Mais uma prova do aquecimento do mercado online, o Ibope vai relançar a ferramenta WebRF, descontinuada em 2002.
A ferramenta permite ao mídia trabalhar com alcance e freqüência (reach and frequency) em seu planejamento, ajudando a escolher os melhores veículos.
Deveríamos comemorar se não fosse um porém. Como a nova ferramenta usará a base do painel NetView, do Ibope Net/Ratings, terá os mesmos problemas do mesmo.
Me refiro a dois problemas básicos e graves do painel. O primeiro é o fato da seleção e da pesquisa serem realizadas por telefone fixo. Ter telefone em casa não é mais uma questão de renda ou faixa etária. Só para ficar em um exemplo, têm muita gente das classes AB deixando de usar telefone fixo. Isso demonstra uma relação diferente do consumidor com os meios de comunicação, certamente influenciado por celulares, mensageiros instantâneos e email.
Mas não quero bater tanto neste ponto, pois não vou ficar discutindo com quem argumenta que é um fenômeno novo e portanto desprezível. Por isso vou focar no segundo problema, o fato do Ibope medir apenas o acesso residencial. Este filtro inviabiliza o uso do sistema.
Sabemos que a quantidade de pessoas que acessam a web do trabalho ou de outros locais como lan house e faculdades é enorme. Mas se a pesquisa é por sistema de amostras (critério estatístico), que diferença faz? Faz que a pesquisa trata justamente sobre isso, consumo de mídia. Não adianta fazer ponderação. Estamos ignorando um perfil de acesso que representa hoje a maior parcela de internautas brasileiros.
O filtro (pesquisar só quem acessa de casa) é justamente o que torna estas pessoas diferentes no consumo de mídia.
Melhor saber isso do que saber nada? Discordo, quem compra esta pesquisa usa o sistema para investir dinheiro de mídia, não compra só para ter um cheiro do comportamento na web. Por isso, a menos que seu produto seja um remédio para curar síndrome do pânico (de pessoas que não saem de casa), não podemos confiar no NetView.
O consumo pode ser diferente mesmo para quem acessa em ambos os locais (trabalho e em casa). Basta ver a quantidade de pessoas que só usam MSN no trabalho. MSN é diferente? Não é não, é justamente um pequeno exemplo do que eu estou falando: consumo diferente da mídia em casa e no trabalho.
O desafio do Ibope não é pequeno, pois não adianta medir também o acesso no trabalho, visto que a maior parte dos internautas vêm de outros lugares, como lan houses e faculdades. Seria um serviço caro e que estaria sempre correndo atrás do prejuízo. Sem contar que ter o Google como concorrente é - no mínimo - motivo de pânico.


Isso é fruto da paranóia que assola os clientes a terem necessidade de ter algum número, mesmo que esse seja um número burro!!! Por isso, o que conta mesmo ainda é histórico de veiculação… vamos valorizar os mídias on-line que estão ralando um tempão pra ter algum ” cheiro” do comportamento e do resultado dessa mídia.
até parece q existe um interesse por detrás de não levar em consideração essas outras formas de acesso. que interesse seria esse?
Cava
Me considero um heavy user. Mas qdo chego em casa, a noite, quero distância da minha máquina. Assim como as outras 4 pessoas da minha familia. Todos acessam do trabalho e não usam nos dias de semana à noite. No final de semana o uso é muito restrito, apenas alguns minutos.
Concordo com vc em genero, numero e grau. Os dados continuam distorcidos e não servem para qualquer referência.
Nos EUA e Europa, muitas empresas não consideram mais os dados da Nielsen, pois os relatórios da ComScore parecem estarem muito mais confiáveis.
É isso.
seria um interesse mesmo? ou não seria preguiça?
Não consigo compreender a utilidade de um dado enviesado como este.
Para mim é melhor não termos uma “bússola” e tentarmos nos guiar pelo sol do que utilizarmos uma bússola que sempre aponta para o norte… E para mim a NetView é isso.
e o que a gente pode fazer para questionar isso? as agências tem algum poder para pedir um levantamento melhor de informação? o IAB é capaz de alguma coisa?
Essa é a pergunta que todos fazem. O IAB é capaz de alguma coisa?
Ou o IAB, ou as agencias ou o Grupo de Mídia, ou mesmo a ABA, ou seja, todos os interessados.
Vejo problemas e soluções no caso, posto que pesquisa de mídia é tendência e não fato.
Comscore ou Google adtrends tbm não resolvem [interesses próprios].
Investimento publicitário tem o Monitor e tem o Intermeios, a mesma coisa de maneira diferente.
Penso que o futuro passa por aí, pelo menos uns 2 ou 3 aferindo, coisas muito distintas.
Mas isso só atrapalha na hora de defender a métrica para o investimento: qual vale, qual é o melhor?…….
É preciso ter inteligência para interpretar os numeros [independente de onde eles vem.... eu já achei muita razão nos numeros do netview]
abs
Já me perguntei isso várias vezes. Qual o motivo de medir somente a utilização da web em casa? Se conversar com qualquer usuário perceberá que na grande maioria dos casos o comportamento é completamente diferente. Mas acho que estão fazendo valer a máxima de sempre: há quantos anos medem a audiência televisiva da mesma forma e proporção? O que mudou na maneira de medir o público que vê TV nos últimos cinco ou 10 anos? O meio mudou, o consumidor mudou, a publicidade mudou. Só não mudou a forma de mensurar tudo isso. Acho que o IAB só terá poder para alguma coisa e terá relevância quando o dinheiro de verdade começar a pingar na web.
O IBOPE as vezes gosta muito é de fazer barulho. Fonte imprecisa gera falha na conclusão do planejamento, e infelizmente sempre sobra pra agência e não pro ibope. Como resolver? Não pagando pelo serviço e ponto?
Não basta isso ser uma bela sacanagem, vai gerar ainda mais powerpoints de “propostas” ou “cases”, dizendo com letras garrafais “PORQUE TRINTA POR CENTO DO NOSSO TARGET NA WEB…” após míopes de marketing descobrirem e usarem isso…
Dai-me paciência… vai ser foda…
No meu humilde ponto de vista, a opinião do César é a mais serena. (sempre, diga-se de passagem)
Não adianta acharmos que está correto, porque não está, mas o mercado é balisado por referências amostrais, que infelizmente insistimos em não absorver no mundo online pelo simples fato de podermos trabalhar de modo mais apurado, acertivo e real - não amostral.
Frustrações não podem ser bandeira corporativa para questionar métodos que de alguma forma movimentam a indústria. Eu não sei quantos aqui sabem, mas a audiência flagrante do FLASH do IBOPE para TV, tem margem de erro de até 3 pontos percentuais - agora imaginem o absurdo, num país onde emissoras como RedeTv e Band por exemplo tem dezenas de programas nessa pontuação !?!?? Na prática, há um índice que diz que podem existir mais de uma centena de milhares de residências assistindo, ou nenhum televisor ligado…
Mas Igor, eu não sou contra a pesquisa com base de amostras. Minha critica é contra pesquisa viciada. Um bom exemplo é minha critica sobre a divulgacao sobre o acesso de iPhones. A pesquisa nao é por amostra, mas comete um erro grave tambem.
Fala Cava,
Sim, sem dúvida. O meu ponto é mais em função dos comentários dos outros do que do seu post.
Agora o caso do iphone no seu post, é incomparável - pra não dizer vergonhoso. Algumas empresas em busca de exposição gratuita na mídia, são oportunistas a esse ponto, aquilo é tenebroso, mas muito mais pela capacidade de manipulação da imprensa do que pela nojeira metodológica do número.
O que vale pra mim é a capacidade do profissional em filtrar com critério qualquer informação de pesquisa, porque nunca teremos uma metodologia esclarecedora, ponto já ressaltado pelo César. O fato de você já ter apontado melhorias que estão ao alcance prático de serem implementadas, é um sintoma positivo da evolução do mercado.
Eu por exemplo, faço o loyalty ranking (disponível no Net view usa) no braço, afinal os números estão disponíveis, basta aplicar a fórmula. Demorei 40 dias pra conseguir o pdf da metodologia, mas fui atrás…. Adoraria ver esse ranking disponibilizado para os assinantes brasileiros, muito mais por catequizar o mercado do que por conseguir “enxergar” o índice… mas o ibope não parece interessado em implementar no Brasil…
Sobre IAB, GRUPO DE MIDIA ou a associação que valha, te garanto. Participei de um encontro com a comissão de pesquisa do grupo mídia junto ao ibope - o desprezo deles em relação a argumentação de uma alteração (naquele evento) sobre o monitor foi decisiva. A coisa resolveu, quando um grupo de 8 VP’s ameaçaram suspender a compra, num comunicado escrito, dirigido a deus@ibope - infelizmente nesse país, a coisa se resolve na força, muito mais do que no diálogo.
É foda, eu concordo tanto com o que vc falou que eu nao sei se isso me anima ou desanima.
Isso tem que animar posto que o futuro a nós pertence, então por favor não podemos deixar que a acomodação do presente entregue soluções rápidas e baratas.
É difícil, dolorido, leva tempo, e se um número maior de mentes que pensam e conversam sobre o mercado tomarem frente poderemos vislumbrar um futuro mais positivo.
O que não pode é dar ibope pra qquer comentário desenfreado. A internet permite isso mas temos que botar filtro.
E Cava, eu concordo com o ponto do seu texto, mas o ótimo é inimigo do bom.