No evento Digital Day da Microsoft que aconteceu nesta última sexta, Jeff Cole – diretor do Center for the Digital Future e PHD pela Universidade da Califórnia – discursou sobre a influência do “digital” sobre meios como TV ou jornal.
Entre outras coisas, Cole falou sobre a tendência da “television moves to down time”, assim como aconteceu com a voz (telefone). Com o modelo de negócio migrando do “desconto em certas horas/dias” para “pacotes de minutos” e com a facilidade de ter o telefone disponível em qualquer lugar, as pessoas passaram a usar o telefone no momento que era conveniente, quando não se tinha nada de melhor pra se fazer. Como no exemplo do palestrante, ligando pra mamãe que mora em outra cidade enquanto está no trânsito ou quando estiver esperando seu vôo no aeroporto e não mais no domingo de manhã quando era mais barato.

Isso pode se tornar verdade com a transmissão para aparelhos móveis da TV digital. Sabemos que penetração do meio no Brasil não vai fazer diferença, porque já é muito alta, mas audiência pode mudar sensivelmente.
Não estou dizendo que a TV deixará de ser a fonte de cultura, entretenimento e informação principal do brasileiro, mas pode rolar uma mudança de consumo. Assim como o celular tirou a voz das casas, a TV digital móvel poderá ter o mesmo impacto.
Quando o aparelho estiver disponível a um custo razoável – e isso pode acontecer ainda no ano que vem – o financiamento no varejo pode viabilizar uma rápida penetração dos portáteis na classe C, talvez até antes do que nas Classe A e B.
Se isso acontecer, a ida, a volta do trabalho e o almoço podem passar a ter uma audiência interessante. Quem passa horas no ônibus e não pode fazer mais nada de útil naquele período pode mudar a curva de audiência.
Mas o mais relevante nem é necessariamente o aumento de audiência, mas sim a mudança do público e mudança de hábito. O cara que assiste TV indo pro trabalho não é o mesmo que fica em casa. E um programa que dure uma hora tem lógica para quem está deitado no sofá, mas pode ser incômodo para quem está em trânsito, entrando e saindo do ônibus.
No início, todas as emissoras farão um espelho do conteúdo para a transmissão móvel, até porque, não tem lógica mudar antes de existir demanda ou necessidade. Mas com a audiência móvel crescendo, isso deve mudar.
3 comentários
Comentários em blogs:
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Pingback on Jan 2nd, 2008
[...] que falei da palestra no post passado, tem dois comentários que gostaria de [...]
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Pingback on Feb 26th, 2008
[...] oferecer algumas vantagens para o consumidor, será possível buscar novas frentes de receita. A transmissão móvel, o canal de dados e novos serviços provenientes da interatividade e da multi-programação são [...]
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Será bem proveitoso, principalmente em cidades onde possui um trãnsito muito intenso. Assim as agências de publicidade terão que fazer outro estudo de mídia para poder pegar esse público consumidor. Isso também pode cair em conflito com os livros que são lidos em uma sua grande maioria por pessoas que andam de ônibus.