Que eu não sou normal os mais próximos já sabem, mas trago aqui uma pequena prova (clique para ampliar). Quando bebê, só tinha cabelo em cima, quase nada dos lados. Um moicano alguns anos antes do movimento punk copiar o corte secular. Em duas décadas e alguns carnavais depois a coisa se inverteu. Bastante dos lados, sertão em cima. O punk virou bozo.
Fazendo um paralelo a esta inversão, há 3 anos escrevi O Marketing Depois de Amanhã, falando sobre tecnologias que iriam influenciar a propaganda e o marketing. Apesar de muito bem aceito, era comum ter pessoas me indagando se as tecnologias citadas realmente teriam relação com o nosso mercado algum dia.
Este ano, na primeira publicação do M&M do ano, eu defendi a idéia de que 2008 seria o ano da Internet. Não que eu não defenda o meio desde 95, mas dizer que celular ainda precisava tomar muito Nescau e que seria a velha web a estrela, era no mínimo estranho para um mercado que agora cultua as tecnologias que detalhei no livro.
Semana passada no M&M, o Antonio Fadiga descreveu sua impressão sobre a última NAB. Ele considera que agora nossos planos de comunicação ficaram desatualizados. Aponta o celular, os jogos, a propaganda contextual, serviços baseados em localização como algumas das razões.
Praticamente citou alguns dos capítulos do livro que escrevi em 2005. Veja bem, não que o livro tenha errado na previsão, já que a idéia era mostrar as tecnologias que fariam a diferença nos próximos 10 anos, mas mostra que o mercado não quer, não consegue, ou não enxerga a necessidade de se preparar para as mudanças.
Esquecendo o blá blá blá acima, a triste história sobre o meu cabelo e a terrível sunga do meu pai, o que importa não é se o celular vai pegar este ano ou o ano que vem. O que importa é a velocidade e o rumo das coisas, descritos no meu livro e alertados no texto do Fadiga. Três anos podem parecer uma eternidade nos dias de hoje, mas a maioria das agências leva mais que isso para mudar de rumo.
O texto do M&M também é importante por outro motivo. Fadiga é CEO da Fischer América, 15ª colocada no ranking das maiores agências do Brasil. Sua preocupação, assim como a presença do Golden Boy em sua agência, são duas amostras da atenção das gigantes.
Como um elefante, as grandes são lentas mas tem força em seu movimento. A Fischer é apenas um exemplo. Talvez a Fischer nem seja um exemplo, talvez só tenha discurso, o que importa é que as grandes estão sim atentas a mudança. Mudança que ocorreu e continua acontecendo. E a hora que um gigante resolve se movimentar, tem grana pra contratar seus golden boys.
Se você é gestor, sua agência não faz parte das top 10 e não aproveitou os últimos 5 anos enquanto as grandes ainda estavam dormentes, perdeu uma enorme oportunidade. Hoje você poderia ser a Crispin brasileira. Agora não adianta chorar. Por favor, fique quietinho e se conforme com o seu lugar no fundo da fila.

18 comentários
CORREÇÃO! FRALDA com L, ainda não sou pai para entender desse mercado.
Felipinho, nao esqueça que eu posso subir fotos neste blog.
quando a gente vira pai deixa de ser analfabeto funcional?
hahhaha pode falar que eu copiei o corte, mas frauda rosa eu nunca usei
A luta continua, companheiro!
Independe do seu empregador, está muito mais relacionado a acreditar em algo e ao que o Alon mencionou no post sobre "satisfação no trabalho" (que aliás eu não comentei).
Beijos molhados.
Devíamos criar um personagem de HQ para o Golden Boy, aquele cara lá do Mário podia bem que fazer uma tirinha.
Adorei sua sunguinha rosa, anarco-mister-cava-punk.
Cava, sabe o que é bizarro?
Ter lido seu bloig há muito tempo e não ter me tocado que você trabalha comigo!!!
Muito bom o post! Sou suspeito por falar pois sou mais um entusiasta do mobile!
Cava….
Já li seu livro faz quase 2 anos e sempre concordei com você. Se o timing dos acontecimentos está correto ou não, isso é o de menos.
O que mais importa é que as coisas estão mudando, mais rápido do que todos imaginamos e podemos prever. Sei que os grandes ou as grandes ditam este rumo, mas posso afirmar que quando alguns pararem para ver o que aconteceu já será tarde.
Sendo devagar ou não, quem não se atualizar não irá durar muito. Acho que principalmente a cabeça precisa mudar e rápido.
Vale aqui um aprendizado, vi isso no slideshare e achei do cacete.
(porra Cava libera hiperlink).
Abraços
Cava
Fralda rosa. Bem que imaginei alguma origem freudiana nisso.
No seu caso, o telhado não é de vidro, mas que está descoberto, isso está…
Quanto ao tema do post em si : como ainda tem gente descobrindo o Cluetrain, não vou me surpreender se daqui a alguns anos alguém vier me falar com a maior cara lavada que descobriu uma nova tecnologia fabulosa : o Instant Messenger…
Abraços
adiron, nao precisa ir longe, vc ja conhece alguem assim, olha meu relato aqui, vc conhece a pessoa
cava, eu acho que já foi por ignorância, mas hoje acho que as grandes não mudam não é mais por falta de visão. é por falta de grana mesmo. falta de grana no digital. enterrar um negócio de milhões por outro que dá 10 vezes mais trabalho e 100 vezes menos dinheiro só para não ficar parado pode ser mais burro do que ficar parado e não mudar. porque o fato é que o negócio 'tradicional' ainda dá muita grana e a questão é que não se sabe bem ainda por quanto tempo. mas enquanto a grana rola, pra que mudar?
temos um montão de coisas para ensinar para esses caras sobre o digital, mas devíamos tentar aprender um pouco sobre como fazer grana. os caras são mestres no assunto…
Entao michel, eu falei sobre isso em um dos primeiros posts do blog:
Mas acho que hoje ja tem muita agencia que vive um momento posterior a isso. Um momento onde os anunciantes (querendo a agencia ou nao) ja colocam uma verba consideravel em web.
Tem cliente hoje que bota 4, 6, 8 milhoes ou mais em web. Seis milhoes é pouco pra agencias que tem contas de 100 milhoes?
Nao é, hoje todo mundo conta centavos. A mesma agencia que tem um cliente de 100 milhoes tambem tem clientes de 2 milhoes.
Ainda mais se pensar que falamos de um unico cliente e mais importante, que esse valor representa um movimento que atingir muitos clientes e se intensificar.
A discussao deixa de ser "tirar da tv e botar na web" ou "tirar do que é lucrativo para botar no que é menos lucrativo".
A discussao passa a ser "perder faturamento para outra agencia" ou "abrir a porta para outra agencia roubar a conta toda".
E mais, passa a ser atender o cliente direito, pq isso é anterior a escolher a midia, o meio. A ideia vem (ou deveria vir) acima (ou abaixo) disso tudo.
O que eu disse em relacao a grana é que as grandes têm dinheiro pra investir na mudanca.
Acho que todo mundo pode ensinar e aprender nessa historia. Isso vai alem saber de ganhar grana, eu falei um pouco sobre isso neste post aqui.
Wilson, isso ae. Demorei pra aprovar pq tinha caido como spam, nao sei pq. Eu nao tenho opcao pra deixar vcs botarem hyperlink (pelo menos nao achei). Eu boto na mao e funciona, mas acho que pq eu sou admin do blog. Ja editei seu comment pra botar o link.
Transferi a discussao acima para um post
Bacana ter visto a foto. Quer dizer entao que ja teve uma fase na sua vida onde voce era um carinha legal.
Cava,
Já comentei contigo minha visão – que é bem parecida com a do Michel.
Existe um certo "paradoxo": Mídia online ainda é percebida como "barata" (o que não quer dizer que de fato seja);
Essa percepção cria o seguinte círculo vicioso:
O cliente pede para incluir web no plano > a agência acata mas coloca pouca verba > mesmo com pouca verba, o trabalho é grande e a remuneração é pouca > como a remuneração é pouca, a agência não coloca voluntariamente web no plano até que … (volte ao início do ciclo)
O trabalho, ao menos junto às agências, deveria ser de mostrar que web bem feita requer grana, o que – em última análise – significa mais retorno: financeiro para a agência e branding e/ou vendas para o anunciante.
Faz sentido?
se cada centavo conta e enterrar vários deles não é legal, como colocar centavos onde não há nenhum sem tirar vários de onde se tem e ainda tirar proveito disso?
tam tam taaaaam!
[...] de sua empresa na web? Enquanto isso, na sala da padaria… Maio 6, 2008 Vi algumas pessoas adquirindo seu pão de cada dia, e pensei no valor de cada pão-de-sal pago em centavos por eles. O [...]