...] CoxaCreme [...]
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[...] daquela mesma parte de sempre dos blogs sempre torcer o nariz e tentar ignorar ao máximo quando esses profissionais começam a ter seus [...]
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6
Pingback on Aug 4th, 2008
[...] do texto, os blogs são importantes. E dialogar com eles também é. Mas se a força, na verdade, está no volume da dita blogosfera do que em um ou outro blog, por que, de repente, passar a tratar um ou outro como estrela? Um irá receber um convite especial [...]
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Pingback on Aug 5th, 2008
[...] P.S. Outras visões sobre a mídia social estão no Bob Wollheim e no Ricardo Cavallini. Dicas do Helton. Leia também…200 blogs mais populares on July 30th, 2008Hoje a Cynara publicou [...]
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Pingback on Aug 6th, 2008
[...] pior é que, apesar da qualidade bastante duvidosa do comercial, alguns blogueiros (ou putinhas?) estão divulgando maciçamente esse vídeo via blog e twitter. E pra dar aquele ar de mistery box, [...]
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9
Pingback on Aug 12th, 2008
[...] Cavallini escreveu um ótimo post, Blogueiros ou Putinhas? - pausa para os leitores de 1o Parágrafo irem apra lá xingar o cara. Pronto - O centro da [...]


Poucas pessoas tem coragem de ser sinceros em relação ao mercado, parabéns pela iniciativa.
Muito pertinente o post.
Deixando de lado a parte importante e atendo-me à irrelevâncias, confesso que tenho um desgosto de estimação com a palavra blogueiro, e de certa forma com o conceito. Acabei escrevendo sobre esse desgosto ano passado, já que blog não tem bafômetro:
Um erro crasso
Aliás, apesar do contexto em que o Cava usa os termos, eu acho que prefiro putinha. No mínimo é mais charmoso
Mas sobre essa questão da panela, ao meu ver, só vê panela que se acha fora dela. Se a blogosfera é uma panela, então a tampa está aberta. Não existe porteiro na blogosfera.
Já na visão das agências, se tiver panela, fica mais fácil mesmo.
Nossa Cava, que mal-educado
Ricardo,
Mandou MUITO BEM!!.
São sempre os mesmos, sempre os mesmos rostos nas fotos, sempre os mesmos endereços de blogs, sempre os mesmos convidados.
Concordo com você
hahaha adorei
Até que enfim um pouco de lucidez! Parabéns.
Me surpreende ver agências sérias negociando com esses mafiosos. Sempre fui contra esse tipo de iniciativa que obviamente não tem um modelo comercial sustentável e que não passa de uma bolha ou oportunismo barato. Dei risada quando soube que além de pedir dinheiro eles agora pedem regalias: “Além da grana combinada, da passagem e do hotel, nós queremos levar nossas namoradas”.
Isso, obviamente, não pode ser levado a sério.
Ótimo texto.
O mais engraçado é quando algum membro da gangue recebe uma crítica, por menor que seja, a quantidade de “selos” e manifestações que são criadas, parece o fim do mundo. Ou será que é?
Um post incisivo e “ouch” como poucos que vi nessa vida.
Não fica muito para acrescentar, exceto que aposto que vai ser motivo de gritaria, quando deveria ser motivo de reflexão.
Adorei seu ponto de vista, não que eu concorde com tudo, mas há argumentos muito bons aí.
Não vejo nada de errado em post pago, muito menos em admitir que isto é propaganda… sua colocação pareceu um pouco depreciativa, mas acho que você quis criticar o chamar de outra coisa, certo?
Concordo plenamente com a crítica ao que alguns chamam e pensa que é blogosfera.
E confesso que não entendi este parágrafo:
“Achar blogueiros de acordo com o perfil de cada campanha poderia ser feito dentro da agência, mas ter que pagar toda semana 15 ou 20 veículos não vale a pena. Muitos deles não têm nota fiscal nem empresa aberta, sem contar que não é interessante para a agência ter relacionamento com estas pessoas. O que leva ao segundo motivo.”
Faz muito sentido.
Agradeço por poder ler isto.
Obrigado pelos elogios. Gisele. Sobre o paragrafo, é uma questao de logistica mesmo. Quando vc compra espaco em midia (seja um post pago ou um comercial de 30 segundos), para o anunciante pagar, a agencia agenciar e o veiculo receber, existe toda uma buoracracia que envolve nao só todas as leis (nacionais, estaduais e federais) mas tambem todas as regras dos anunciantes. O problema nao é só a quantidade de veiculos, mas tambem lidar com pessoas que nao tem estruturas comerciais.
Post que qualquer um com bom senso gostaria de ler. Parabéns!
Fica difícil discordar agora. Acredita agora que eu entendi seu ponto de vista?
touché
Acho muito divertido quando se fala em blogosfera como se fosse uma entidade e na verdade não deve ter nada mais heterogêneo do que a tal da blogosfera.
Eu acredito em ações pequenas que possam ser feitas com pessoas afins para chamar à atenção sobre algum assunto, mas nenhum presidente caiu ainda pela ação da blogosfera.
Fora isso, se bem tenho um blog em português não sou brasileiro nem estou no Brasil, mas posso imaginar perfeitamente as panelinhas que você refere.
Ótima matéria. Parabens
Eu gosto quando entro em algum blog e tem aquele famoso post pago “semi-disfarçado” do tipo:
“A galera aqui do blog XXX já conferiu essa promoção que é a mais quente e radical da web. O que você está esperando pra conferir também?”
Pífio.
Ótimo texto, Cava.
Estava inspirado hein cava! Bom post
É isso aí. Estou há pouco tempo na blogosfera, mas já percebi a panela. E ela já migrou para o Twitter, daqui a pouco começa as mensagens semi-pagas!
Boa bola. Nem cá, nem lá e acho que a internet, como um todo, anda precisando de uma sinceridade assim.
Abs,
Parodi
blogueiro ou nao voce chama todo mundo de putinha… ah, seu Cavalcanti…
Virei fã.
Cavallini, excelente post
este paragrafo…
“Interessa para alguns anunciantes, que realizam medíocres ações de post pago como falsa mostra de mídia social, quando na verdade não passam da forma mais ordinária de propaganda.”
…ficou perfeito, a nua e crua realidade.
Cava,
Seu ponto de vista é realmente interessante e eu nao tinha olhada desta forma.
Como já comentado acima é dificil discordar de você agora…
Abrax
Wilson
Clap, clap, clap.
Tem uma “idéia brilhante” que eu disgosto um tanto mais do que a situação descrita no post: “vamos fazer um viral com os blogueiros”
E’ assim: alguém tem a tal idéia de disseminar uma campanha viralmente (ou seja, de grátis) mandando “dicas” de matéria para bloguerios, ou “pistas” da nova campanha - como se fossem fontes neutras, de leitores comums.
Começa assim, desonesta. Algumas pessoas tem a percepção que viral e desonesto são sinônimos.
Segue-se espalhando notícias e dicas falsas pela blogosfera, rezando para que alguém morda a isca, que vire um burburinho. E na sequência vem a campanha.
Eu suei a camisa para dissuadir um cliente de uma idéia “brilhante” assim. Quando as pessoas desconfiam que há uma enganação no ar, a coisa fica preta. Há inúmeros cases de “tentativa viral” terrivelmente fracassados (Coca Cola, nVidia, Sony… dos grandes)
o AdRants vive postando histórias de press releases ou campanhas sendo enviadas mascaradas como sugestão de pauta… “hey bro, check out this really cool site”
e no Brasil, eu lembro do Kibeloco sofrendo assédio de um “leitor” que supostamente tinha videos de sexo amador de uma atriz global. Claro, que o vídeo era mais uma campanha viral. Funcionou tanto que não lembro o produto, nem a atriz - a memória só reteu o papelão. (desculpe a franqueza caso algum leitor tenha trabalhado nessa campanha)
Gostei mais desse post do que do outro (blogueiros). No outro não tinha ficado totalmente claro o seu ponto de vista. Eu mesmo achei que vc pensasse diferente. Neste ficou claro e gostei muito desta parte:
“Interessa para alguns anunciantes, que realizam medíocres ações de post pago como falsa mostra de mídia social, quando na verdade não passam da forma mais ordinária de propaganda.
E, finalmente, interessa para duas ou três empresas que cacifam estes blogueiros para levar algum. Os chefes da gangue. Se autodenominam criativos mas só sabem fazer post pago. Se autodenominam agências mas são apenas redes de mídia.”
Esse pode ser melhor, mas a ilustracao do outro é muito mais legal
Espero que, como disse a Nospheratt, não vire barulho e sim reflexão.
Ricardo
o problema também é que tem agência tradicional que só quer posar de cafetão pro blogueiro e pensar que o filé da publicidade online só vale pra “sites” de verdade, né?
Botar no planejamento de mídia alguns blogs “de verdade” (com panela ou não) até agora não vi exemplos por aqui. Todo mundo ama os blogs, mas gastar dinheiro que é bom…
da blogosfera, direto para as twittadas-patrocinadas, vai ser um pulinho (ou seria uma putinha?). Excelente texto, Cavallini.
Entao henrique, mas apesar de inevitavel, a ideia nao era julgar ninguem (nem colocar alguem como melhor que outro). Quem é melhor entre o cafetao, a puta e o cliente que sustenta este ciclo? E’ uma discussao sem fim.
Sobre blogs de verdade. O que sao blogs de verdade? O meu é de verdade? O meu é melhor que o seu?
Esta é uma das principais mudancas conceituais da midia. As verdades deixam de ser absolutas. Nao exite melhor blog, melhor veiculo. Nao tem mais formula pronta.
oi ricardo, nem é pra julgar mesmo. a discussão, como você mesmo disse, não tem fim (mas é essencial mantê-la, né?). e vc. conseguiu reacender a chama, pelo visto.
[]s
Henrique
Cava, excelente post. Como sempre, pontos de vista incisivos. Bom, mas eu posso afirmar que eu já consegui alguma coisa de você por dinheiro, se eu me lembro bem, com R$20 você levantou a camiseta e enfiou o dedo no umbigo… Tenho esse vídeo arquivado.
abraço
Coca, eu continuo a mesma putinha de sempre. A unica coisa que mudou é que fiquei mais cara.