O possível impulso da TV digital na venda (e uso) de DVR (gravadores de vídeo digitais como o TiVo) no Brasil costuma atrair dois tipos de comentários:

- Aqui é diferente
Tradução: o Brasil, um país pobre, nunca terá penetração suficiente do aparelho para causar algum incômodo a publicitários e anunciantes.Talvez não seja bem assim. O preço do aparelho pode cair bastante em poucos anos, ser vendido por 12x sem juros ou pela metade do preço no xing ling mais próximo. Também já tivemos outras surpresas no Brasil. Uma delas é ter boa penetração de banda larga (segundo o Ibope, 75% dos internautas residenciais).
Mas não dá pra ignorar que o custo ainda seria alto para o brasileiro médio. De qualquer forma, esta idéia remete a um entendimento errado. Uma boa penetração nas classes AB já causaria um bom estrago para muitas campanhas.
Existem várias pesquisas sobre o uso do aparelho lá fora, algumas apontam 90% dos usuários pulando quase todos os comerciais. Imagine 30% da classe AB pulando 90% dos comerciais. Se você vende churrasquinho grego talvez não faça diferença, mas para um bom número de produtos, isso seria uma visão do inferno.
- Aqui será diferente
Tradução: o brasileiro pode não usar o aparelho como é usado nos países do primeiro mundo. Novamente, mesmo a informação sendo correta, não quer dizer que usaremos menos. Pode ser exatamente o contrário.O próprio uso da Internet é um exemplo, o internauta brasileiro passa mais tempo na rede do que qualquer país no mundo. São 23:30 horas contra 19:52 do segundo lugar, os EUA. Também usamos programas de mensagem instantânea (como o MSN) e comunidades online pra dedéu.
Não importa se é porque gostamos de tecnologia, novidades ou se usamos estes gadgets como sinal de status. Teorias a parte, a única conclusão é que fica difícil fazer previsões além das óbvias. E mesmo as óbvias correm um risco enorme de estarem erradas.
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Eu acredito fielmente que os DVRs vão fazer um enorme sucesso entre as classes A e B. Já é possível ver os primeiros passos disso tomando forma. Televisores com DVRs de até 8 horas já são comuns nas lojas de eletro-domésticos (inclusive nas mais “populares”), e a diferença de preço não é tão grande quanto se pode imaginar.
As operadoras já estão tentando também prover um serviço deste tipo (minha operadora de satelite, já me permite gravar até 12 horas de programas – é claro que ainda com comerciais). Finalmente, o fator “baba-ovo” do consumidor classe média-alta também é um grande contribuinte na questão de aquisição de tecnologia.
Acho que isso se aplica a qualquer nova tecnologia. É difícil tirar conclusões, mesmo as óbvias, porque a coisa pode andar pelo lado completamente oposto. A idéia é fantástica e tende a ser um sucesso? Sim, mas quantas coisas fantásticas já não deram errado?
O Joost mesmo, dos caras que criaram o Skype, praticamente morreu (aliás, o Skype anda meio morto também, né? mas por outros motivos=)) e tinha tudo pra dar certo. Mas não deu. O que nos resta mesmo é esperar pra ver!
Abs,
Luciana