Prática comum do mercado, agências tradicionais sempre pediram apoio para agências online em concorrências. Para a campanha não ficar perneta, a online colaborava resolvendo parte do briefing e dando um certo brilho na apresentação.
A novidade do momento é ver o movimento inverso. Já tem agência tradicional ajudando agência online a ganhar concorrência.
Por enquanto parece que a ajuda tem sido no planejamento. Quem acompanha o blog lembra que eu já disse que estratégia não era exatamente o forte das digitais.
Outro detalhe importante é que, pelo menos por enquanto, as concorrências são com anunciantes menores, geralmente empresas nacionais com verba de comunicação anual de cinco ou seis milhões. Valores relevantes para as tradicionais mas vistas como pote de ouro para as digitais.
Para estas contas, o digital já pode ser visto como mais relevante que o offline. E neste caso, não importa se a agência esta sendo visionária ou esperta em ser o primeira a ter percebido isso.
Será que as digitais vão invadir a praia das tradicionais?
Mistura sua laia
Ou foge da raia
Agora nós vamos invadir sua praia
Agora se você vai se incomodar
Então é melhor se mudar
Se a gente acostumar a gente vai ficar
A gente tá querendo variar
E a sua praia vem bem a calhar
Não precisa ficar nervoso
Pode ser que você ache gostoso
Ficar em companhia tão saudável
Pode até lhe ser bastante recomendável
E se ao invés de ser praticada isoladamente por agências, a tática for utilizada por algum grupo? Seria uma maneira de olhar para a verba de comunicação do cliente de maneira integrada? Seria uma estratégia para começar a entregar na prática o que o mercado já entrega no discurso?
Um grupo começar testando este modelo em uma agência nova e com contas menores seria interessante. Primeiro pelo baixo risco para as agências já bem estabelecidas. Segundo porque contas de comunicação aparentemente “pequenas” podem ser “enormes” para agências digitais. E terceiro porque, para o anunciante, cujo custo inicial da mídia de massa é alto, seria ótimo poder contar com alguém que entenda do universo digital e mídias alternativas sem os vícios, travas e dependências de uma agência tradicional.
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17 comentários
Hello, can you help me?
Sinal dos tempos, Cava?
Será por conta de sua agilidade / flexibilidade que as digitais conseguem, neste caso, sair na frente?
Chegou o momento em que – finalmente – começamos a entender que o digital tem muito o que aprender (sem que isso signifique deixar de ensinar) com os “velhacos”?
Enfim, muitas perguntas e (quase) nenhuma resposta.
Acho que em parte, há um claro desconhecimento das agências em lidar com o mundo digital (ainda), enquanto alguns clientes já sabem melhor do que as agências o que querem no universo digital. Por outro lado, os planejadores das agências parecem melhor preparados hoje do que a própria criação e mídia para lidar com universos onde digital e não-digital passam a não fazer sentido.
Digo isso por observação, não é uma pesquisa empírica e, claro, há exceções.
Gostei do Ultraje! Quando quiser ir no show me avisa, o Azedo (drummer do Comodoro) é roadie dos caras.
Acho que os planejadores que mantiverem o foco de seu trabalho no universo das idéias terão sempre espaço em concorrências on, off e, sobretudo, vão cagar pra essa divisão…
Concordo com o Ken…
Divisão que, na boa, nem sei porque existe
Ken, concordo que é o mais importante, mas a atualizacao tambem é necessaria.
E Ale, todo mundo concorda com vc, desde do publicitario mais tradicional ate o mais inovador. No discurso sao todos iguais.
Mestres,
minha opinião.
Os clientes começam a saber mais de online do que as agências por uma única razão. para os clientes, online é muito interessante (tão interessante quanto as tradicionais), para as agências tradicionais, não. Como no fundo, a maioria das agências tradicionais detém uma parte das online, essa mentalidade se espalha (e só agora começa a mudar).
O cara que é de planejamento, e é um bom planejamento, não se preocupa tanto com o meio que irá passar a mensagem, ele se preocupa com o que é mais importante (o consumidor). E, se a melhor forma de falar com esse cara é através de mídia online, ou off-line, ele só vai descobrir durante o planejamento (e na verdade pra ele não importa tanto, ele irá se desenvolver em qualquer um dos meios).
obrigado
tomás
Olá Ricardo, bom conhecer seu blógui.
Também percebo a tendência do movimento contrário – agências offline ajudando onlines a ganhar concorrências.
Infelizmente a maioria das brasileiras parece caminhar pelo caminho da separação das disciplinas e não da integração.
Sim, há exceções. Uma é a Hello Interactive, que recentemente conquistou todo o “Pote de Ouro” de OdontoPrev vencendo a Publicis na final e outras agências mais tradicionais na 1ª fase.
Fui convidado para colaborar neste projeto como criador “off”, mas na prática toda a equipe trabalhou junto, trocando idéias, referências, casos, planejando etc.
(Pessoalmente, não vejo mais qualquer diferença entre off e on)
Agora, acho que melhor do que agências trocarem tapinhas brilhantes em apresentações de concorrências seria incorporar mais diversidade aos times.
Se as off já incorporaram muitos profissionais on, porque não vice-versa?
É sempre bom lembrar que depois de ganhar a concorrência, tem que entregar…
A linguagem online é chutada por muitos e dominada por poucos. Tá, o importante é a idéia, mas se não for expressada da maneira certa com o target ela não funciona de nada. Não adianta uma agência tradicional fazer um puta planejamento foda e não conseguir falar a mesma língua com a agência digital para que o projeto seja o que foi planejado. O que falta são profissionais que consigam ter, ou mesmo traduzir, uma boa idéia para a linguagem da web de maneira correta e que traga retorno. Acredito eu, que o mercado pede dessa nova geração esse domínio das novas mídias. Todo e qualquer profissional que trabalha com comunicação tem que entender do meio para que sejam criadas coisas maravilhosas, pertinentes, coerentes e que, principalmente, deixem o cliente feliz.
srs, bom dia.
eu tenho um pensamento “antigo-atual” em relação a isso (falando especificamente dos profissionais).
acredito que o mais importante não é o meio (on ou off) e sim o resultado que se quer atingir: o consumidor. para atingir esse consumidor, é preciso evoluir como ele evoluí. da mídia off para a on, e de volta para a off, e as duas juntas, e uma de cabeça pra baixo……. o profissional precisa evoluir com o mercado, mas penso que estamos INvoluindo, discutindo coisas que não são as mais relevantes.
eu vejo essa discussão muito como uma disputa de egos entre profissionais e agências que se esquecem de que o mais importante em tudo isso é o consumidor. é fazer com que ele receba a mensagem e intereaja com ela, chegando ao resultado final que nós queremos. o meio não é o mais importante, o consumidor que é.
é claro que toda a discussão das melhores práticas on e off-line, de como melhorá-las é essencial, mas é essencial pois ela irá melhorar a forma como interagimos com o consumidor.
obrigado
Tomas, eu concordo que a discussao comeca a ficar inutil. Eu mesmo acho esse tema de “acordar pra vida” bem chato ha um bom tempo.
Por isso que o texto se manteve no ambito de empresas (e nao profissionais). (assim como este post aqui)
Claro que nao da pra separar uma coisa da outra, principalmente pq a maioria que le o blog pensa em si proprio e nao na empresa que trabalha, mas o texto acima é pretensiosamente voltado para socios e gestores.
entendi. concordo plenamente contigo.
pra mim o raciocínio é bem simples (por favor, não estou dizendo que a discussão é inútil, pelo contrário, adoro o tema e quero discutí-lo sempre, mas me afastando e olhando de longe, penso o seguinte).
# empresários: estão preocupados com a rentabilidade do negócio, por isso não investem em desenvolvimento, treinamento, etc para entrar de fato no mundo online. começam a fazê-lo agora pois perceberam que, se não fizerem, se f**** estrupicam.
# profissionais: é muito mais fácil seguir o ritmo (tirando os profissionais diferenciados, como os que discutem, se expõe, acertam e erram) e continuar na off-line, já conhecida e mais “fácil” e também, de quebra, puxam o saco dos chefes (empresários) que só querem rentabilidade.
é meio radical (e claro, por favor, eu vejo a grande maioria assim, mas existem sim muitas diferenças).
é isso. muito obrigado mais uma vez.
aham, age comprada pelo isobar e somada a click. olha a praia invadida ai.
Caros… essa discussão já é velha e parece que vem direto do “Túnel do Tempo” como diria a Cissa Guimarães quando era “garota que quebrava coco, mas não arrebentava a sapucaia”… Já vivi o lado de agência digital, tradicional, de portal e agora de cliente… e o que o cliente quer, de verdade, é ver sua estratégia chegar até o público-alvo, independente do fornecedor e do meio que é utilizado. Se os tradicionais precisam aprender com os digitais ou vice-versa, o que resta, no final, é que ambos entendam o que o cliente quer (mesmo que ele não saiba se expressar) e vai sobressair quem entender primeiro.
Pimenta, voce esta sendo repetitivo, todos concordam que esta discussao é velha e chata. O post trata de outro assunto, esse sim novo. Voce esta falando sobre o motivo, eu estou falando sobre a consequencia disso para as agencias.
O discurso do cliente sempre foi igual, ele quer resultado.
Agora, to devendo um post pra falar sobre anunciantes. Eu ja fiz alguns, um inclusive dizendo que é o anunciante que fomenta a evolucao. Mesmo assim, é muito facil cobrar agencias quando a estrutura deles permanece igual a decadas. E’ muito facil cobrar ousadia mas nao aceitar dividir riscos.
[...] um momento de discussões acaloradas sobre a integração on-off da comunicação com os consumidores, bem como a criação de movimentos culturais em torno das [...]