Eu morava em Nova York, terminando meu curso de mestrado, mas já trabalhando como frila em uma agência de propaganda no departamento de internet. Com a proximidade do fim do curso, me propuseram contratação. Ponderei os prós e contras de ficar nos Estados Unidos por tempo indeterminado, contratado por uma grande agência, mas pensei na seguinte estratégia: “Isso é o futuro. Todo mundo vai usar internet. Volto para o Brasil agora com um conhecimento que praticamente ninguém tem e quando este mercado estiver forte, estarei muito bem posicionado”. Não posso dizer que a estratégia deu errado, mas a questão foi o quanto tempo ela levou. O ano era 1996 e estava certo de que em um par de anos tudo já teria acontecido. 12 anos depois, temos um mercado totalmente diferente, mas acho que em termos de grana não estamos nem engatinhando ainda. Ou seja, ainda não aconteceu.
Uns 6 meses depois de voltar para o Brasil, resolvi largar meu emprego de diretor de criação da MediaLab (quem sabe do que estou falando pode se considerar VELHO) para abrir a 10’Minutos, Arquitetura de Informação. Achei que a agência ia decolar, mas ninguém ao telefone sabia a diferença entre Net (TV a cabo) e Internet, e 2 anos depois entramos em hibernação por falta de grana.
Quando saí da DM9 em 2001, resolvi reabrir a 10’Minutos, acreditando que o mercado agora já estava maduro e o mercado de mídia online iria arrebentar e que as agências tradicionais estariam mortas em muito pouco tempo. Seis anos depois, temos 4% de investimento publicitário em online, na média e as agências ainda estão vivas. Errei na previsão? Acho que não. Errei no timing disso acontecer: claro.
Olhando para trás e connecting the dots, como gosta de fazer nosso amigo Steve Jobs, tenho a tranqüilidade de pensar que venho tomando os passos corretos, mas a questão é que costumo errar (cada vez menos, pelo menos) em saber quanto tempo o futuro demora pra chegar, uma vez que ele é vislumbrado.
Saber o que vai acontecer é uma coisa importante, mas até bastante comoditizada. Difícil é saber vislumbrar com maior precisão quando as coisas vão acontecer.
Ou seja, connecting the dots é simples. Foda é saber desenhar. ![]()
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MediaLab, a concorrente da Kropki, ou melhor, da antecessora Hipermidia… acabei de notar que sou velho.
Tempos em que site de banco tinha dicas de cinema.
Todos os pontos ligam apenas em michel lent?
Poxa, eu sei desenhar mais ou menos:
http://www.fernandocordeiro.deviantart.com
hahahahaha XD~~~
Mas pro meu comentario não ficar tosco demais, te digo que aqui no interior de SP onde moro e atuo como DesignerWeb e Ai em uma agência digital, as empresas aqui ainda estão na época citada no texto, onde não conseguem diferenciar tv a cabo de internet…
Se vocês [cava e lent] estão na capital, ergam as mãos pro céu! =)
É uma dureza sem fim…
O que mais me aperreia é pensar: Como me virar até o futuro chegar, hahaha, ou não…
ABRAÇOS!
ô Fernando, demorô. Compra uma passagem de onibus pra Sunpaulu ou venha pra cidade mostrar a pasta e trabalhe a distancia. Facil nao é nem ai nem aqui. Acha alguma tia prima distante e se instala na casa dela.
Fernando, na minha cidade natal, Catanduva, deve ter de dez a quinze agências de comunicação (detalhe: a cidade não tem nem cem mil habitantes). Tá bem saturada e o resultado são trabalhos ou de baixa qualidade ou de qualidade boa cobrados a preço de banana.
Nenhuma trabalha só digital, até onde eu sei (pois faz tempo que não vou pra lá), as que tentaram partiram rapidinho pro off-line também pra segurar a bronca.
Não sei explicar, mas acho que bate com o texto do Michel: uma hora o mercado vai melhorar, a gente não sabe prever quando.
Saber o que vai acontecer, ok… quando vai, mais difícil, mas ok… agora difícil mesmo é saber fazer acontecer.
Não é só questão de competências - muitos interesses estão em jogo e qualquer revolução passa por saber fazer política.
Abs
Boas falas do passado, lembro da Midia Lab, que depois mudou para MLab, dei um curso de Flash 3 la na epoca. Lembro desta historia, ao menos na parte onde voce no Brasil abriu a 10 minutos.
De certa forma fico aliviado em saber que a dificuldade de comunicacao nao e so minha, tenho me dedicado a fazer decolar uma agencia especializada em buzz marketing e sofremos com a sindrome do “Ah entendi, voces fazem site nè?” mas acredito que como voce ressaltou no texto, eu esteja errando no timming e pode ser que um ajuste na minha estrategia seja uma boa solucao, obrigado.
Na verdade nunca soube porque voce havia deixado a 10 minutos em “banho maria”, lembro daquela epoca que havia a 10 minutos a Canvas e das grandas se nao me engano a Midia Lab era uma das maiores. Ah tinha tambem a Refazanda, fazia um sucesso danado, alias naquele tempo tudo fazia muito sucesso no tocante a web, dinheiro mesmo ainda era dispersso mas dava para defender algum.
Acompanho as precisões do Michel Lent faz algum tempo.
Interior é complicado mesmo.
Michel,
Como você, Cava, Jampa, Cesinha e mais alguns ‘desbravadores’ da Internet BR, sinto a mesma coisa: Que vai acontecer, é fato - mas quando?
De toda forma, hoje tivemos uma boa notícia: Segundo o Intermeios, os investimentos em Internet no 1º tri de 2008 foram maiores que os em TV Paga. Ou seja, Internet teve uma fatia do bolo publicitário (3,25%) maior que TV Paga (2,84%).
Considero histórico - por ser a primeira vez que o meio passa à frente - e absolutamente relevante, porque no 1º tri já chegamos bem perto da projeção do IAB, que diz que ao final deste ano, 3,5% dos investimentos publicitários vão para digital.
Aguardemos, pois, as cenas dos próximos capítulos
Ale,
o Michel, o Jampa e o Cezinha eu nao tenho certeza, mas EU voce nao come nao!
E respondendo a sua pergunta. Acho o “quando” muito relativo. Apesar do meu historico forte em web, tambem investi boa parte da minha carreira em outras disciplinas. Eu ja tenho retorno por isso. Digital esta crescendo e eu só tenho a ganhar com isso.
A duvida é por quanto tempo vai durar a linha entre on e off. Se cair rapido, quem investiu somente em web talvez continue a margem de onde passa a maior parte da grana do mercado.
Ótimo post Michel.
O que esperamos é que a coisa mude logo de uma vez, que o hábito seja criado para que certas campanhas saiam da prancheta e funcionem da maneira esperada.
Abraço.
Ale, o único que nunca comeu o Cava.