
Vira e mexe, em palestras para estudantes, acabo escutando um argumento quase irrefutável.
Aprenda Internet. As agências online estão cheias de vagas abertas que não são preenchidas por falta de capacitação. As agências tradicionais não.
Se o intuito é convencer estudante a aprender mídia online, ótimo. Mas eu tenho uma visão um pouco mais crítica sobre o assunto.
Caramba, será que são estes os caras que deveríamos incentivar? O cara que aprende web por falta de opção não será necessariamente o melhor profissional. Talvez seja justamente aquele que busca sempre o caminho mais fácil.
Já não basta o curso de comunicação ser um refugo comum para pessoas que não queriam ser nada na vida? Que fazem propaganda e marketing por falta de opção, porque todas as outras profissões como engenharia, administração e advocacia eram bem piores.
Nada contra, tem muita gente boa que entrou desta maneira. Mas se a idéia é trazer os melhores estudantes para a web, o argumento deveria ser outro.
Aprenda a trabalhar com Internet porque mesmo nas agências tradicionais já é um diferencial importante. E daqui 5 anos será obrigatório ter este conhecimento em qualquer agência, seja esta online ou não. Isso se ainda existir esta separação.
É o melhor discurso para trazer os melhores estudantes e é também o discurso mais correto, pois a linha entre on e off irá cair assim como está caindo a linha entre above e below.
Precisamos de pessoas que amem a profissão e que busquem aprender porque acreditam que este seja o caminho certo, não o mais fácil.
A mesma coisa quando precisam contratar e me perguntam se eu conheço alguém disponível ou insatisfeito no trampo atual.
Se você quer a melhor equipe, a pergunta deve ser outra: quem é o melhor profissional para a vaga que eu tenho aberta? Se o cara está satisfeito ou não, é só uma questão de cuspe e de jeito.
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16 comentários
Comentários em blogs:
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Pingback on May 16th, 2008
[…] incentivando pessoas a migrarem para a web por falta de profissionais qualificados na área, (obrigado Cava). Vão para a web, lá vocês irão ser contratados porque as agências não têm quem […]

isso se chama, na minha opinião, desespero.
e irá acontecer o que aconteceu com diversas outras áreas (medicina, depois direito, depois propaganda & marekting - e agora dentro da propaganda). as faculdades/cursos irão bombar de alunos querendo fazer, haverá uma super-oferta de profissionais toscos que irão abrir uma concorrência desgraçada.
ok, eu cobro $10k, mas eu sei fazer, agora, o zé mané que não sabe e não conseguiu emprego em nenhum outro lugar, vai fazer por $1k.
e não adianta falar que isso só atinge as agências menores, pois acaba refletindo em todo o mercado.
é isso.
muito obrigado
Um ótimo post realmente!
No brasil vejo que se voce disser que tem vaga pra um mercado a pessoa se enfia de cabeça nele independente se gosta/tem vocação/dom ou não.
Aconteceu isso com com hotelaria…turismo…publicidade…marketing e agora ta convergindo pra web…
Consequencia? um mercado que hoje eh quase segundo plano pode saturar de prostitutas ou micreiros…como acontece hoje em dia com o design…
Mas logicamente que profissionais como nós, que sabemos de fato o que fazemos e temos a mecânica da coisa em mente, não só a prática, iremos respirar…espero…
Mas pode definir melhor a questão do cuspe? hahahahahaa
ABRAÇÃO!
Cavallini concordo plenamente mas infelizmente esse é o mal do mundo moderno. Vi muitos amigos escolhendo profissão pelo teto salarial ao invés de escolher por gosto ou até pelo minúsculo pingo de vocação que as vezes aflora em nós mostrando que direção tomar. A maioria dos estudantes escolhem o caminho mais fácil, basta dar algumas voltas pelas faculdades e ficar atento nas conversas sobre estágio. Acho que sempre devemos aprender coisas novas para nos tornar pessoas mais versáteis e cultas, porém a nossa especialidade tem que ser ligada diretamente a paixão que temos por uma determinada coisa.
Concordo plenamente. Já não basta dentro da própria sala de aula você ouvir um comentário como “não estava afim de ser advogado ou engenheiro e resolvi fazer publicidade”.
É triste por um lado e bom por outro. Gente com esse pensamento não vai longe. Estagna na hora de decidir o foco da carreira. Nessa hora pode muito bem olhar para trás e pensar que poderia ter feito outra coisa. E isso é ruim. O lado bom é que vai ficar quem realmente gosta e busca sempre se aperfeiçoar. Nessa vertente eu acredito e admiro quem consegue focar atualização.
O universitário de publicidade que realmente quer ser um profissional sério deve no mínimo gostar do que faz. Trabalho, pesquisa, trabalho, conteúdo e mais trabalho.
Como diz um professor meu, dinheiro é conseqüência. Tudo bem que ninguém trabalha de graça, mas uma boa dose de dedicação é ótima para qualquer lado da história. Seja para o apredenzido acadêmico ou para o profissional.
O problema é que no mercado digital as agências ainda querem pagar pouco. Já evoluímos bastante, mas ainda tem muito da cultura do “sobrinho” na web. O fato é que a demanda por pessoas realmente competentes é maior do que a oferta, e pra tirar um profissional competente e satisfeito de um lugar, tem que pagar.
Cava, pode parecer piegas o que vou dizer, mas sua profissão é a maneira escolhida para fazer o mundo melhor. No nosso caso mais fácil, pois ser ético como publicitário já é uma baita janela.
Concordo com o que você disse e vou além, aos meus olhos o bom profissional de comunicação do futuro tem que entender de gente [então as faculdades mais indicadas seriam Socio, Filo, Psico……], e complemento ainda que o bom profissional tem que manjar de mídia, negócio [business], internet, economia, mercado, e algumas horas de estudo depois que sair da faculdade…. isso, aprender sempre.
Cezinha. Eu adoro acreditar que estou fazendo um mundo melhor. Mas esta vaga ja nao foi ocupada pelos medicos e prostitutas?
E sobre entender do ser humano. Por esta logica, medicos, advogados e arquitetos tb deveriam se formar em psicologia e educacao fisica.
O que eu quero dizer é que a nossa profissao hoje esta muito mais complexa e tecnica que antigamente. O que eu acho é que os cursos deveriam se adaptar pra nova realidade (tanto em humanas como exatas).
Isso nao é exclusividade de comunicacao. Por exemplo, acho o cumulo os profissionais de arquitetura se formarem sem nenhum conhecimento de projetos ou metodologias como PMI.
A profissão que visa deixar o mundo melhor é a prostituição, sem dúvida, rsrsrsrs.
Quanto ao profissional de comunicação ter que entender de gente, penso que isso é básico pois, qual a função da comunicação se não motivar… gente a fazer alguma coisa?
É claro que temos muitos criativos artistas modernos (não que eles não devam ser artistas.. porque se um chucro pudesse ser designer, eu me daria bem também nessa área), mas a principal função da peça é vender algo, se criamos alguma coisa extremamente bonita, mas que não vende nada.. colocamos numa galeria, não em uma peça de comunicação. A função deles é justamente juntar os dois.
É isso.
Obrigado
A linha entre on e off deve ser extinta pelas boas iniciativas e percepções dos novos e velhos profissionais do mercado.
As agências que hoje se denominam “on”, estão agregando missões off, e vice e versa. Isso não é mais tendência, é um fato !!!
Abs,
Gabriel
Um fato que ainda é isolado mas que esta se alastrando não seria uma tendencia?
Cava, para algumas empresas é tendência, para outras, já não mais… ( é o q eu penso )
O mercado brasileiro, ou melhor, o “mundo digital” no Brasil esta muito confuso, muita gente querendo fazer “online” mesmo sem saber o que é, e muita gente querendo fazer “offline” com algum tipo de novidade, que não vemos por aqui á muito tempo.
Esta infernal “novidade” sobre: “vamos lá, vamos fazer internet, é o futuro”, então, como aprendemos algo que ninguém entende? Minha mãe por exemplo acha que eu trabalho com informática (mesmo sabendo usar a internet, que pra ela se restringe a e-mails e acessar algum portal de notícias), ainda vivemos uma realidade muito distante do que acreditamos e talvez por isso todos gostam de falar sobre o assunto, mas ninguém sabe explicar pra que serve esta coisa de “INTERNET”, isso me leva a pensar “será que os cursos são realmente bons ou só existem picaretas dando aulas e pior, apenas ganhando pra enrolar”.
O mercado esta cheio de péssimos profissionais (se é que podemos chamar de profissionais), talvez por que as faculdades são picaretas (cursos relacionados a internet), professores picaretas, alunos picaretas, isso não eu não sei, de uma coisa eu tenho certeza, estive procurando um diretor de arte e um assistente, levei quase dois meses pra achar alguém, detalhe, olhei mais de 40 portifólios, isso só me leva a pensar que: todo mundo foi embora do Brasil e os caras bons que ficaram estão muito bem empregados, e as faculdades não formam profissionais e sim alunos que ficam perdidos sem saber o que fazer e como fazer.
Se os bons estao muito bem empregados, imagino que os beneficios e condicoes de trabalho nao sejam suficiente pra tira-lo da concorrente. hummmmm. Ja tentou os 300% ?
Parabéns, gostei da sua opinião sobre o assunto e é preciso que os jovens estejam voltados para uma profissão que realmente gostem de atuar e não por falta de opção.
Ricardo, concordo plenamente com as suas colocações. Esse desespero que se forma no mercado de trabalho é um absurdo e sem falar na gama de péssimos profissionais que vão se formando ao longo do tempo. Por isso ao meu ver em qualquer profissão é necessário ser diferenciado e um dos problemas grandes das empresas hoje é não conseguir identificar isso durante um processo de seleção. Não generalizando, mas existem várias empresas que sequer pedem um portifólio ao candidato, mesmo que ele não tenha experiência, é desejável saber qual o seu estilo de criação, sua visão sobre alguns assuntos, realização de alguns testes práticos e saber também o porque ele decidiu seguir na área.
Acredito que tudo isso forma uma bola de neve, com profissionais nem tão qualificados e empresas nem tanto qualificadas a contratar um talento.
Pode até parecer uma viagem minha, mas comparo essa situação mais ou menos a situação de globalização brasileira, onde o Brasil a décadas atrás nem era sequer totalmente industrializado e de repente veio o “bum” da globalização, atropelando todos os passos naturais de desenvolvimento sustentável.
Parabéns pelo POST !
http://www.marketingbyme.blogspot.com