Eu costumo bradar que não existe um único serviço que preste no Brasil. E acredito que o principal gargalo para o aumento de vendas destes serviços não é preço, nem praça e - muito menos - promoção. É produto.
É comum escutar estes caras reclamarem de impostos, leis e quaisquer outras boas desculpas para o serviço não deslanchar no país. Digo boas porque realmente o Brasil não costuma colaborar com ninguém. Quem é ou já foi empresário sabe que aqui, parece que tudo é feito pro seu negócio dar errado. Mas falta um pouco de mea culpa nestas empresas. Olhar um pouco para o próprio umbigo.
Faça uma lista dos serviços que você assina. Conte quantos destes você aceitaria migrar (pagando o mesmo valor ou até mais) se tivesse um concorrente com um serviço melhor. Veja quantos destes serviços você pode dizer que está satisfeito.
Não ignoro que em um país pobre como o Brasil, preço será sempre um fator importante nesta fórmula. Só me irrito de pensar o quanto as vendas poderiam melhorar se as empresas entendessem que o consumidor não é mais um pastel sem raciocínio e sem opção.
Falando de classes menos favorecidas, engana-se quem pensa que o preço é o único parâmetro levado em consideração. A mediocridade de alguns serviços apenas leva a grana para outras categorias. Se o consumidor não percebe valor neste serviço (ou em seus concorrentes diretos), sua suada e contada grana vai para outra categoria de produto ou serviço. Quando sobra apenas 50 reais no final do mês, cerveja e TV por assinatura são concorrentes diretos.
É quase inevitável pensar que a melhoria da qualidade poderia ser resolvida com uma fração do que é investido pelos anunciantes com propaganda e marketing.
Como profissional de comunicação, dizer isso parece um tiro no pé. Mas não defendo tirar dinheiro de comunicação, pois seria o mesmo que cobrir a cabeça com um cobertor curto. Como diz o ditado, o pé ficaria descoberto.
Acredito piamente nas vantagens da propaganda e do marketing. Para anunciantes e para consumidores. Conhecendo a maioria dos visitantes deste blog, se você pensa diferente está no ramo errado, ou no blog errado
A comunicação é necessária e importante, até para exaltar as virtudes e diferenças alcançadas pelo produto. Mas se o serviço é ruim, a propaganda pode funcionar apenas como jogar perfume no cocô.


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Nossa, como a bosta está cara!
Cava,
Mais uma vez concordo em gênero, número e grau com você. O Brasil ainda desrespeita principios básicos do bom relacionamento.
Fico indignado com a qualidade dos serviços oferecidos, ninguém esta nem ai. Dane-se o consumidor. “É isso que tenho pra oferecer. Se quiser é isso e pronto!”
É um raciocínio míope e completamente equivocado de grandes, médias e pequenas empresas. Recentemente passei por uma boa com uma grande marca de celulares.
Tenho um smartphone que em menos de 30 dias foi para a assistência 3x seguidas. Em nenhuma das vezes existiu um tipo de atendimento diferenciado, preocupado com a minha insatisfação e “desespero” com a situação. A única e pronta resposta da super bem treinada atendente é: Senhor, nosso prazo é de 7 dias úteis para verificar o problema. Se o Sr esta insatisfeito vá ao Procon. Nós respeitamos o Código de Defesa do Consumidor.”
Este é apenas um exemplo da estapafurdia categoria de serviços do Brasil.
Abs
Wilson
No futebol, na televisão, na distribuição de revistas e outros. O problema do Brasil é um só monopólio. Em muito serviços vc não tem pra monde correr. Um dia acaba essa gozolândia.
Vim do interior e pensei que aqui os produtos e atendimento fosse bom, caí na besteira de acreditar nisso.
Já sofri com banco, prestadores de serviço, televisão a cabo, internet, carro que comprei, o escambal a quatro.
E como o artigo traduz bem, não tem pra quem correr pois o concorrente não tem nada de diferencial para te dar e o atendimento continuará sendo ruim e precário. O Procon de vez em quando ajuda a evitar um processo na justiça.