Comprando consumidores


Talvez tenha virado moda ganhar dinheiro com publicidade. Primeiro foi a Microsoft, agora são as operadoras de celular.

A Blyk – um modelo de operadora de celular baseado em publicidade – oferece 217 SMS e 43 minutos de ligação de voz de graça para quem aceitar receber propaganda em seus aparelhos.

GizmondoNão é exatamente novo, a Virgin já fez algo parecido e em outros segmentos já tivemos exemplos assim. A Gizmondo, um game portátil lançado em 2005 (que já faliu por outros motivos) fazia a mesma coisa. Se o jogador aceitasse receber 3 comerciais de 30 segundos por dia pagaria mais barato na hora de comprar o brinquedo.

Mas será que comprar o consumidor funciona? Eu não acredito. Este modelo parece aquelas promoções baseadas em prêmios com objetivo de montar base de relacionamento.

“Inscreva-se aqui e concorra a um carro.” A base enche de pessoas que não fazem parte do público alvo do anunciante e que só queriam concorrer ao prêmio. Ninguém queria saber de relacionamento nenhum com o anunciante.

Em defesa das ações ainda pode-se dizer que, via cadastro é possível enviar comerciais para o público alvo da marca.

Mas a problema aqui não é audiência, nem afinidade. É impacto. Ao trocar o recebimento do comercial por uma vantagem financeira, não garantimos a atenção do consumidor, muito menos seu agradecimento.

Para o consumidor, este modelo de receber para assistir propaganda não passa de um acordo comercial. Na verdade, ele nem entende que aquele benefício foi provido pela marca. Pensa que foi provido pela operadora do seu serviço.

Aqui vale um parênteses: cometemos um erro parecido na TV, ou você acha que o consumidor acredita naquela frase “este programa foi um oferecimento de…”?

Pra mim, a melhor maneira de explicar o que eu acho seria fazer uma brincadeira com aquelas doações de esperma pagas que assistimos nos filmes americanos.

A Blyk seria o serviço de coleta; o anunciante a mãe solteira em busca de um filho e; o consumidor, o doador.

A brincadeira fica assim: a operadora dá uma graninha em troca do sêmem e promete para as marcas que elas irão casar e constituir família com o doador.

Se você fosse o anunciante, acreditaria nisso? Alguns dos maiores parecem ter acreditado. Eu prefiro pensar que eles estão apenas testando o modelo.

7 comentários

  1. Chester says:

    E vale lembrar que a Gizmondo, no final das contas, era uma fachada para um cartel mafioso, cujos donos e executivos eram especialistas nos mais diversos tipos de golpe :-)

    http://www.wired.com/wired/archive/14.10/gizmondo...

  2. Chester says:

    onde se lê "a Gizmondo", leia-se "a empresa que fabricava o "Gizmondo"

    (este post foi um oferecimento do Auto-Grammar-Nazi)

  3. cava says:

    Por isso eu disse entre parêntestes "outros motivos". A historia é otima e foi contada na wired.

  4. vince vader says:

    Um camarada meu falou de uma tal de Ryan Airlines da Europa, onde você viaja quase de graça, mas ouvindo comerciais o percurso todo. Tudo tem uma marca patrocinadora no avião.

  5. Dirceu Jr. says:

    Vou processar a Sercomtel Celular e pedir a grana das mais de 300 mensagens que já mandaram de SMS SPAM. Sem contar uma vez que o telefone celular tocou, e era propaganda gravada da Sercomtel.

  6. cava says:

    Dirceu, a maioria das operadoras (em seu contrato) tem um aval do assinante para enviar SMS de propaganda. Ninguém lê, mas na pratica, todo mundo é LEGALMENTE FALANDO, opt-in da operadora.

    O que nao quer dizer que seja inteligente da parte deles fazer isso. Sugiro voce registrar sua reclamacao na ANATEL.

  7. Zezinho says:

    Cava, conheço um amigo, que por sinal você deve conhecer tb, o Chen, que cansou de reclamar todo dia na Anatel e sugeriu até que a operadora lhe enviasse um aparelho que bloqueasse esses SMS Spams, mas até onde eu sei, ele naum obteve sucesso!!!

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