Espero que as emissoras e agências aproveitem a larga experiência que adquirimos na web e contratem profissionais especializados para não transformar a oportunidade em problema.

Me refiro a direção de arte e usabilidade para o canal de dados e interatividade da TV digital.

Não que TV digital seja igual a web, mas alguns preceitos e preocupações são parecidos. Na verdade, as limitações da TV digital são até maiores que no início da web. A baixa resolução dos televisores SDTV (maioria absoluta no Brasil) e aparelhos móveis como o celular é uma delas. Outras fáceis de lembrar são a demora na resposta em algumas interações e o uso do controle remoto como interface.

Isso sem contar com o que pode ser o maior gargalo: o consumidor. A TV digital em alguns anos pode ser acessada por um público que talvez nunca tenha usado um serviço interativo. Não tenha usado um CD-ROM, acessado a Internet, botado o dedão em totem multimídia de shopping, nem mesmo um caixa eletrônico de banco. Para este público, ligação de voz no celular e controle remoto pra mudar de canal pode ter sido a única experiência de interação. Neste caso, usabilidade pode ter a importância que acessibilidade tem para deficientes.

Aliás, estas limitações e essa história de consumidor inexperiente me lembra meus primeiros anos com mídia interativa. Em 1990 eu produzi um catálogo eletrônico (que anos mais tarde começou a ser chamado de multimídia) interativo para a Regino Import (antes da BMW entrar no país) usar em seu estande no Salão do Automóvel.

O touchscreen deu pau e precisei colocar um mouse no lugar. Nunca vou esquecer das pessoas tentando usar o mouse, esse bicho estranho. Algumas viravam de ponta cabeça, outras tentavam falar com ele (como se fosse um microfone). Acho que não vi ninguém colocar no chão e usar como pedal porque o cabo não chegava tão longe. Contando hoje parece mentira, mas é verdade.

Será preciso não ir com muita sede ao pote, principalmente com o canal de dados, mas certamente aprenderemos com os próprios erros, assim como aconteceu na web.

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2 comentários

  1. 1 aninha

    Consulte sempre um especialista (pra não ter que consultar um advogado depois).

  2. 2 Felipe Spina

    Estava lendo a revista iMasters, e eu vejo uma matéria sua

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