Tive um bom almoço com o Juliano Spyer e ele acabou comentando parte do papo em um de seus textos:
….Cavallini explicou que a agência de publicidade é a parte conservadora do negócio e tende a manter o processo da maneira como ele sempre foi feito.
A mudança, ele disse, vem do cliente, que acompanha as tendências do mercado e também os resultados de suas promoções, e então pressiona a agência para que ela busque soluções novas e alternativas. E o que ele chamou a atenção em relação a esse processo é que nos últimos anos, os clientes têm sido mais insistentes nas cobranças por campanhas diferenciadas.
E aí? Os anunciantes nunca aprovam nada que não seja papai-mamãe ou seriam eles os agentes mobilizadores da mudança?
Antes de obter a resposta, seria importante esclarecer o que é “conservador” ou “papai-mamãe”. Faça o teste, peça para o colega do lado imaginar duas campanhas. Uma bem conservadora e outra bem ousada.
Se a resposta para ambos os exemplos começar com “seria um filme que…”, aposto que seu colega discordará do que eu disse para o Juliano.
Ah, e nem preciso dizer que em uma agência online, é só trocar “filme” por “site” que daria na mesma.


A idéia de que as agências são os conservadores na equação, é perfeita.
as agências definitivamente não são agentes.
ponto de vista interessante pra refletir…
acredito que, aqui no interior, clientes e agências tem sua parcela de culpa, mas a maior resistência ainda é por parte dos clientes em aceitar novas idéias.
copo de vidro cava…
Mudar dá muito trabalho. Falar da mudança é mais fácil.
Os dois tem culpa.
Campanhas inovadoras são como eclipses solares, só acontecem quando há em cada um dos lados, ao mesmo tempo, pessoas minimamente inconformadas.
Direto ao ponto. Congrats !
Calma Gabi, vc é muito nova pra perder as esperanças
Patrice, vc tem razao, mas eu nao estava nem falando sobre “campanhas inovadoras”, estava apenas falando em diferenciar do papai-mamae. Pode parecer semantica, mas tem uma grande diferenca.
o dinheiro e o glamour que a propaganda “tradicional” traz é um lance bem difícil de se abrir mão. os donos das agências não podem mudar o modelo porque não fecham a conta no fim do mês e os publicitários simplesmente não tem saco de aprender ou se dedicar a outros formatos / soluções.
o lance é que deixamos um porto mas não chegamos no outro ainda. o “tradicional” não resolve mais, mas também não há ainda alternativas sólidas.
nesse meio tempo, vemos muita inovação por inovação, o que também é complicado e faz aparecer mil e uma maneiras de se bater a carteira do cliente desesperado por mudança e por economia.
Cavallini, meu caro, padronizar comportamentos tomando como base a experiência pessoal é sempre um perigo!
Excelente Lent,
mas sera que ele nao seria tambem uma solução? Quero dizer, Se um modelo nao atende mais ainda nao existe alternativas solidas, sera que a solucao nao seria uma distribuicao melhor da verba do anunciante?
Mauro, opiniao é que nem cu, todo mundo tem mas ninguem deveria dar
Como eu tenho a senha de editor neste blog, eu consigo postar qualquer porcaria que ele aceita.
Dito isso, vou defender minha posicao. O meu conhecimento nao vem da experiencia em uma agencia, mas de muitas. Alem de ter amigos pessoais muito proximos em cargos altos em praticamente todas as agencias que estao na lista de top 20 em faturamento, o que me permite discutir abertamente com eles alguns problemas do mercado, prestei consultoria em mais de 20 agências nos últimos dois anos. Entre empresas digitais, de mktg direto e “tradicionais”. Das tradicionais, todas estavam entre as top 40. Algumas entre as top 10.
Voce tem razao em um ponto. Minha opiniao é distorcida pela minha experiencia pessoal. Mas neste caso, ela é rica o suficiente para ter coragem de dividi-la com voces.
E Mauro, o que torna este blog interessante (ou nao) é justamente a discussao nos comments, por favor envie a sua sobre o assunto.
Por coincidência, falo do tema no Blue Bus de hoje. Eu não tenho dúvida de que as agências trabalham pela manutenção eterna dos formatos que ainda imperam hoje. Apesar das gravatas divertidas, publicitários estão no topo da lista dos mais conservadores.
simplesmente fantástico.
está cada vez mais difícil conseguir coisas novas das agências.
primeiro porque o próprio atendimento complica tudo ao não entender bem o que quer. depois pois o processo de passagem das informações atrapalha ainda mais tudo. e depois porque os próprios criativos ficam em seus altares e se esquecem de inovar (nossa, eu detesto essa palavra). mas é tudo sempre o mesmo, sempre uma adaptação aqui, outra lá … e nada de realmente novo.
mas claro, essa é só a minha opinião.
obrigado
Tomas, faltou falar os problemas do planejamento e da midia
Cava,
Fantástico o post.
O que me intriga é o fato de que parece (posso estar errado…) que as agências não se incomodam tanto assim com essa pressão e com a demanda vindo do cliente.
Tenho a impressão de que, a qualquer momento, os anunciantes mais avançados vão se dar conta de que não precisam mais de agência, visto que podem se virar melhor sem elas.
E aí? Tô muito errado?
Valeu Ale,
eu acredito em comunicacao, eu acredito em agencias. Acho que é uma questao de adaptacao. E eu acho que as agencias ja estao se mexendo. Se esta mudanca esta lenta demais ou nao, acho que é uma questao de ponto de vista pessoal.
No meu, acho que esta lento demais e por isso vejo uma oportunidade para as que mudarem mais rapido, atendendo melhor nesta nova realidade.
cava,
faltou falar do planejamento de mídia? não existe tal coisa, rsrsrsrsrsrs.
o que existe, em 90% dos casos é um planejamento de retorno financeiro sobre a mídia do cliente (claro que o retorno que eles medem não é para o cliente, e sim para a agência).
Tomás, é um ponto de vista. Assim como tem gente que acha que no Brasil nao tem planejamento, nao tem criação e nao tem atendimento. Eu ainda acredito que tem muita gente ruim e alguns bons, seja no sentido tecnico, etico ou moral. Mas esta minha opiniao nao é restrita a area de comunicacao.