Graças a periodicidade de troca de aparelhos e a rápida evolução destes bichinhos, podemos estimar que em cinco ou seis anos, teremos perto de cem milhões de celulares aptos a navegar na Internet. Contando que o custo do pacote básico de dados deve cair, uma boa parte da população poderá acessar a web via celular.
Porém, muito mais importante do que colocar mais alguns milhões de consumidores na Internet, será colocar a Internet na mão do consumidor.
Parece jogo de palavras mas é importante. Já existem hoje algumas tecnologias capazes de usar a câmera do celular para ler códigos de barras de produtos. Na prática, esta funcionalidade permite que consumidores usando um celular com Internet, possa descobrir quanto um livro custa na loja online de sua preferência.
Mais barato na loja online? Em poucos cliques e o produto será comprado e entregue em sua casa.
Como qualquer produto contém um código de barras, imagine a quantidade opções que teríamos via Internet. Além dos preços, qualquer outra base de dados poderia ser usada. Ver opiniões de outros usuários sobre o produto. Ver se o fabricante do mesmo tem reclamações no Procon. Se é uma empresa considerada verde pelo Greenpeace. Se este produto não vai estourar os pontos do seu regime e até verificar se a receita pra fazer um prato com aquele ingrediente é fácil de fazer.
Toda aquela história de poder que o consumidor conquistou com a Internet agora no mundo de tijolo. Vamos continuar comprando por impulso. Sentir a textura, o cheiro, até conversar com o vendedor, mas a compra não será necessariamente na loja que estaremos presentes fisicamente. E mesmo que seja, os consumidores farão esta escolha municiados com muita informação e opções.
Este é o lado do cenário que assusta os mais tradicionais. Mas é bom lembrar que da mesma forma que a Internet traz poder para o consumidor, o marketing também ganha novas possibilidades. Se o consumidor tem o viral, nós temos o marketing viral. Se o consumidor pode criar conteúdo, também podemos direcionar este conteúdo para nossas ações. Estes são apenas dois exemplos. Não se trata de uma competição, trata-se de aceitar o novo cenário e tirar proveito dele.
Resta usarmos nossa criatividade e as facilidades que o celular ligado a internet pode trazer para criar nossas ações. A única coisa que não funciona, é ficar reclamando que agora tudo está mais complicado para nós marketeiros.


Este texto saiu na minha coluna da Revista Marketing em Novembro.
Acho que se abre um novo espaço, ainda não explorado, o que é sempre bom. A maior facilidade em busca da informação só trará mais força nas decisões dos consumidores. Daí o papel do publicitário de fazer bem a sua parte e ganhar uma gama de novos clientes, mais exigentes e mais bem informados.
Acredito que a “mobile web”, em termos publicitários, abre muitas novas oportunidades de serviços (úteis) de relacionamento das marcas com o consumidor.
Algumas marcas têm executado isso muito bem, como este exemplo da Knorr na Polônia:
http://www.mobilemarketingmagazine.co.uk/2007/11/knorr-puts-reci.html
Não se deve olhar o celular unicamente como novo canal de mídia, ou a internet no celular como uma adaptação da internet no PC, e sim pensar em como gerar mais valor para o consumidor/usuário através desta plataforma muito pessoal e sempre presente.