É muito difícil fazer previsões, principalmente sobre o futuro. Esta frase é de Niels Bohr, Nobel de física. Futurologia é algo ingrato, mas esta dificuldade não nos impede de fazer algumas projeções.
E imaginar o impacto da TV digital no Brasil é bem interessante, mesmo se levarmos em conta algumas de suas influências indiretas.
Uma delas seria o empurrão nas vendas de gravadores de vídeo digitais (DVR) que a TV digital pode trazer. O DVR permite um maior controle sobre a programação deixando o consumidor pular comerciais ou ver seu programa preferido quando quiser. Este poder vai aumentar o nível de exigência na hora de ver TV e isso assusta publicitários e anunciantes.
Inicialmente, o custo do DVR será alto para o padrão brasileiro, por isso, não seria difícil esperar que a penetração no Brasil não se aproxime de países como os EUA, onde chega a 25% nas grandes cidades.
Mas a penetração no Brasil como um todo é apenas parte do cenário. Imaginar que em alguns anos o DVR pode ter penetração de 40% nas classes AB não parece ser nenhum devaneio. Como sabemos, o Brasil é um país de contrastes e já tivemos algumas surpresas. Uma delas é ter uma alta penetração de banda larga. Segundo o Ibope, 75% dos internautas residenciais.
Pensar em 40% pode até ser conservador, mas não é este número sozinho que assusta publicitários. Algumas pesquisas sobre o uso do aparelho lá fora apontam 90% dos consumidores pulando quase todos os comerciais. Imagine aqui no Brasil 40% das classes AB pulando 90% dos comerciais. Para um bom número de produtos e campanhas, isso seria uma visão do inferno.
Sim, novamente estamos especulando. O brasileiro pode não usar o aparelho como os gringos do primeiro mundo. Mesmo assim, não quer dizer que usaremos menos. Pode ser exatamente o contrário.
Novamente a Internet pode servir de exemplo. O internauta brasileiro passa mais tempo na rede do que qualquer país no mundo. São 23:30 horas contra 19:52 do segundo lugar, os EUA. Também usamos programas de mensagem instantânea e deglutimos comunidades online como ninguém. No final, não importa se é porque gostamos de tecnologia, novidades ou se usamos a tecnologia sinal de status. O que importa é que os sinais de fumaça apontam para grandes mudanças.
Outra conseqüência que a TV digital pode trazer será um canal de retorno que permita interatividade e que alimente emissoras e anunciantes com todo tipo de informação.
O que é interessante nesta mudança é notar onde marketeiros diretos poderiam agregar valor na chamada mídia de massa. A quantidade de informação que podemos obter com a TV digital para fazer análises, clusters, medir resultados e fazer campanhas segmentadas se aproxima muito mais de programas de relacionamento do que campanhas de massa.
Mais uma vez as disciplinas podem se misturar, e o último bastião da mídia de massa poderá ser invadido.
ps. Este texto saiu na minha coluna da Revista Marketing em setembro.

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Como vc disse um dos principais motivos do alto tempo de permanência na internet do usuário brasileiro é o baixo custo. A TV digital pode ser assistida hoje em qualquer pda ou computador por 100 doletas (http://elgato.com/) ou por 17mil yenes (150 doletas) vc compra uma tv digital de bolso no Japão. Isso daqui 9 meses vai cair pela metade, ou seja, não acho tão dificil prever que, apesar de poucos canais hoje estarem habilitados nesse formato (Globo, SBT, MTV, FIZ, IDEAL e BAND), a TV Digital no Brasil vai chegar rasgando.
Quanto ao aferimento de campanhas e audiência, eu acho q vamos bater de frente com o que já acontece hoje. Vou andar em ovos aqui então deixo para vcs divagarem, mas porque não temos dados precisos sobre as transmissôes digitais das tv´s a cabo? Porque ainda dependemos de institutos de pesquisa (que trabalham com amostragem) para obtermos esses dados? Será que isso vai mudar?
Eu não disse isso. Eu tenho meus palpites, mas na verdade eu não sei a resposta pelo alto tempo de permanência do brasileiro na Internet. Talvez nem exista uma única explicação.
Sobre dados precisos, o problema está na definição de “preciso”. Daria pra defender que temos e que não temos.
True Cava, estava me referindo a esse post do Fernand Alphen aqui no Coxa Creme:
Quanto mais pobre o país, maior a Internet de 26Jul07
No post dele não diz que o motivo é o baixo custo. A teoria dele é outra.
há 7 anos fui numa palestra onde o tema era muito parecido com o nome de seu texto e até agora nada …..
o fato é que quando avaliamos as pessoas das classes AB de 18 a 64 anos moradoras das principais capitais do país , 87% assiste televisão em 1 dia e nem metade acessa a internet , 46% .A classe AB passa em média , 4 horas e 40 minutos DIÁRIOS vendo televisão .
Sem contar a classe C , onde apenas 13% acessa a internet em 1 dia e 91% assiste televisão e passa mais de 5 horas diários na frente da TV .
Isso è Brasil , esta é a realidade , o resto é futurologia .
Marcio, apesar de discordar dos seus numeros (vide o post que fala da pesquisa do datafolha que mostra penetracao de 38% da classe C na internet) nao entendi a colocacao. Eu nao disse que a TV vai morrer, ou que nao presta, ou que nao tem audiencia. Minha postura aqui no blog sempre contraria a estas posicoes muito pessimistas ou muito otimistas. Alem disso, assistir TV nao quer dizer assistir comerciais. Lá fora, as pessoas que tem DVR assistem mais TV do que as pessoas que nao tem.
A pesquisa do Datafolha inclui pessoas que utilizaram a internet “alguma vez na vida”, por isso os 38% na classe C , quando os dados que eu apresentei referem-se a cobertura de 1 dia de TV e Internet ( números oficiais do Ibope 2006)..
O publicitário Luiz Alberto Marinho comenta muito bem essa questão de novas mídias e “queda do último bastião” , segue :
“A grande tendência na comunicaçao publicitária, na minha opiniao, chama-se integraçao. Estou falando da integraçao das novas mídias com as mídias tradicionais, do mundo físico com o mundo da internet, de produtos com serviços, da propaganda de massa com a comunicaçao dirigida. Porém, a sensaçao que me dá é que muita gente boa ainda acha que as coisas sao excludentes. Do tipo ou isso ou aquilo. Na verdade, a saída é saber escolher a opçao mais adequada para cada situaçao. E quando for possível, combinar 2 estratégias diferentes para criar algo novo.
A nova comunicaçao pode demorar mas 1 dia acaba chegando : Vivemos em um país onde 97% dos lares têm TV e apenas 15% têm computador. Onde o salário médio do trabalhador é de R$ 888 e ao mesmo tempo existem mais de 100 milhoes de celulares, muitos deles exatamente em poder das classes mais baixas. Ou seja, nosso mercado é mesmo bem contraditório e nesse contexto é até natural que alguns dos nossos melhores publicitários e executivos de marketing hesitem em adotar novos caminhos. Mas que ninguém duvide - estamos no meio da transiçao do velho para o novo” .
Nos EUA ,o país com maior número de internautas ( 211 milhões ) a participação da internet no bolo publicitário , apesar de obter os maiores percentuais de crescimento, é de apenas 7,5% .
Estamos no BRASIL onde apenas 18,5% dos domicílios possuem ao mesmo tempo luz elétrica, telefone fixo, computador, TV a cores e máquina de lavar e 3% das pessoas ocupadas recebem acima de R$ 3.800,00 conforme ultima pesquisa do IBGE.
O “último bastião” poderá cair no BRASIL mas ainda vai demorar um pouquinho ….
Marcio, sugiro voce ler melhor as coisas antes de comentar.
Pra comecar lendo a pesquisa da datolha, que nao pergunta se a pessoa acessou “alguma vez na vida” e sim se costuma acessar internet.
Segundo, a opiniao do terceiro que vc posta no seu comment da a impressao que este blog nao defende a integracao ou que acha que as midias sao excludentes. Leia outros posts do meu blog para ver que a minha opiniao sempre foi contraria ao 8 e ao 80. Tanto a quem nao valoriza a web, como quem nao valoriza a TV.
Faltou dizer algumas coisas
1) temos mais de 30 milhoes de usuarios de MSN ATIVOS no Brasil. Este numero contradiz os numeros do Ibope.
2) alem disso, o Ibope faz sua pesquisa SOMENTE com quem tem telefone FIXO em casa. So’ pra lembrar, no Brasil, a penetraçao de telefone fixo é de apenas 54%. Quem voce acha que ficou de fora dessa pesquisa? A classe AB? Nao senhor.
3) dizer que o investimento na web nos EUA é de 7,5% é uma analise muito superficial. Isso porque lá eles pensam de forma mais integrada (que é o que o publicitario que vc comentou defende) e por isso, a formula de qual meio investir perde aquela rigidez e passa a ser uma escolha estrategica. Com isso, alguns clientes podem destinar zero, 7%, 50%, 80% ou até 100% do seu investimento na web. E isso nao é chute meu, existem sim clientes que destinam zero e clientes que destinam 100% da verba.
4) muitos podem discordar, dizendo que porcentagem é porcentagem. Mas como a grana que rola nos EUA é muito grande, 7% viabiliza um caminhoes de acoes. A quantidade de grana investida no Brasil ainda nao viabiliza um monte de acoes. Existem producoes de filmes publicitarios que envolvem mais grana que a verba total que um anunciante destina a web. Dito isso, defendo que crescer de 7% para 10% (3% de aumento) nao faz tanta diferenca quando de 3% para 6%.
5) por favor, me manda onde vc viu estes comentarios do publicitario, gostaria de ver onde isso foi publicado e em qual contexto.
Os dados do Ibope são do software TGI e não são realizados pelo telefone e sim diretamente nos domicílios .
A cobertura de 38% na classe C são pessoas que utilizam a internet? OK
Quando filtramos pessoas da classe C que utilizam em 1 mês esse percentual cai para 30% Quando filtramos as pessoas da classe C que costumam acessar a internet em 7 dias , o percentual cai para 26% e por fim quando filtramos a cobertura de 1 dia , o percentual cai para 13% ( enquanto que em televisão esse percentual é de 91% ).
Não acho que esse blog defende que as mídias são excludentes , você citou exatamente o contrário, mas esse exemplo de integração acontecerá ,inicialmente, apenas para um público classe A e alguns classe B e não tão cedo para grande parte da população. Estamos no Brasil e não na Suécia.Para entender o Brasil aconselho ler as pesquisas do IBGE que são realizadas em todo o território nacional e não apenas nas principais capitais.
Marcio, estamos comparando maças com bananas. Quem disse que a TV nao tem audiencia? Se alguem falou nesse blog (mesmo que apenas em comments) e eu nao dei lambada vc me avisa pra eu corrigir este erro. Dou logo na cara, tipo o Capitao Nascimento do Tropa de Elite.
O fato da TV ter uma penetração absurda nao tem nenhuma relação com o meu post. Releia meu post por favor e veja que ele trata de outro assunto.
Mas ignorando o post e indo para a discussao que vc iniciou. Por favor leia meus textos sobre midia (na barra lateral tem alguns no “must read”), sobre equalizar audiencia em impacto e entenda pq eu digo que estamos comparando maças com bananas e porque eu defendo uma equalizacao entre estas duas coisas (falo de audiencia e impacto - e nao em tv e web).
Sobre Classe C, eu nao defendo que a web é o meio ideal para uma acao de massa. Tambem nao defendo que seja melhor que TV. Muito menos defendo que a TV para classe C nao vai valer a pena nos proximos 5 ou 10 anos. Eu defendo sim é que a web é um meio importante, INCLUSIVE para a classe C.
Quem trabalha com advertising (e o Marinho deve conhecer bem isso) sabe que a maior parte das campanhas da TV sao feitas para as classes AB, mesmo que os “xizinhos” comprados envolvam a Classe C.
Esta critica esta sutilmente colocada no meu texto (talvez ate sutil demais) e nao vi ninguem comentar sobre isso, o que seria uma discussao muito mais interessante do que ficarmos falando sobre a morte ou nao da TV.
A pergunta que deveria ter ficado neste texto seria algo como: “será que finalmente nós brasileiros vamos aprender a fazer propaganda para a classe C?” É este o bastiao que me refiro, e nao o uso da TV propriamente dito.
Blá, explicar o texto é pior que ter que explicar a piada.
Me explique por favor o que você quer dizer com equalizar audiência e impacto.
Que Web é um meio importante não há dúvida. Assim como o Cinema , a mídia de “banheiro”, a mídia OOH , a mídia móvel , etc… mas importante quanto ?
Certamente mais importante que os míseros 2,5% destinados a esse meio no Brasil .
E fundamental para alguns segmentos etários e social .
Mas certamente , não é o meio ideal para falar com as classes mais baixas.
Discordo com você quando diz que os “xizinhos” são feitos para a classe AB.
Para uma marca ser líder ela deve liderar nas classes mais baixas. Omo , Seda , Coca Cola , Skol ( cliente da agencia que você trabalha ) são só alguns exemplos de marcas que lideram nas classes mais baixas e consequentemente em seu segmento .
Nós brasileiros vamos aprender a fazer propaganda para a classe C quando tivemos ciência que moramos no Brasil e não nos EUA , Inglaterra , etc .
Vc continua nao lendo ou nao dando peso as minhas palavras. Eu nao disse que xizinhos sao feitos para AB, disse que a maior parte das campanhas sao feitas para AB. Tem uma diferenca grande ai. O xizinho pega muito mais classe C do que AB, e o tom do meu texto diz que existe uma possibilidade de em um futuro proximo, isso se agravar.
A maior parte das campanhas são feitas para a massa. Os setores econômicos que mais investem em televisão são voltados para o grande público : Varejo,Higiene Pessoal e Bebidas .E a massa não consome internet,consome televisão. Quem consome regularmente internet é um nicho.Gostaria de num futuro próximo as campanhas publicitárias darem maior peso a internet isso significaria inclusão digital e um país mais desenvolvido .
Um nicho não, muitos nichos que somados juntam 33 milhoes, ou 60, depende da maneira que vc preferir.
Vc ainda nao entendeu a discussao e continua batendo na questao de audiencia. Pois bem, alguns sites tem mais audiencia que revistas e programas de TV. Quer dizer que estes programas/revistas nao merecem entrar no plano de midia?
Se voce generalizar a discussao nesta linha, fica facil bater em vc.
Levar a discussao para algo assim superficial (em apenas na questao da audiencia) consigo ficar 2 horas defendendo que TV é uma bosta ou que TV é a maior maravilha. O mesmo para a Web. Posso dizer que o CPM da TV é mais barato ou que é mais caro (mostrando numeros reais). A questao nao é tao simples.
E cada vez sera menos simples com a entrada dos DVRs. Leia a pesquisa que a TiVo publicou la fora para entender como tudo fica mais complexo.
Vc continua pegando em um ponto e generalizando para o todo. Eu falei de campanhas para a Classe C e vc agora acha que a questao entre TV e internet é sobre campanhas. Alias, nao sei nem porque esta discussao entre TV e Internet, eu acho isso chato pra dedéu. O ponto é que antes de campanha existe marca e outros objetivos mais especificos.
Usando simplesmente a palavra “campanha”, nao tem como dizer o que é melhor (tv ou web ou ambos e quanto para cada um) se nao definirmos antes um monte de coisas como objetivo, publico, etc. E cada vez menos isso é uma ciencia exata.
Essa historia de campanhas pra massa é simplorio demais. As empresas que vc citou trabalham marca, nao campanhas. O objetivo do cliente nao é uma campanha. Campanha é o meio para atingir um fim.
Essa sua simplificacao so’ valeria se eu tivesse dito que TV nao é a melhor maneira de atingir a massa mais popular, o que nao fiz. Alias, continuo dizendo, leia alguns dos meus posts sobre midia, aqui e aqui. Leia tambem este aqui pra ver que eu acho idiota esta briga entre mundos.
lendo seu post que fala da pesquisa do Datafolha “e agora josé ” percebe-se que a leitura dos números esta “superdimencionada”.
Diz : somos 60 milhões! e “quase” 40% na classe C. “o último bastião caiu”.
Esse seria um mundo ideal .Mas é ilusão.
Vamos para a realidade:
68% dos brasileiros nunca acessou a internet !
apenas 28% utilizou em 3 meses !
só 17% dos domicílios possui computador com acesso a internet.
Mesmo verificando uma pesquisa realizada em grandes capitais temos :
só 18% acessam diariamente e 36% pelo menos 1x na semana .
Marcio, ta aqui: datafolha.folha.uol.com.br, vai la encher o saco deles, nao o meu. Repare que no meu texto eu digo que os 60 milhõs é um calculo burro que tecnicamente é incorreto. Se na proxima pesquisa deles mostrar que o numero esta errado, eu posto isso aqui.
Ah, e para com essa historia de acesso em casa. Aprende que nego nao fica as 24 horas em casa. Se voce nao comecar a olhar para outras questoes como impacto, fragmentacao, multi-tarefa, frequencia (nao frequencia como se ensina na faculdade) vc nao vai evoluir sua linha de raciocinio nunca.
esse papo vai longe…
e se o projeto do One Laptop per Child pegar? tem haver? impactaria nas medicoes?
http://www.nytimes.com/2007/10/04/technology/circuits/04pogue.html?em&ex=1191643200&en=54a7e1d4ece85192&ei=5087%0A
http://www.youtube.com/watch?v=7kHIZXYJbWY
Acho que isso ja seria p/ outro post… mas
os pais dessas criancas talvez tambem tenham acesso a web atraves dessas maquinas? ta certo o X.O. eh p/ o Joazinho estudar… mas nao me surpreenderia se o pai ou a mae aos poucos comecarem a aprender a usar o novo brinquedo… sei la…
talvez nao.
teriamos manchetes do tipo: Pai breaco soca Joazinho p/ usar o laptop de 100 dolares… Pais revendem a maquina p/ comprar comida… ou… Mariazinha esfaqueia Joazinho porque nao emprestou seu laptop.
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Acesso em casa é só um número para ilustrar os dados.È óbvio que o nego não fica em casa . Mas a TV é a principal forma de entretenimento para a maioria das pessoas.
No Brasil , 90% dos domicílios tem renda de até R$ 3.800,00.
Tv não dá mais impacto/choque ? faça uma programação (varejo)de 1 dia na televisão e veja se ela não dá “impacto” . estoura o call center . Isso é resultado.
Escrevo do Brasil e não da Inglaterra .
Tem sim Mau, nao é so’ o laptop de 100 dolares. Mas a Microsoft comecou a vender o pré-pago. Ja da pra comprar computador de marca por 900 reais (em muitas vezes) e a gente ja comeca a ver fenomenos como lan house de aluguel. Que sao maes que alugam os computadores de seus filhos para vizinhos (enquanto os filhos estao na escola)
Tem muita coisa vindo ai, pra comecar a previsao de venda de 10 milhoes de computadores este ano, o mesmo numero de aparelhos de TV. Os numeros sozinhos nao significa nada, mas apontam para uma tendencia bastante interessante.
A questao da pesquisa do datafolha deveria ser analisada de uma maneira bem diferente da que esta sendo levada pelo Marcio. Mais importante do que o lugar (ou frequencia) onde estes caras acessam é o fato de estarem acessando, aprendendo a usar, criando habito.
Esta discussao é muito mais produtiva do que ficar tentando defender ou atacar um meio usando numeros de audiencia.
minha questão não é ficar utilizando números de audiência .
Mas se buscamos resultados , do que adianta ter uma mídia interativa,inovadora,etc.mas que só meia dúzia de gatos pingados serão impactados ?
Não há dúvida que os 2,5% do bolo publicitário destinados a internet é muito pouco para a realidade atual do meio no Brasil .Mas a internet e as ‘nova mídias” não são a salvação do mundo e a televisão, com algumas exceções , continua e continuará sendo a principal mídia do país.
Marcio, TV é sim a principal forma de entretenimento da maioria das pessoas no Brasil. Vou pegar um trecho do meu livro que foi escrito a 2 anos para mostrar que voce esta chovendo no molhado:
Eu nao disse que TV nao da impacto. Eu digo que TV da cada vez menos impacto. E quer saber, isso nao é só um problema do meio, é também um problema nosso. Nós (publicitarios) precisamos melhorar nosso desempenho na TV.
Seu exemplo sobre impacto mostra que nao estamos falando a mesma lingua. É claro que TV da resultado, quem disse que nao dá? Agora, dizer que 1 dia de televisao estoura o call center nao prova nada. Fala isso pra quem trabalha com marketing direto que o cara da risada da sua cara.
Vc nao entendeu que eu nao estou atacando TV e nao discordo que vc quando vc defende a TV. O problema é que toda vez que vc vai defender seu ponto, vc agride a web. Isso eu discordo e é contraditorio ao seu discurso de integracao.
ok , a internet e as novas mídias vieram para ficar e é impossível negar sua contribuição dentro de um plano de mídia principalmente para um público com maior renda .
O problema é que a perda do foco .
A internet e as novas mídias são novos pontos de contato com o público de maior renda mas não são a salvação do mundo como parece na maioria das matérias que se lê por aí .
A percepção que se tem é que a televisão,jornal, a “mídia tradicional” acabou .
Talvez ocorra em breve nos países desenvolvidos mas no Brasil essa mudança vai demorar para acontecer.
O principal objetivo de um plano de mídia, salvo algumas exceções, continua sendo atingir o maior número de consumidores potenciais , ou seja ,com o perfil ideal para comprar o produto/serviço, pelo menor custo e de forma eficiente .E esse objetivo passa pela televisão.
Se atingir de forma inusitada , proporcionando experiência com a marca , etc melhor.
O que eu acho um absurdo disso tudo é que os deptos de mídia discutem IMPACTO… mas pouco se referem a qualidade desse impacto.
A internet, para muitos produtos e públicos, permite uma qualidade imensamente maior de qualidade do impacto publicitário - simples assim. Tem muito Mídia por aí que nem sabe o que é stickness. Ou nem consegue ponderar além dos números.
E classe C, da mesma forma, existe também no nível psicográfico - um jovem classe C não tem computador, mas gasta toda a grana do “busão” na lan house (é só andar por qualquer bairro de periferia e deixar os números um pouco de lado). Esse camarada tem interesses muito semelhantes a jovens de classes mais altas - melhor, os mesmos. E ambos provavelmente tem acesso a internet - de formas diferentes.
Concordo com o Márcio que publicitários, muitas vezes, acham que vivemos na Inglaterra. Mas discordo completamente da teoria que internet é um meio menos relevante para a classe C porque TV tem mais cobertura… É muito raso, é muito genérico e é muito pouco acreditar que essa cobertura gigante se converte em relacionamento, em geração de conteúdo, em bonding com essas marcas.
Meu voto é para que consigamos usar a TV do jeito novo, e não para bombar o varejo em um dia específico. Voto usar a TV para construir marcas - e a internet é uma ferramenta cada vez mais fundamental no aprofundamento da qualidade dessa construção.
Pensei em parar a discussao, mas aí pensei, quem nao quiser acompanhar a discussao nao acompanha, entao vamos que vamos. Paro quando eu nao tiver mais saco (o que esta chegando perto)
Marcio, novamente, concordo com vc quando diz que 2,5% é pouco, que as novas midias nao sao a salvacao do mundo e concordo que a midia exagera (pro bom e pro ruim), eu ate falei sobre esses exageros no blog (aqui)
Mas como eu disse em um comentario anterior, vc sempre acaba colocando algum ponto que eu discordo. Que historia é essa de “meia duzia de gatos pingados”?
Sua definicao sobre o principal objetivo do plano de midia incluiu uma expressao (forma eficiente) que da margem a interpretacoes. Isso inclue nao somente a questao de afinidade, mas tambem qualidades e defeitos do meio. Eu concordo com isso, só discordo quando voce finaliza dizendo “e esse objetivo passa pela televisao”. Passa pela TV quando a mesma for propria para isso. Para produtos de grande consumo, dificilmente nao irá passar, mas isso nao quer dizer “sempre”.
Rapha, obrigado pelo comentario, talvez ajude a explicar pro Marcio meus pontos.
Sobre a palavra “impacto”, acho que é um problema de falha de comunicacao. Para um midia, impacto é numero absoluto de pessoas. Para outras pessoas, impacto é choque, ou seja, gerar mobilizacao do consumidor. Um bom midia, deveria ver qualidade pq no planejamento de midia deveria pesar coisas como afinidade, qualidades e defeitos do meio. Hoje isso é cada vez mais importante por uma serie de fenomenos, como fragmentacao e consumidor multi tarefa. A tarefa do midia se torna mais importante e mais ingrata (por ser mais dificil).
qualidade do impacto ? o que é a qualidade do impacto na internet x televisão x jornal x revista ?
Ricardo , se quantidade não é importante porque você “comemorou” os números da pesquisa do Datafolha dessa forma :
“E agora José? O penúltimo bastião caiu. A web não tem poucos usuários.”
“Quem tinha alguma desculpa para não investir mais na web vai precisar ser criativo e inventar outra desculpa”
“E agora José? O último bastião caiu. Temos 38% de penetração na Classe C”
“Como tive acesso a pesquisa antes, vocês não podem imaginar a vontade que eu estava de gritar isso aqui. Mas esperei a pesquisa ser divulgada para poder escrever sobre o assunto. Fecho aqui com o grito que estava engasgado.
SOMOS 60 MILHÕES! E QUASE 40% DE PENETRAÇÃO NA CLASSE C.”
Quando pegamos o percentual de pessoas da classe C que utilizam a internet diariamente o percentual cai para míseros 13% .
Será que os depto de marketing dos grandes anunciantes ainda não enxergaram a internet do forma como vocês estão vendo já que o percentual da verba publicitária do meio no Brasil é de apenas 2,5% ?
resumindo :
1: a internet e as novas formas de se comunicar com o consumidor tem seu lugar de importância dentro de um plano de mídia ;
2: o tamanho dessa importância vai depender do produto e do perfil do público potencial ;
3: nas categorias de produtos onde temos os maiores anunciantes do país - higiene pessoal , varejo , bebidas e alimentação - a televisão continua e continuará sendo o principal meio de contato com o consumidor ;
4: em outras categorias ,que possuem um público mais qualificado, a televisão já perdeu seu posto de principal meio de contato;
5: alguns públicitários dão a internet e as novas mídias uma importância maior do que ela deve ter. Essa importância é com base no meio ambiente em que frequentam : trabalho , família e amizade,que obviamente não corresponde a realidade do Brasil .
Meu Deus.
Eu falei que que nao ligo pra quantidade?
Qualidade de impacto? O impacto com capacidade de gerar mobilização do consumidor, seja uma reação racional ou emocional. Isso é exclusivo do meio? Claro que não, isso é fruto do trabalho da agência. Do planejador, do mídia, do criativo, do atendimento, de todos.
Eu sei que voce, como mídia, foi formado para trabalhar em cima de pesquisas, de números, de fatos, mas “o impacto que uma marca causa na vida da pessoa nunca vai ser medida claramente por pesquisa”. O autor da frase? Seu patrão.
Agora, será que dá pra vc decidir o que voce acredita? Uma hora diz que a verba destinada a web é mais baixa do que deveria, agora usa o argumento que os deptos de mktg dos grandes anunciantes nao pensam como eu. Pro seu governo, o investimento na web (decidido pelos deptos de marketing) esta crescendo 3 vezes mais rápido que o investimento na TV. Isso quer dizer que a TV nao presta? Claro que não.
Na conversa que eu tive com a poucos meses atras com seu patrão deu pra ver que ele esta muito mais antenado e tem um pensamento muito mais moderno que o seu. Aliás, o grupo que sua agência faz parte também. A plataforma não é o objetivo, a idéia é.
Eu sei que é complicado pra você aceitar este novo cenário, onde as coisas não são mais decididas em cima de software de pesquisa e Excel. Um mundo onde as verdades deixam de ser absolutas e o risco passa a fazer parte do nosso trabalho. Mas não se preocupe, existem muitos mídias que pensam como você, você não está sozinho neste mundo.
Mas enfim, eu desisto. Peço água. Parece que voce nao entende nada o que eu falo. Parece que voce esta cego, surdo e nao ve o que acontece a sua volta. So’ falta me dizer que tambem acha que o Dirceu é inocente.
Pois é,vivemos um novo cenário:60% do bolo publicitário concentrado em televisão como a 15 anos atrás.
Difícil deve ser aceitar essa realidade do mercado Brasileiro e quando aparece uma pesquisa comemora os números feito uma criança,números superdimencionadas.Não estou dizendo que o datafolha errou , errado foi sua leitura como postei anteriormente e você não entendeu.
E lógico que o investimento em internet cresce 3x mais: é só 2,5% e a televisão 60%. Não poderia ser diferente.
Não há dúvida que o jeito de fazer mídia mudou e que vai mudar ainda mais, já que novas tecnologias a tornam
muito mais dinâmica e complexa.
No entanto,a internet e as novas plataformas vão demorar para mudar a mídia com a mesma intensidade que mudarão
em outros países mais desenvolvidos.
Tudo isso porque vivemos num país que 90% dos domicílios ganham até R$3.800,00 por mês.
essa opinião é moderna e antenada ?
Essa história de patrão mais antenado e moderno,Dirceu inocente,isso já é uma grande bobagem e não entrarei nesse mérito.Baixo nível.Tosco demais .
Deve ser difícil alguém postar discordando das suas opiniões.Você está acostumado a escrever e
todos seus amigos puxa saco concordar.
Mas agora , voce grande guru do coxacreme ,
ganhaste uma fã .
Voce esta enganado Marcio, faz 20 anos que eu escrevo pra revistas. Nao que isso valha alguma coisa (tem um monte de lixo nas revistas), mas isso me fez aprender a nao esquentar com quem discorda das minhas opinioes. No comeco, quando alguem nao entendia o que eu escrevi (como vc) eu fica doido de raiva. Com o tempo aprendi a lidar com isso.
Eu só acho essa discussao chata pra dedeu e nao estou nem um pouco a fim de te doutrinar. Isso é uma coisa que o proprio mercado vai fazer (ou nao). Eu nao sou sua mae, ela que se preocupe com a sua carreira.
Voce tem razao quando diz que este site é visitado pelos meus amigos. Isso nao quer dizer que nao exista discussao, basta ver os comments de alguns posts. Sua presenca aqui também é boa para nos lembrar que um profissional com o seu perfil e seu raciocinio é muito presente no mercado ainda.
Fique a vontade para continuar fazendo seus comentarios, só tome cuidado pra não ficar mais chato do que esta sendo, pois ai sim vou cortar seus comments sem a menor cerimonia.
Ah, e se voce virou minha fã, eu te mando uma camiseta que eu dormi pra voce ficar cheirando durante o dia.
Marcito, só um ponto.
Se a TV tem 60% do bolo publicitário há 15 anos, isso quer dizer que ela não cresceu nada faz 15 anos - estagnou.
Enquanto isso, claro, outros meios, mais diversos e com outras especificidades crescem, muito. Ccomo o poder da internet de permitir as pessoas se relacionarem, opinarem, criticarem, criarem, etc.
Ignorar ou criticar o poder de meios como a internet, mesmo na classe C, é um erro. Tudo bem que apenas 13% acessam diariamente - então, da próxima vez que eu tiver um produto para as classes C/D, eu não invisto ou invisto pouco e específico na internet… Simples! Sem críticas. Agora, se meu produto precisa das classes AB… bom, daí nem precisa olhar números, basta ter bom senso.
Demográfico, psicográfico… nada é excludente.
Se você permitir,já que tirou meu último “comments”, gostaria de fazer o derradeiro post .Quero esclarecer que minha posição não é contra as novas mídias,que você julga ser uma posição antiga e retrógrada e que o “próprio mercado vai alterá-la” .Acho que as novas mídias/tecnologias já estão mudando o jeito de fazer propaganda no Brasil. São fundamentais para atingir certos públicos mais qualificados de forma mais interativa e eficiente.Sua contratação para o departamento de mídia de uma grande agência já é reflexo desse contexto. No entanto, a velocidade e o crescimento das novas mídias serão prejudicadas pela desigualdade e baixa renda do brasileiro .
Quanto a sua opinião : “eu sei que é complicado pra você aceitar este novo cenário, onde as coisas não são mais decididas em cima de software de pesquisa e Excel. Um mundo onde as verdades deixam de ser absolutas e o risco passa a fazer parte do nosso trabalho ”
Discordo .Os riscos podem fazer parte do nosso trabalho mas não dos grandes anunciantes . E os softwares de pesquisa continuarão a ter importância. Ou você acha possível justificar um meio com base no seguinte critério: “um jovem classe C não tem computador, mas gasta toda a grana do “busão” na lan house, é só andar por qualquer bairro de periferia e deixar os números um pouco de lado”.
As pesquisas e as métricas sobre as novas mídias vão surgir naturalmente na medida que esse mercado crescer no país. Os grandes institutos de pesquisa não vão perder dinheiro.
Fecho minha participação com a opinião de um grande mídia do mercado brasileiro, Daniel Barbará : “estamos todos na praia e as novidades se equivalem a um Tsunami. Nesse cenário o melhor seja correr para o morro, onde a segurança é garantida. E o morro são as mídias tradicionais”.Certo ou não, esse raciocínio reflete o pensamento da grande maioria dos anunciantes no Brasil. Apesar dos discursos sobre mudanças, etc certo ou não , o risco não faz parte do mundo corporativo .
Marcio, derradeiro? Duvido.
Eu escutei o comentario do Barbara. Ate postei um comment sobre isso no Blog Sapo de Dentro do M&M que estava fazendo uma cobertura do evento via profissionais do mercado.
Eu nao sou ninguem pra falar do Barbara, mas antes de mais nada, precisamos lembrar que hoje ele é presidente da CBN, conglomerado que controla o Jornal do Brasil, a Gazeta Mercantil, a revista Forbes e a emissora de TV paranaense CNT. Nao quer dizer que o Barbara seja parcial, mas quer dizer que é a opiniao de alguem que preside veiculos.
Que é a opiniao de muitos eu tenho certeza. Agora, opiniao da grande maioria nao é nao, senao o crescimento de investimento no meio internet nao estaria crescendo 3x mais do que na TV.
Agora que eu vi, o comentário do Barbara vc tirou do meu post no blog do M&M. Virou minha fã mesmo, conforme prometido.
Só pra dar um contra peso, veja o que o Sergio Valente diz sobre isso aqui.
Já que é hora dos derradeiros, posso fazer um também?
Então…. um viva para as ferramentas de mídia, mas só quando elas são usadas com inteligência e com ponderações sobre a vida real, além dos números - criticar o olhar etnográfico, o lado “busão” da vida, mostra uma miopia clássica…. E, como prova do contrário, eu mesmo já fiz uma campanha inteira, de uns 10 milhões, embasado num insight etnográfico, real, na rua, sem NENHUM número…. Um viva para o meu cliente na época, um viva para o meu mídia que teve a sensibilidade de entender que aquilo que defendia era muito, mas muito mais forte do que números.
Pessoas são compostas de emoções e são melhor entendidas dessa forma. Mídia, além dos números, é sensibilidade. Renegar isso é como remar contra um tsunami….
Clientes de baixa renda já são maioria nas compras on-line
…A maioria da classe C (29,5%) é de ‘heavy users”, com tempo de navegação superior a dez horas por semana. Muitos acessam a internet do trabalho e de lan houses, febre em bairros populares da cidade –só na favela de Heliópolis (zona sul de SP) há 32 lan houses, segundo a associação de moradores. Segundo a pesquisa, grande parte dos internautas de baixa renda aprendeu a usar o computador antes mesmo de ter um…