Modelo de receita


Alguns anos atrás, conheci uma agência (que não digo o nome nem sob tortura) que tinha um método muito interessante para fazer orçamentos.

Funcionava em 4 passos:

  1. Eram estimados a quantidade de horas por tipo de profissional, ou seja, tantos horas de diretor de arte, tantas horas de redator, etc.
  2. As estimativas eram passadas para a super chefa, que então juntava todas as horas em um pacote único, independente da senioridade ou departamento.
  3. O valor total era multiplicado por um número mágico que ninguém (nem o financeiro) sabia explicar de onde veio.
  4. A super chefa analisava o valor. Se achasse que estava caro, dividia por 2, se estivesse barato, multiplicava por 2.

Bonito né?

Existem agências sérias, boas, respeitosas, profissionais. Não estou supondo. Eu conheço, atesto e assino embaixo. Mas são as ruins que muitas vezes dão o tom ao mercado.

Remuneração é um assunto difícil. O modelo de BV e comissionamento atual estão em discussão faz tempo e – mesmo que existam muitos defensores – poucos duvidam que o modelo tende a mudar.

Cobrar por hora homem é perfeito para produtoras, mas para uma empresa que vive de idéias (a agência) fica complicado quantificar o trabalho em horas. Quando um Diretor de Criação, recebe um briefing, seu cérebro passa a trabalhar neste job mesmo quando ele está defecando. Não é diferente para outros profissionais da agência. Quem aqui já não passou pela situação de solucionar algum problema enquanto estava dormindo?

Success fee seria perfeito, mas como o trabalho da agência não é o único responsável pelo resultado de vendas, não é tão simples definir parâmetros para medir o resultado.

Talvez o mais próximo do ideal seja fechar um retainer fee com o cliente. Pagar para manter um time na agência que trabalhe independente do meio ou da mídia. Fechar um fee baixo e vincular parte do lucro via success fee é outra boa opção.

Aqui no Brasil algumas agências já estão no meio desta transição, misturando vários modelos de receita. Agências e anunciantes querem ter lucro. Na maioria dos casos, as partes já aceitaram isso :-D e poderão buscar juntos uma solução para os próximos anos.

12 comentários

  1. Nato says:

    Acho engraçado é que em algumas agencias todos os projetos custa o mesmo valor, independente do cliente e tamanho.. é mágico!

    Também tenho um caso bastante comum em algumas agencias que ainda não tem uma política de preço definida:

    1- Primeiro orçamento: chute inicial: R$ 300.000,00
    2- Cliente chora daqui e ali
    3- Segundo orçamento: chute cauteloso: R$ 160.000,00
    4- E mais choradeira
    5- Terceiro orçamento: faça por qualquer preço: R$ 90.000,00

    O que adianta fazer uma estimativa de custo se o valor é reduzido em pelo menos 50%?

    O atendimento sempre diz… temos que fazer não importa como, e o prejuízo vai para onde?

    Alguém ai já acompanho a fundo o custo de projeto? Salários, overhead (energia elétrica, computadores, custo de faxineira, porteiro, café, etc…)

    Como seria o orçamento perfeito?

  2. cava says:

    Então Nato, se o modelo escolhido for o de Hora Homem, o correto seria algo assim:

    1. 1) pegar o salário: salário bruto do profissional
    2. 2) somar encargos sobre o salário: abono de férias, 13º, INSS, FGTS, etc.
    3. 3) overhead: gastos gerais ou custos indiretos como aluguel, IPTU, energia elétrica, profissionais que não são cobrados (faxineiro, porteiro, etc.), etc.
    4. 4) lucro: agência não é ONG
    5. 5) dividir tudo isso pela quantidade de horas “cobráveis” de um profissional.

    O mais comum é repetir estes passos para cada tipo de profissional (programador, atendimento, etc.) e para cada senioridade (junior, pleno, senior, gerente, diretor, etc.) mas algumas empresas também trabalham com hora média.

    Neste caso, ignoram os cargos e senioridade dos profissionais dando peso a cada um destes. O peso seria a influência na média dos valores. Por exemplo, se um diretor de criação costuma se envolver em apenas 5% das horas de um projeto, mesmo que o salário dele seja 2 vezes maior que a média, o peso deste salário será equalizado por seu uso mais comum.

    Trabalhando-se com hora homem, o orçamento perfeito usaria um ratecard bem trabalho e uma estimativa de horas feitas em cima de informações colhidas na primeira fase do projeto.

  3. Daniel says:

    Se não estou enganado, o modelo ultrapassado descrito no post acima leva sim em conta a senioridade dos profissionais:

    - Na hora de estimar, pega-se o Senior-PHD-MasterPica-Premium.

    - Na hora de implementar, temos o Trainee-Insatisfeito-Bucha-de-Canhão-Eterna.

    [ ]

  4. Michel says:

    Já resolvi muitos problemas enquanto tomava banho e pensava no autor deste blog :)

  5. cava says:

    Não entendi Daniel, qual o modelo ultrapassado?

  6. As pessoas nunca se lembram quanto tempo e dinheiro levou para fazer um trabalho desde que este esteja bem feito.
    E a taxa de urgência, o famoso “pra ontem”……..?

  7. Daniel says:

    Cava,

    o “modelo ultrapassado” seria o da tal agência que você descreveu no início do post
    (e que vc não diz o nome “nem sob tortura” hehe).

  8. cava says:

    ah sim, mas isso nao é modelo ultrapassado, isso é malandragem :-D

  9. TheSoulSurfer says:

    o nome ele nao fala nem sob tortura… mas no proprio texto ja se entregou…hehe!
    Atualmente a super chefa se encontra no saco da mao direita, de acordo com a teoria da criacao do universo segundo Cava.

    ###

  10. cava says:

    TheSoulSurfer menino antenado ;-D

  11. Wnegrini says:

    Cava,
    Concordo com quando você fala que é um assunto dificil.
    Nosso modelo de remuneração é diferente do resto do planeta, mas acho que tudo aos poucos vai mudar, não tem como.
    Quando a fome aperta a vergonha “afrouxa”.

  12. Marcel says:

    Ricardo,
    nunca tinha lido seu blog, parei nele pois estava ovindo o braincast #9. E achei este post ótimo! eu sou de porto alegre, estudante de publicidade, e meu trabalho de conclusão do curso ia toma este rumo, discutindo como seria o melhor orçamento para uma campanha de buzz marketing. Mesmo tendo mudado um pouco o foco do estudo, me interesso muito por este tipo de abordagem e te aconselho a dar uma olhada neste blog http://www.rspr.org/tccdeguerrilha/?p=67 , que particularmente eu acho super interessante. no mais é isso, seu blog ja está nos favoritos, e mesmo eu não tendo escutado todo, o podcast ta muito bom!
    abraço e nos vemos nos comentarios!

Deixe seu comentário

Spam Protection by WP-SpamFree

Para receber email sobre novos comentários sem precisar comentar: