Estava lendo o post Brasil narciso no blog do Amaral, ele faz referência a um interessante texto do Prof. Jean Marcel Carvalho França, fechando com uma frase que resume bem o conteúdo:
Em suma, o Brasil é um país onde o que é bom é nato e só nós temos, mas tudo que é ruim, é porque a culpa é dos outros.

Em conversas paralelas com amigos surgiram nomes como Roberto DaMatta, Gilberto Freyre e até Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda. Mas nem estou preocupado em enveredar o assunto para a sociologia. Se eu não quero ser guru, imagina sociólogo.
Enfim, antes de eu ir pensar nos meus próprios erros, queria comentar que ao ler o texto, o que veio em mente foram várias das entrevistas que assisti dos brasileiros em Cannes.
O brasileiro é um povo criativo como ninguém. Está no nosso sangue, vem da nossa mistura e da nossa vivência sofrida e sem condições. Somos pobres mas somos safos.
Por outro lado, tem sempre um culpado pro Brasil não ter ganho isso ou aquilo, ou ter conseguido um resultado considerado longe do ideal. Preconceito, inveja, falta de grana, falta de prazo, baixa audiência em alguns meios, etc.
Caramba, eu não sei se alguém tem culpa de alguma coisa, só sei que fica muito feio a gente ter sempre essa postura. Se a gente não tem culpa nunca, não temos onde melhorar.
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A culpa é do Fidel, da Rede Globo e dos clientes. SEMPRE. Não complica, Cava. ;]
Obrigado pela citação. Aliás, é sintomáico que nossos prêmios quase integralmente são fantasmas.
Sintomatico é toda vez que eu falo da Cannes pintar o assunto de fantasma
Concordo plenamente. Generalizando, misturamos uma arrogância com um complexo de vira-latas (eu sei que parece contraditório, mas tenho um ponto e já já chego nele). A arrogância pelo que a própria frase em destaque mostra: “o Brasil é um país onde o que é bom é nato e só nós temos”. Pois é. Tem gente que acha que só a gente joga bola, só a gente tem ginga, só nosso povo é simpático e nosso país é o mais lindo de música. Tudo bullshit. Realmente somos diferenciados em algumas dessas coisas, mas nenhuma delas é exclusividade nossa.
Já o complexo de vira-latas vem do fato de nos acharmos perseguidos e portanto, prejudicados, e por isso que algumas coisas dão errado. Perdemos a Copa? Deve ter sido roubado. Tem corrupção? Culpa da Globo ou dos EUA.
Malditos, não param de perseguir nosso país só porque ele é tão naturalmente foda, né?
Enfim, nosso país é naturalmente foda, ou poderia ser pelo menos, se, como o próprio post fala, a gente (seria hipocrisia eu falar sobre o povo brasileiro sem me incluir nele, né?) mudar nossa postura.
Acho que vale elogiar o comentario do Marcio Salem, jurado brazuca de direct:
e termina:
o pior desse papo, é procurar “identidade nacionalista” numa atividade q não tem nada de brasileira. afinal de contas, quais são as verdadeiras referências publicitárias brasileiras? tudo menos brasileiras. entao dizer q o brasileiro é isso ou é aquilo: bullshit. o publicitário brasileiro é igualzinho ao publicitário holandes, americano ou inglês. só q ele trabalha no Brasil. por isso, e só por isso talvez, ele se dê mal nos festivais e que tais.
se fosse brasileiro, fantasma seria chamado de curupira
ou melhor, de saci, que nao tem uma perna
Será que não é uma espécie de “releitura” da Lei de Gérson, infelizmente tão típica do nosso país?
É a postura – que sempre me irritou – de que, diante da impossibilidade de se destacar, apaga-se o brilho alheio.
É mais ou menos o lance de um batalhão enfileirado que dá um passo para trás, deixando um solitário incauto à frente em resposta ao pedido de um voluntário para uma atividade perigosa.
Se varrem a sujeira para baixo do tapete, talvez, neste momento, tenhamos que tirar o tapete.
E viva os que tem o poder de gritar que o Rei está nu!
Ale
Uma das primeiras coisas que notei quando comecei a trabalhar p/ fora foi o quao comum é alguem querer assumir a responsabilidade por algo que nao deu certo, parece que rola um certo orgulho em dar um passo a frente, bater no peito e dizer “I take full responsability for this”, nao é raro duas pessoas diferentes quererem se responsabilizar pela mesma cagadatb, tipo o programador dizendo, desculpas, foi cagada minha e qa dizendo, nao, meu teste deveria ter pego isto, etc…
Aqui, a comecar pelo presidente eleito, poucos tem a honra/coragem de assumir erros, incompetencia ou cagadas de subordinados.
O maior problema e a maior benção no Brasil é a falta de verba.
É lógico que ela é ruim, pq prejudica o trabalho final, a qualidade de produção, a atenção aos detalhes (pq falta de verba gera falta de prazo).
Mas talvez por esse mesmo motivo obriga a gente a ser mais criativo, tendo que se virar nos 30 pra resolver o problema do cliente sem gastar muito. Isso exercita a mente pra trabalhar sob pressao e peneirar rapidamente o que é uma idéia boa de uma meia boca. No exterior o povo leva muito mais tempo pra ter idéias no nivel das que os brasileiros tem em brainstormings de 15 minutos.
E sem essa de achar que complexo de vira-lata é exclusividade brasileira (mais uma coisa q a gente acha que é só nossa). Esse ano o reino unido foi mal pra caramba em Press – mal meeesmo – e o que tinha de blogueiro de agencia daqui choramingando, e falando mal do trabalho dos outros países…
Galera, já apaguei 6 comentários políticos. Por favor evitem falar mal do presidente, do ex-presidente, dos partidos, etc. para não ter seu comentário apagado.
Se essa discussão política começar, não termina nunca mais e não é o foco do blog.
Sem querer ser o escroto. Mas depois de ler um post entitulado “A culpa é sua” a galera vem aqui e fala mal do presidente e mete o pau nos outros?
“A culpa é dele!”
haha. Nada contra nem a favor do presidente nem ninguém, só uma constatação engraçada mesmo.
Quando falei do presidente estava me referindo a ele como o reflexo da populacao toda, tanto que usei o termo presidente *eleito*. A culpa é nossa, que fique claro isso.
“antes deu ir pensar” é pra ser “antes de eu ir pensar”?
Fiquei confuso :S
Bem, é aquela coisa, se ganhamos é puro mérito nosso – simplesmente ignoramos os outros.
Agora, se perdemos, é tudo culpa dos outros que tiveram o peito de serem melhores! Absurdo!