Esqueça o discurso. Afinal, todo mundo diz entregar alguma coisa atraente como idéias, criatividade, resultados, interatividade, relacionamento, experiência, etc.
A pergunta é um exercício conceitual.
O que sua agência entrega? Detalhe ou Volume?

A primeira vista, a tendência natural seria responder detalhe. Ou volume com detalhe. Isso porque entendemos volume como algo pejorativo. Mas para uma resposta isenta, não entenda volume como bandejão nem tão pouco falta de qualidade ou de carinho.
Volume é trabalhar pelo ganho de escala. Ganho de escala para garantir a redução de custos.
Quando se trabalha pelo detalhe, não tem o baixo custo garantido, mas tem a cenoura de buscar uma margem maior. Paga-se mais, porém, quanto maior o risco, maior o retorno exigido.
Volume é trabalhar com fórmulas, detalhe é trabalhar sem fórmula.
Então se direção de arte for trabalhar volume, design seria trabalhar detalhe. Ah, e antes que eu receba uma faca perdida na agência, reparem que trabalhar com fórmulas não é o mesmo que trabalhar usando “fórmula pronta”.
E na hora de “entregar idéias”? Este mesmo diretor de arte estaria entregando volume ou detalhe? Seria este o motivo da eterna discussão na definição do publicitário: Vendedor ou artista?

Detalhe não significa ser personalizado, muito menos vender (ou faturar) pouco. Nesta última geração de videogames, enquanto Sony e Microsoft investiram no volume (vender super máquinas pelo preço de um brinquedo), a Nintendo apostou no detalhe com seus controles de ficção científica. Em uma guerra considerada perdida, a Nintendo voltou a ser líder. Com o sucesso, ninguém costuma lembrar que esta escolha foi de alto risco. Valeu a pena, mas poderia ter tirado a empresa do mercado de consoles para sempre.
Mídia
A mídia foi historicamente treinada e cobrada para trabalhar volume. Veja bem, um bom mídia é um bom negociador.
E o que mudou? Mudou que de uns tempos para cá, todo mundo é cobrado para entregar detalhe e volume. Como dizem por aí, uma criação mais estratégica e uma mídia mais criativa.
E a melhor forma de fazer isso é botar os dois para trabalhar juntos. Mídia e criação. Criação e mídia.
Fazer o mídia entender (e aceitar) o que já é vendido no discurso. Que a melhor rentabilidade por mensagens expostas não quer dizer melhor custo por mil. Audiência é importante mas apenas parte da fórmula. Afinidade não é sinônimo de relevância. É preciso saber também qual a melhor forma, local e hora para gerar mobilização.

Criatividade também é importante na escolha de mídia. E por este motivo, hoje a gringolândia aceita nosso modelo (de não ter birôs) como o melhor.
Pra mim, a idéia do birô é errada na essência. Comprar mídia no bandejão apenas para economizar dinheiro fere o conceito básico do planejamento de mídia.
Não dá mais para separar mídia de criação. Lá fora isso aconteceu por um estúpido pensamento de curto prazo. E para minimizar este problema, algumas agências acabaram contratando profissionais de mídia para ajudar no planejamento e criação de suas ações.
Eles podem até chamar isso de work around, mas aqui o nome disso é gambiarra. Gambiarra para tentar minimizar os problemas de um modelo burro que separa a estratégia e criatividade da compra de mídia.
Agora, dito isso, o fato do nosso modelo ser melhor não quer dizer que seja perfeito. A criação trabalha realmente próxima da mídia e vice-versa? Nossos mídias são criativos? Trabalhar dentro do mesmo teto e com o mesmo patrão nos faz trabalhar juntos de verdade?
Não, e por isso que atacar a entrada dos birôs é apenas parte do problema. Pelo andar do IV Congresso Brasileiro de Publicidade, esta questão já está bem encaminhada. E quando esta martelada for dada, a discussão sobre os birôs deixará de ser parte do problema para ser uma fuga da discussão mais importante.
Então, se não temos o impeditivo e o atraso que os birôs proporcionam, precisamos discutir um passo pra frente. Os gringos que se lixem com o problema deles.Podemos e devemos descobrir como aproximar as duas equipes.
Tenho esperança e peço para os nossos líderes, que depois do IV Congresso eles continuem esta iniciativa de enviar textos semanais para as publicações especializadas, trazendo a tona a importância que a discussão merece.

RSS
A questão da gambiarra ném é tão importante no post, mas fala sério, a foto é antiga mas é ótima (clique para ampliar). Olha a cara de espertão do inglês. Será que esse “work around” já é seqüela dos brazucas que foram morar fora?
As outras fotos são parte do trabalho do fotógrafo Chris Jordan, vale a pena conferir o site dele.
Certo, concordo com o posicionamento em questão, mas não parando ai.
Isso ajuda a linkar as outras discussões, desse blog mesmo, sobre diferentes área da comunicação numa agência.
Você é um puta mídia se: entender (noção sobre o assunto mesmo) de planejamento campanha, direção de arte, atendimento, web, etc…
Seja foda em uma coisa e nas outras, pelo menos meia boca.
Perfil real de publicitário para mim é por essa vertente.
Melhor texto do blog, Cava.
Indiquei pra uma galera.
Valeu Vince.
Muito bom o texto, cara, mas essa parte matou a pau: “Com o sucesso, ninguém costuma lembrar que esta escolha foi de alto risco”. Mandou bem.
Cava,
concordo com você, mas concordo discordando cara. Você pode estar falando da sua realidade da sua agência, mas tem nego que trabalha na base do CTRL+C, CTRl+V em planos de mídia, a velha fórmula de comprar a Vejinha e saber que resultado essa porra vai dar, é comprar JN e ver que amanhã seu produto vendou mais no pdv.
Na boa, tem agência que trabalha com um fator chamado BRODAGEM, e que deixa para trás um kilo de veículo du caralho.
Tem nego em agência que nem relatório de Adserver sabe ler, que nego num sabe nem o que é bom para ele. Nego num sabe nem chegar no cálculo de sobreposição no online, nego num chega nem perto de saber calcular a frequência ideal para seu cliente, e sabe pq cara? Pq nego caga pra estratégia do cliente.
Comprar mídia no lance dos birôs de mídia é confiar no taco, comprar blind….quem garante que sua campanha realmente rodou naquele site que vc listou e que a TAG num tá vuando por aí? Tem empresas sérias aqui que fazem direitinho isso…..outras nem tanto.
Ai vem o detalhe do volume……o o usuário resgatado? Tá no target? Tem rescência na visitação proveniente daquela mídia?
A brodagem estraga um longo conceito criativo….tb acho que o criativo devia sentar com o planejador de mídia…e viva o cliente.
fui nem me viu!!!
Tirinha deste site, não resisti:
Minha humilde opinião, (sendo um cara de tecnologia nesse mundo de mídia online), é que “ultra segmentação” é o exemplo do click de R$ 5000 que vende 1 helicóptero, ate vale, ate pode existir mas ninguém compra.
Ou em termos de mídia, segmentar demais não é diminuir a disperção e sim diminuir a quantidade de targets que podem ser atingidos.
Em um mundo de não existir certo ou errado, Acredito que é melhor e mais barato “errar na mosca” com uma porrada a lá “Jornal Nacional” ou Portais, do que buscar micro-mercados tendo um custo de planejamento e produção maior.