Ano passado, fazendo consultoria em uma agência de porte médio, escutei a seguinte frase:
Aqui na agência temos profissionais altamente gabaritados, que ganharam prêmios, foram reconhecidos e tinham ótimos salários mas largaram tudo porque ficaram de saco cheio desse mundinho de grandes agências. Resolveram trabalhar em um lugar onde pudessem fazer algo mais próximo do que acreditavam.
Quantas vezes vimos isso acontecer. O cara enche lo briocolé de grana e, ao invés de se aposentar, monta uma consultoria, uma agência pequena ou vai trabalhar em algum lugar onde ele, por seu gabarito e nome no mercado, tem poder de escolha e de sossego. Mas isso tem exatamente este cheiro, de uma aposentadoria disfarçada. Tipo “agora que não preciso mais de grana, vou trampar em um lugar onde não pego mais job de sabonete nem pasta de dente”.
Mas o que dizer quando o movimento vem de profissionais mais novos que não estão nem perto da aposentadoria? Só no mês de junho, soube de quatro brasileiros fazendo isso. Dois aqui no Brasil e dois lá fora. Também tenho conversado com outros que estão pensando seriamente em fazer o mesmo.
Se não for um fenômeno isolado, o que poderia explicar isso? O que faria um profissional largar um ótimo emprego e o conforto do ótimo salário? Certamente não se trata de conta bancária gorda nem falta de pique para trabalhar com comunicação.
Pensando no assunto, cheguei a conclusão que existem três tipos de profissionais quando falamos sobre decisões de carreira.
O primeiro tipo, e o mais sem graça, são aqueles que só tomam decisões quando estas batem a porta. Mudar de emprego? Só se receber proposta, for demitido ou a situação na empresa ficar insustentável. Fazer um curso? Só se for forçado ou se for padrão do mercado. E por ai vai. Pode achar que pensa a longo prazo mas na verdade pode ficar anos ao sabor da maré.
Já os outros dois tipo têm um objetivo claro e tomam decisões para atingi-lo. Se movimentam na hora necessária e não somente quando são obrigados a tomar decisões.
Claro que o objetivo final de todo mundo é a tal felicidade, por isso a diferença entre estes dois tipos está apenas na maneira como escolheram para chegar nela. Um deles acha que o melhor caminho é trabalhar para “fazer carreira” (ou dinheiro), o outro “fazer o que acredita”.
Apesar de Hollywood ter ensinado que a segunda opção seria a correta, não é tão simples dizer o que é certo ou errado. Afinal, os dois tem certa lógica. Quem busca carreira (ou grana) acha que ao alcançar o sucesso poderá fazer o que gosta, pois terá dinheiro e poder para isso. E quem busca fazer o que acredita acha que dinheiro (se ele for necessário) virá como conseqüência.
Eu não quero defender nenhum caminho como correto, nem acho que exista isso. Até porque, não existe garantia de sucesso qualquer que seja o caminho escolhido.
O mais complicado deste papo todo é que ele é uma punheta muito conceitual. Imagine um cara que estudou 20 anos da vida para virar médico. Ele pode ter feito isso simplesmente porque a vida levou ele (tipo 1), pode ter feito isso porque seu pai era médico e era o caminho mais fácil para crescer na carreira (tipo 2), ou pode ter feito isso porque era o que ele acreditava e gostaria. Por isso, ficar tentando catalogar as pessoas serve apenas como uma reflexão interna e não para ficar analisando pessoas e comportamentos.
E se não podemos apontar as pessoas, vou usar quem assumiu pubicamente uma direção. Steve Jobs é certamente o mais interessante deles. Em 2005, em seu discurso em Stanford (vídeo), ele tornou famosa a expressão:
Stay Hungry. Stay Foolish.
É óbvio que se manter hungry e foolish não vai fazer ninguém virar o Steve Jobs. O ponto é que além da expressão forte e bonita, Jobs defendeu que as pessoas devem buscar o que amam. Ele inclusive deixa claro que já teria parado se não amasse seu trabalho.
Alex Bogusky, da Crispin Porter + Bogusky, talvez tenha conseguido explicar o motivo pelo qual Jobs nunca teria ido tão longe se não amasse o que faz:
Life conspires to beat the rebel out of you.
Agora, nada melhor que a entrevista do Marcelo Tas para a Revista Trip para explica didaticamente como isso funciona na prática:
Recebo milhões de e-mails de estudantes que me procuram para saber como ter uma vida sem risco: já querem um estágio para fazer algo que vai dar certo, dar uma aposentadoria legal, um plano de saúde e o décimo quinto salário…
Sabe o que eu falo com esses garotos? Dou exemplos de amigos, sem dizer nomes, de gente que atingiu esse sucesso e é profundamente infeliz. Vários amigos que têm posses até fazem coisas legais, mas miraram só na grana e, na hora que ficaram ricos, viram que não era isso. Aí aquele gênio da lâmpada olha pra eles e fala “mas não foi o que você pediu?” [risos]. Aí o cara fala assim: “Tá, só mais um ano e depois eu vou fazer o meu longa”, e aí ganha do patrão um décimo quinto salário, férias no Taiti… já era.
Minha conclusão é que estes que estão saindo da zona de conforto das grandes agências são os tais rebeldes. Alguns darão certo, outros não. Sair é apenas o caminho correto na visão deles. Não tem relação com acreditar ou não na agência ou no mercado.
Mesmo que eu não consiga dizer o que seria certo ou errado para você, tenho uma opinião clara sobre o mercado. Precisamos de mais rebeldes. De gente que ama o mercado de comunicação acima de tudo. Que acredita poder entregar um bom trabalho mesmo que para isso precise correr riscos. Pessoas que acreditem no próprio potencial e no potencial do mercado.
It’s choice - not chance - that determines your destiny
Apenas para dar um cutucão nos medíocres que são levados pela maré, que eu fecho com a frase acima, de Jean Nidetch.
31 comentários
Comentários em blogs:
-
1
Pingback on Jul 9th, 2008
[...] É a escolha - e não a sorte - que faz o teu destino, Jean Nidetch, tradução livre de Lucia, chupinhada de um ótimo artigo do Coxa Creme. [...]
-
2
Pingback on Aug 20th, 2008
[...] dúvida que surgiu dia desses no Coxa Creme, mas com a discussão mais [...]
-
3
Pingback on Nov 11th, 2008
[...] Vou usar um trecho chupinhado em outro post meu para dizer o que acho deste assunto: É a escolha - e não a sorte - que faz o teu destino, Jean Nidetch, tradução livre de Lucia, chupinhada de um ótimo artigo do Coxa Creme. [...]

RSS
Claro que citar Jean Nidetch foi piada. Pra quem não sabe, é uma tia gringa (tipo Hebe Camargo) que fundou a empresa “Vigilantes do Peso”.
Sacanagem explicar a piada. Eu já ia começar a procurar outro guru de criatividade.
O problema é que toda empresa que cresce muito enche de gente, e quando tem muita gente, as decisões sempre ficam à cargo dos que não são rebeldes. Aí estabiliza.
No período pleistoceno da propaganda, Leo Burnett, David Ogilvy, Bernbach, etc etc etc etc etc, eram o mais criativo, e todos vão ficando adultos e desrebelizando um pouco.
O chato é quando você escuta o mais tradicional de todos os discursos: “ei, vamos ser inovadores, agressivos, modernos, tchans e tchuns, mas não podemos arriscar, que é muita grana do cliente e não podemos perder a conta…”
Aí vem o paradoxo e come tudo. *
+ Citação obrigatória de um conceito de um RPG que saiu de moda nos anos 90.
Muito bom!
Vejo o mercado assim também, mas acho que não é exatamente de rebeldes que precisamos (isso lembra mto RBD - http://twurl.cc/2g1), precisamos de gente com personalidade e que queira fazer a diferença, sem pré-conceitos ou paradigmas.
Já que vc fez tantas citações tenho + 1 aqui pra vc: “Se você obedece todas as regras, acaba perdendo a diversão” - Katerine Hepburn
Esse é o perfil que acho que os profissionais tem q assumir, sem medo de errar ou quebrar regras.
Mas como de praxe, amanhã pode ser que não :S Vamos todos trabalhar de camiseta preta, calça jeans e botas de crocodilo sintético.
Eu tendo a acreditar que os tipos que vc mencionou são totalmente situacionais. Já fui os dois últimos muitas vezes
De qualquer modo acho que um componente importante é que as novas gerações estão cada com menos tolerância a frustração. Qualquer revés, bronca do chefe ou insastisfação serve como estopim para uma mudança brusca e ai as razões “compráveis” são diversas (até mesmo “correr atrás do que acredito” ou “fazer aquilo que realmente gosto”). E isso é um grande problema porque cada vez mais teremos uma massa de pós adolecentes descontentes sem saber o porquê..
Excelente texto, Cava. Hoje de tarde estava discutindo algo parecido com alguns amigos que estão virando professores; acho que a reflexão vale a pena.
Achei só que faltou uma citação de Star Wars pro texto ficar perfeito! =]
Não sou do ramo de comunicação, mas essa história se repete em todos os setores.
Eu acredito que o melhor caminho para o sucesso é fazer o que se gosta.
Entenda por sucesso algo que você tem como objetivo. Se você quer dinheiro, faça o que você realmente gosta, e por consequência fará um trabalho bem feito, se destacará e o dinheiro vem. Pessoas do ‘tipo um’ são muito, muito comuns de encontrar, infelizmente. Mas acredito também que esse cenário triste está mudando. Essa semana eu li um post com o título “Se tem gente saindo até do Google, por que você continua aí mofando?” (http://tinyurl.com/5lmeme), mas no post o leitor era convidado à ação, e chamando a atenção para que ele faça o que gosta.
A não ser que você tenha nascido rico, ou algo do gênero, no mundo real você precisa trabalhar, e já que isso é inevitável, o ideal é procurar algo que você gosta, o resto é consequência.
Eu li isso daí e fico pensando em qual tipo me encaixo. Talvez em nenhum deles, já que nunca cheguei na parte do ganhar milhões.
Não sei como é para os outros, mas posso falar por mim, que sou véia nesta área.
Sempre existiram carreiristas e sempre vão existir. Mas em lugares grandes demais, hoje em dia a quantidade de carreiristas é insuportável. Qual é o problema de pensar na carreira?
Nenhum. Contanto que o cara se interesse pelo que acontece no meio do caminho, sabe? E o que eu chamo de Carreirista, é o cara que tá pouco se lixando para o que ele faz. Na verdade, só faz porque dá dinheiro, nome na mídia e foto no Blue Bus.
Trabalhar no meio destas pessoas, Cava, é algo de insuportável. Porque, enquanto você quer fazer as coisas da melhor maneira possível, porque gosta, um monte de gente em volta de você está trabalhando por si… não com você.
Talvez isso esteja dando no saco de outras pessoas além de mim. Porque, já que eu me sinto sozinha em uma agência grande mesmo, vou partir pra carreira sólo.
No meu caso, como não tenho bala pra carreira solo, escolhi uma agência menor, onde não tem como fazer carreira. Praticamente um estúdio. E se crescer demais, se aparecer plano de carreira lá dentro, na boa? Provavelmente vai virar a mesma porcaria e eu saio, assim como já cansei de fazer.
Trabalhar deveria ser simples. Você vai lá, faz o que gosta, se estressa de vez em quando porque é normal e boas. O problema é viver insatisfeito. Aí começa a realmente não valer a pena, nem pelo dinheiro.
Não sei se para você ou para outras pessoas isto é uma grande bobagem ou faz sentido, mas é o que eu sinto sobre a área, bem pessoalmente.
Talvez seja um mal em todas as áreas e não apenas na nossa. Minha irmã é bióloga, trabalha com pesquisa de Biologia Molecular (nada a ver com a gente) e sente a mesma coisa. A outra irmã é médica e idem.
Cava
Fantástico o texto.
Concordo com o que você chama de “rebeldia” e - por mais paradoxal que pareça - tenho visto isso mais em gente experiente do que na molecada que chega pra estagiar achando que sabe mais que todo mundo e que só não está sentado na cadeira de presidente porque “tem um velhaco que não entender p… nenhuma por lá”.
E não pude deixar de lembrar da citação do Fábio Barbosa que diz que “Quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho”
O que falta, é sair da mesmice. Sentar a bunda na cadeira, falar menos e agir mais.
Eu acho que essas pessoas que estão saindo estão procurando relevância acima de tudo, pelo menos é o meu caso (acho que sou um dos amigos citados).
Agora eu acho que os rebeldes estão colocando a carreira acima de tudo, tentando colocar tudo em perspectiva e tentando entender como eles querem ser lembrados, se é que vão ser lembrados no futuro. É uma decisão complicada, cheia de riscos mas completamente fundamentada na vontade de fazer algo realmente relevante, com algum rigor intelectual.
O Thiago acima citou um outro tipo de profissional que não se encaixa no texto e que é muito comum hoje, é o que chamamos por aqui de High Maintenance Talent (se aplica mais a Designers), geralmente são novos e talentosos, mas com um estilo muito especifico, geralmente associado a modinha do momento, muito pouco conhecimento formal e tendência a não aceitar opinião. Esse profissional é problema sério e deveria trabalhar em projetos específicos, como freelancer, estão muito pouco preocupados com comunicação e só preocupados com o próprio talento.
Acho importante ter coragem de fazer as coisas, de não se sentir confortável.
Eu acho que o perfil que o Thiago comentou é o que eu descrevi como “primeiro tipo”. Nao importa se o cara fica trocando de empresa ou se fica na mesma por uma decada.
Sair quando fica de saco cheio ou quando recebe proposta de agencia da moda é fazer o que acredita no momento. Nao demostra um trabalho de carreira baseado em um planejamento.
Se a decisao é situacional, ela nao é estrategica.
Engraçado, os sites especializados dizem que fulano ou beltrano “foram fazer projetos pessoais” num aspecto que me parece um tanto quanto pejorativo, ao invés de dizer, fulano teve culhões de sair da turminha da birita e das putas e ir viver algo diferente.
Para quem é empreendedor estar empregado não te impede de trabalhar idéias e conceitos nunca, quando você acha que estão maduros você pula em cima e vai embora.
Mas o status quo do clube citado acima age igual Jerry Mcguire, todo mundo bate palma e depois comenta na mesa de almoço da empresa, vc viu que fulano saiu daqui? Vai se foder já já… Quando ocorre do cara dar certo todo mundo começa a criar uma pequena capa de super herói embaixo da camisa xadrez e da calça bege pensando e se eu também fosse? Bem se você fosse você iria se fuder porque seu negocio é ser gerente júnior de produtos vermelhos do subsegmento A da multinacional XYZ. Voce GOSTA disso, GOSTA da cesta de fim de ano e GOSTA do clubinho, não adianta misturar as coisas. Tem gente que fica foolish e hungry até o final da vida e ai a sacada não é mais a grana, são os desafios, comprar brigas em situações perdidas, aceitar missões suicidas, mas nunca deixar de tentar.
Não deixe a capa vermelha de 5 minutos te tirar da aposentadoria, você não se presta a isso e você que é empreendedor, não se incomode com que o site x ou y vai falar da sua carreira, porque eles ao invés de trabalhar nas grandes mídias resolveram “projetos pessoais” que hoje são um tipo de coluna social do mercado, eles tiveram a opção de seguir os “projetos pessoais”e você não? PORQUE? Você que feliz ou infelizmente nasceu esfomeado e nasceu de bem com a vida vá de encontro a isso. Afinal de contas, seus ex colegas vão estar na turminha da birita e das putas, e ninguém pagará suas contas do final do mês. Portanto não devendo nada a ninguém se nasceu assim segue em frente e deixa rolar.
Quebre a cara, mas nao erre pela omissão. Não se dê ao luxo de ser omisso com você, o cobrador é você mesmo, e dele você não escapa.
Mas Cava, acho que vc está querendo uma maturidade que não existe ou é muito difícil de se conseguir de um pessoal mais jovem. Como se pode exigir de um moleque de 25 anos que já saiba o que ele quer da vida? A gente tem que tomar uma decisão de carreira aos 17! E que vai nos assombrar para o resto da vida.
Não estou defendendo que as pessoas sejam incostantes mas acho que isso é natural. O que me preocupa que é que essas inconstâncias virem modo de vida e não se enxergue como parte do crescimento e maturidade.
Moleque de 25? Aos 16 ele ajuda escolher presidente. Tudo bem, usar leis como argumento lógico seria uma ironica sacanagem.
Mas essa era uma discussao esperada. Partindo do principio que a divisao de tipos que eu descrevi no texto faça sentido (pq pode nao fazer), seria viavel mudar? Isso nao destruiria o proprio argumento dos tipos?
Talvez a conclusao seja que o tipo 1 (que anda ao sabor da maré) nao exista, ele é apenas o estagio anterior. Algumas pessoas acabam amadurecendo e migrando deste estagio para o proximo (os outros tipos, que tomam decisao de longo prazo). E alguns nao mudariam nunca, seja por falta de capacidade, de coragem ou de opcao.
Agora, uma coisa precisa ficar claro. Tomar decisao nao é ter cada passo muito bem definido. As vezes, é justamente nao definir nada. Tem muita gente que escolhe viver o dia-a-dia. Entao, mesmo aparentemente nao tendo um planejamento, esse cara pode ser o cara que eu disse que faz o que acredita.
Por isso eu disse que o texto serviria como uma reflexão interna e não para ficar analisando pessoas e comportamentos.
Quando “saí” do mercado para montar a Starpix eu não tinha grana nem fama e nem estava satisfeito com o a padronização profissional que as agências estabelecem. Não queria ser um profissional on line, ou off line, queria ser um profissional de criação com a oportunidade de extrapolar o trabalho para a midia que fosse, além de conseguir encontrar uma identidade de criação/arte.
Depois que se passa mais do que 5 anos em circulo de agências grandes, já trabalhamos com todos esses tipos de profissionais que você colocou ai, mais os anti-profissionais, e chega um momento onde você sabe mais ou menos pra que lado seguir. Mas é bem mais ou menos, e vai do critério de cada um. O meu na época foi simplesmente voltar a trabalhar junto aos profissionais com quem eu mais desenvolvi meu trabalho, com quem a fluência e o clima fosse mais favorável para esta busca de identidade.
É gostoso acreditar em abrir uma agência simplesmente pra fazer o que gosta e como gosta, mas temos que nos lembrar que o máximo que conseguimos fazer mesmo é construir um ambiente saudável e produtivo de trabalho, a final de contas dependemos do mercado para a entrada de dinheiro, seja ela como terceirizada de agências, seja ela com clientes diretos, o cliente é quem dita o ritmo e a qualidade final do serviço prestado.
Cava, concordo que não exista verdade absoluta. Pensando que talvez eu me enquadre nos rebeldes sem lenço e nem documento, o que eu procuro é crescimento profissional e pessoal, por aqui as coisas funcionam pra mim.
“Nunca é tarde para ser o que você poderia ter sido”
Winston Churchill
Cava,
Será que o fato de alguém largar as grandes agências e arriscar a vida em algum lugar menor (ou montando a sua própria empresa) é mesmo uma questão de rebeldia?
Posso dizer pela minha experiência que foi tudo uma questão de ambição e realização, pois o sangue e o suor continuam o mesmo, acreditando e construindo uma empresa que já atende grandes clientes, oferecendo velocidade, organização e dinamismo que muitas empresas maiores não conseguem.
Não Tuco, claro que não. Pra comecar, usei o termo “rebelde” em referencia a frase do Bogusky.
É rebelde no sentido de nao se submeter ao caminho comum. E caminho comum significa tomar decisoes somente quando elas sao impostas.
Sair ou entrar de agencia grande ou pequena nao quer dizer nada. Como eu expliquei acima, nao é possivel categorizar as pessoas pelas acoes, pois nao sabemos os motivos nem as decisoes que pesaram para isso.
E qualquer que seja o movimento, nao quer dizer trabalhar mais ou menos. Muito menos ter ou nao ter ambicao.
Muito bons o post e os comentários; fica a questão de o que é o tal “fazer o que acredita”, e porque as grandes agências aparentemente se tornaram o anti-símbolo desse objetivo.
).
Paralelamente, podemos incluir nesse pensamento o relacionamento agência x cliente; para o profissional de criação “fazer o que acredita” o cliente precisa depositar plena confiança, e ter verba para o mesmo. Uma situação em que ambos estejam presentes é rara, infelizmente. Entre outras coisas, clientes pequenos tendem a assumir rédeas, o gosto pessoal dita aprovações de um plano de comunicação. Clientes grandes tendem a não assumirem riscos – há muito em jogo. As vezes nem a própria agência quer assumir riscos com o cliente, apresentando algo diferente… por isso admiro imensamente as peças extravagantes de Cannes que não são fantasmas – demonstram um trabalho de equipe incrível entre todos, inclusive o cliente, um lado esquecido (já os fantasmas demonstram o potencial latente, o que poderia ser realizado mas não é, como um sonho erótico
Acredito que existam modelos de negócios – a carreira solo, o pequeno estúdio, a agência média e os conglomerados internacionais de propaganda, que coexistem onde cada nicho tem seus méritos e problemas. Não existe uma resposta final, sempre há onde se ganhar e perder - o importante é evitar as ilusões de glamour (ou repulsa sistemática) em cada um, e enxergar que todos os modelos exigem trabalhar duro.
Eu acho que o ponto não é saber o que você quer da vida. É NÃO saber o que você quer da vida. Eu até hoje não sei o que eu estou fazendo, não que eu seja exemplo pra ninguém, mas eu quero que continue assim. Não saber o que eu quero da vida já me levou a vários lugares, desde trabalhar em portal até ser CD na wieden+kennedy e no final das contas as duas experiências deram na mesma e só me ensinaram o que eu NÃO quero fazer da vida. Eu acho que a graça toda está na busca por essa resposta e eu espero que eu nunca descubra.
É como toda boa história, você quer saber o que acontece mas você não quer que acabe.
P.S.: Meu comentário não adicionou porra nenhuma a discussão mas como estou vivendo a situação mais agora do que nunca ( toda vez que conto pra alguém o que esta rolando as pessoas instantaneamente perguntam “TA MALUCO?”) quis deixar minha marquinha aqui.
Muito legal o texto cava. Pena que o athila tinha que vir aqui e comentar. Mas nem tudo é perfeito.
Ótimo texto Cava.
Tu foi perfeito em suas colocações, e acredito que as pessoas que vão atrás da realização e não da grana tem muito mais chances de encontrarem a tal “felicidade” que todos sonham. Claro que alguns irão encontrá-la e outros não, mas isso faz parte do jogo.
Primeiro, parabéns pelo texto, bem interessante a discussão. Eu como estou em inicio de carreira, passo por isso em uma menor escala mas que considero tão difícil como. Só para contrariar os posicionamento sobre a idade da “molecada” fazer escolhas, vou contar um pouco da minha história. No colegial, acabei fazendo técnico em eletroeletrônica na UNESP de Guaratinguera, interior de SP. Após formado, fui estagiar em Taubaté na área e posteriormente passei em um concurso para trabalhar de técnico na mesma empresa, no caso, do governo. No primeiro ano como técnico, comecei engenharia elétrica por trabalhar já na área e pensar que, com a experiência adquirida eu iria sair um puta engenheiro, com um grande vantagem sobre a concorrencia. 3 meses de aula e eu faço a decisão mais fácil e ao mesmo tempo dificil da minha vida, abandonei a engenharia para fazer publicidade e propaganda! Foi fácil porque sempre admirei a área e tinha vontade de trabalhar com comunicação mas foi dificil porque vocês não imaginam a pressão de amigos,companheiros de trabalho e principalemente os familiares fizeram (alias, acho que esse é o maior problema das escolhas dos mais novos, os pais mais atrapalham do que ajudam). Só tive peito para contrariar tudo e todos porque me mantive no trabalho, o qual me deixou independente financeiro desde os 19 anos, fazendo com que a briga com meus pais não me impedissem de fazer qualquer coisa.
(Agora vem a parte que mais se relaciona com o texto na história)
Os primeiro 3 anos de faculdade tive que continuar trabalhando para me sustentar e no final do 3 e começo do ultimo, surgiu uma chance com a privatização da empresa e aquelas propostas indecentes pra quem quiser sair, de eu abandonar o emprego e ao mesmo tempo me manter $$ até aparecer algo na área de publicidade. Foi uma decisão arriscada mas necessária pois trabalhava, morava e estudava no interior. No meio do ultimo ano, pintou uma vaga de estagio na empresa que eu trabalho hoje e passei 6 meses trabalhando em sp, praticamente pagando pra trabalhar por causa dos custos diário de transporte taubaté-sp. Dos 50 que formaram comigo, apenas 1 alem de mim fizeram um sacrificio como esse para poder entrar em um mercado tao competitivo como de SP, e mesmo assim, em agencias pequenas.
Hoje tenho “apenas” 24 anos e mesmo assim tomei n decisões que mudaram n vezes os rumos da minha vida pelo que eu acreditava. Acho que independente da idade, todos tem a capacidade de decidir o que é melhor ou pior para o que querem, basta querer.
Ironicamente estou procurando novos rumos para minha carreria novamente, dessa vez pensando em carreira e dinheiro um pouco, afinal, não batalhei tanto para ficar em uma agência pequena sem conhecer o trabalho em uma grande/média e conhecer outras áreas dentro da própria estrutura da comunicação.
Não sei se acrescentei algo relevante para a discussão mas quis apenas expor minha história para provar que essa história de molecada não saber tomar decisões é apenas desculpa para a incapacidade de alguns de tomar decisões correta e/ou arriscadas.
Adorei o post….e a minha opinião humilde e singela, de quem já saiu do mercado faz tempo e vive fazendo o que gosta é que essa pessoa que sai começa a sonhar seus próprios sonhos e não o da agência ou empresa.
liberdade, my friend!

e isso não quer dizer mais facilidades, muito pelo contrário…..é ai que o bicho pega.
Queridao gostei muito do comentario… acho que mais forte ainda para mim foi a ilustracao colocada p/ esta materia… uma vez bem preparado, fisicamente, intelectualmente e emocionalmente nao ha limites p/ o individuo.
Recentemente acho que a palavra mais comum entre eu e meus irmaos tem sido: _Acredita!
Eles sao jovens, tiveram o privilegio de ja passar por agencias grandes mas ainda querem continuar suas proprias revolucoes… explorar novas possibilidades profissionais e eu digo: _ Acredita!
Ja dizia o rei Salomao… que na vida, nao ha nada melhor para o homem do que comer, beber e se alegrar de seu proprio trabalho.
Se voce tem essa alegria estando por 20 anos na mesma agencia, ou quebrando tudo e abrindo a propria agencia entao esta valendo, o que nao pode eh ser infeliz e aceitar esta condicao… pois como diz na materia acima… no fim tudo eh uma grande busca pela felicidade.
Cava, também tenho reparado nisso por aqui. Se falarmos dos jovens, estaríamos assistindo o nascimento de uma geração de idealistas? Eu espero que sim. Mas há também aquele outro fator inexorável para qualquer ser humano: o seu meio-ambiente. E não estou falando de samambaias. Talvez por causa dessa virtualização toda e até por causa dessa tal internet, as pessoas estejam começando a sentir falta das pessoas. E com isso vem o ambiente legal, a troca, o convívio. Pense nos programadores e nos diretores de arte interativos por exemplo. Poderiam ficar em casa e fazer muuuita grana de frilas, para aqui e para o exterior mas, cada vez mais, estão querendo sair de casa e e ver gente, trocar, pensar, idealizar, brigar por um objetivo comum.
Faz um tempo escrevi alguma coisa sobre isso no Agência Social Club, lá no Webinsider. Acho que talvez tenha alguma coisa a ver com isso.
http://tinyurl.com/55q7ng
Beijo, M
EU continuo pensando que seu trabalho é o que vc escolheu para fazer o mundo melhor [sob sua ótica]; e se vc não faz nada de bom então que caralho está fazendo aqui?
Julgar quem fica e quem sai não vale de nada, pois como foi dito acima ter estômago para continuar dentro de uma organização tem tanto valor quanto tentar o próprio caminho, devido a hostilidade do ambiente.
Li não sei onde que nunca antes na história as pessoas amaram e se dedicaram tanto as suas famílias, transformando isso na razão da vida.
Eu sigo nessa linha. Gosto de ganhar dinheiro, mas vivo para a minha família, e não para ganhar dinheiro.
Olha que interessante esse texto do Ken, fala exatamente sobre o mesmo assunto.
Cava,
boa!
Acho que vc e um pedaço da lista sabe que eu to nesse momento.
Todo mundo fica me perguntando pq foi q eu saí da Realmedia?
Sei explicar para mim, não para os outros! Não tem fato, não tem grana, não tem erros, muito pelo contrário, fico feliz de ter passado por ali e colocado meu trabalho com DNA de uma área.
Saí, fui. Posso tentar explicar 1.000 vezes os pontos, não vou convencer ninguém.
Acho que existem 3 grupos:
1) os que vão
2) os que não vão
3) os que querem ir e não vão
Abs
trz
Nem sei se é o caso para leitores daqui, mas, de qualquer forma, tem essa tradução livre do discurso do Jobs. O tradutor é palha, mas dá um desconto que ele é brother:
http://chester.blog.br/archives/2005/06/o_wired_news_in.html