A resistência está acabando?


Este texto começou como um comentário em outro post. Resolvi “oficializar” porque uma opinião que dei em março de 2007 acabou ficando datada.

Na época, falei sobre o principal motivo da resistência ao meio Internet dentro das agências tradicionais:

Não é por medo, nem ignorância como bradam alguns. É porque evoluir significa dar um tiro no joelho (lucratividade).

Antes de continuar vou fazer duas observações. Primeira: evolução não significa tirar grana de um meio e botar no outro, mas ter inteligência e neutralidade na escolha.

Segunda: não custa avisar que termos genéricos que costumo usar no blog como “mercado” ou “agências” não indicam que eu vejo todo mundo como uma entidade unicelular. O mercado é um baita grayscale composto por todo tipo, tamanho, sabor e cheiro de pessoas e empresas. Mesmo assim, é possível definir um norte e até uma certa uniformidade em alguns assuntos.

E voltando ao assunto, o que mudou?
Mudou que alguns anunciantes – querendo a agência ou não – aumentaram muito o que investem em web. Aumentar muito quer dizer crescer bem além da média medida pelo Intermeios ou Ibope. Média que já é alta em relação aos outros meios.

Grandes anunciantes destinando quatro, seis, oito milhões ou mais em web deixou de ser raridade. O montante que parece desprezível diante de verbas de 50 ou 100 milhões, é maior que a verba total de comunicação de muitos clientes nestas mesmas agências que gerenciam as grandes contas.

Três ou quatro clientes movimentando verbas deste porte dentro da mesma agência muda o cenário que desenhei ano passado.

Neste caso, a discussão deixa de ser “tirar da TV e botar na web” ou “tirar do que é lucrativo para botar no que é menos lucrativo” para ser “perder faturamento para outra agência” ou “abrir a porta para outra agência roubar a conta toda”.

E mais, poucos milhões pode ser merda pra você, mas anunciantes hoje contam centavos. Ter resistência descabida por algum meio não atende a necessidade do cliente. E fazer isso é muito mais arriscado do que perder “algum” dinheiro.

11 comentários

  1. Olá Ricardo,

    Este post é totalmente relevante e alinhado com o que penso a respeito. As agências começam a ser incomodadas pelos próprios clientes. Elas começam a ter que sair da zona de conforto, sentadas em um trono recebendo as “verbas de mídia”, e os famosos “BV’s”.

    O que me deixa indignado é que os grandes veículos de comunicação da Internet, seguem o mesmo modelo “burro”do off-line. Hoje, os grandes portais estão com problemas de “saturação de suas audiências”.

    Se mais anunciantes dobrarem suas verbas destinadas para a Internet, os grandes Portais terão um grande problema, rs., o inventário. Com isso, começo a ver os sites regionais, os sites verticais como a bola da vez.

    As Agências por sua vez, preocupam-se com o volume de trabalho, não querem fazer campanhas na Internet, porque é complexo, o controle das métricas etc….As Agências estão cada vez mais preocupadas em não perder dinheiro do anunciante, criam estruturas de “especialistas em novas mídias e plataformas” internamente (vão errar como em 2000 quando todas correram para ter estruturas próprias de produção web), conclusão, depois de algum tempo: uma enxurrada de demitidos!

    Parabéns ao consumidor e aos nossos clientes! Eles estão promovendo uma verdadeira revolução na forma que fazemos Publicidade e Propagada!

  2. TheSoulSurfer says:

    Vamos voltar ao basico…Agencias de propaganda sao responsaveis pela comunicacao do cliente… se pra vender um produto ou servico sera necessario tv, print, radio e entrar no meio on line, mobile e os cambau que entrem… apenas estarao cumprindo a missao de se resolver o problema do cliente.

    Nao da pra deixar TV, print e radio em uma agencia e novas midias em outra… cedo ou tarde uma vai roubar a conta da outra… nao eh legal deixar essa brecha.

    quem eh bao “agencia” tudo… e se nao sabe executar a producao, “agencia” os melhores do mercado nas respectivas areas especificas.

    e no final passa a conta pro cliente pagar.

    eh uma visao tosca? eh… mas eu prefiro tentar enxergar o obvio.

  3. Olá Cavallini,
    Acredito que as agências, por fim, enxergaram a necessidade de contar uma história para o produto do cliente, através da internet. Foi-se o tempo que bastava adaptar algo das mídias tradicionais para a internet.
    O ponto principal nesta “nova” abordagem é o dinheiro! Basta falar em dinheiro, que todo mundo começa a reorganizar tudo. afinal de contas, ninguém quer perder os grandes da carteira.
    Um abraço,

  4. Cava,

    A resistência de quem está acabando? Dos anunciantes pode até ser, mas das agências? Sei não…

    O descompasso é – como já falei pra você várias vezes – enorme.

    E, volto a insistir: Como se sentem as agências quando o anunciante chega e pede/obriga a inclusão da web no planejamento da campanha, coisa que, IMHO, deveria partir da própria agência?

  5. cava says:

    Ale, como eu disse, tem um baita grayscale. Na minha opiniao, tem agencia cujo momento é melhor descrito pelo post de março e outras cujo momento é melhor descrito por este post. O meu ponto é o norte, gostando ou nao, a resitencia acaba quando vale a pena. E’ o tal do estupra mas nao mata ou relaxa e goza.

  6. [...] Se investíssemos os mesmos vários centavos em midias tradicionais, iríamos atingir praticamente o mesmo público de sempre (eu disse praticamente). Então, qual o problema de atingí-los com menos impacto para utilizarmos alguns centavos em uma mídia dinâmica, participativa e ágil (pergunte-me como) levando em consideração que corremos o belo risco de atingirmos o público tradicional e, muito além, acertarmos headshots em novos malucos com pré-disposições incendiárias aliviando-os de tensões mundanas com bons conteúdos educativos e realmente prazeirosos, a mobilidade dos ramos de investimentos torna-se factível (para não dizer lógico) em todos os aspectos sócio-econõmicos e culturais. No fim, será que já podemos constatar que a resistência acabará? [...]

  7. michel lent says:

    “abrir a brecha” é realmente o principal perigo pra mim. ehem, no meu caso, a principal oportunidade :)

    sim, muito cliente conta centavos mesmo e não quer mais saber de onde vem a solução, ele quer é a melhor solução.

    e uma vez que você abre uma porta, seja ela qual for (digital, promo, PDV, eventos) e senta na mesma mesa com os decisores, está dada a largada e que vença o melhor. ou a melhor solução.

  8. Robson says:

    Eu acredito sim no fim da publicidade como conhecemos, acredito que a publicidade vai perder muito da sua força atual, pois a web é uma anarquia, você vê o que quer quando quer, aonde quer, muito diferente da TV.

    Essa dificuldade das agência tradicionais em não largar o osso é realmente coisa de cão com rabujo. Essas agências que nada acrescentam para a sociedade estão com medo de desaparecer, pois lutam e relutam em entrar na era da internet, dificultam tudo e estão lutando para destruir a web como ela é, eles já são o passado, assim como aquelas agências que choraram o fim da publicidade para cigarros, agora eles choram pois estão vendo um mundo sem alicerce desmoronar.

    É o fim dos tempos.

  9. cava says:

    Robson, acho sua visao romantica e ingenua.

  10. Se você acha, logo não tem certeza. Se não tem certeza, não pode afirmar nada.

    Ingênuo? Eu?

    Veja bem, eu não acho nada, tenho certeza e firmeza no que que falo, estou longe de ser ingênuo.

  11. cava says:

    Robson, querido. Brincando com as palavras? Que coisa mais meiga. Voce realmente tem certeza que as agencias estao lutando para destruir a web como ela é? Tem certeza que é o fim dos tempos? Faz assim, vai divulgar o apocalipse e as agencias como a causa de todo mal para alguem que queira te escutar.

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