Em uma apresentação sobre TV digital que eu fiz surgiu uma pergunta: Se o investimento é alto e os breaks não serão cobrados a parte, por que as emissoras estão migrando pra TV digital?
Em tempos onde a visão de investimento é sempre de curto prazo, a pergunta não é nenhum pouco boba.
A resposta é simples: as emissoras não tem opção! A TV digital é a nova geração de TV aberta. Ela traz uma melhor utilização do espectro eletromagnético no Brasil, um bem escasso e muito valioso. Só pra dar um exemplo, o leilão de freqüências de 3G que rolou em dezembro último arrecadou R$ 5,34 bilhões, fora o que será investido para a implementação da tecnologia.
Com a decisão do governo, as emissoras têm um prazo de 10 anos para a migração. Em teoria, dia 29 de junho de 2016 a transmissão analógica cessa e quem não migrar pararia de funcionar.
Ah sim, poderia ter existido uma pressão das emissoras para ficarmos usando o sinal analógico pra sempre? Poderia, mas não seria interessante para elas pararmos no tempo.
Outras mídias estão ganhando espaço e todas (as que já não são) estão migrando para sistemas digitais. Com IPTV, banda larga, 3G, WiMAX, SVOD, outras frentes tecnológicas e modelos de negócio aparecendo, grupos de telecom com muito mais dinheiro que as emissoras fariam do cenário uma competição desleal em apenas poucos anos.
Não que agora (com TV digital) a briga seja fácil para as emissoras abertas, mas além de poder oferecer algumas vantagens para o consumidor, será possível buscar novas frentes de receita. A transmissão móvel, o canal de dados e novos serviços provenientes da interatividade e da multi-programação são alguns exemplos.


Seria então a hora de TV’s abertas como Globo, SBT e Record investirem em CONTEÚDO, porque reality shows também vão parar de lucrar!
Ué, novela, telejornal, o próprio reality show e quase tudo que a TV produz é conteúdo, ou não? Se é bom ou se presta, é outra discussão.