As profecias de Ajaz Ahmed são pesadas e encaradas com muito medo por quem quer manter a ordem. Mas Ahmed não pertence ao Hezbollah ou ao Hamas.
Ajaz Ahmed é co-fundador da AKQA, agência digital independente que ano passado levou o título de agência interativa do ano pela AdAge.
Segundo ele, a agência do futuro será metade empresa de entretenimento e metade empresa de software.
Esta novidade (se é que podemos chamar assim), demanda investimento em pesquisa, desenvolvimento e novos especialistas.
Terceirizar o que não é do core business da agência parece meio trivial, visto que “agência” é aquela que “agencia”, e por fazer isso a décadas não parece trazer nenhuma novidade.
Mas o perfil destes novos terceiros pode ser bem amplo, envolvendo licenciadores, importadores, engenheiros e outros bichos esquisitos. Estes novos fornecedores têm um perfil diferente das produtoras que as agências estão acostumadas a trabalhar. E o oposto é verdadeiro, estas empresas nunca trabalharam com agências.
Prazos malucos, acordos verbais que nunca são colocados em contratos e especificações que mudam sem parar são alguns exemplos de dificuldades que podem surgir neste relacionamento.
E por a agência não ser o maior cliente destas empresas, expressões como “quero pronto amanhã”, “faz no risco”, “te pago em 60 dias”, “faz este de graça, é pra Cannes” ou “muda tudo porque meu diretor não gostou” podem não funcionar mais.
Beira ao ridículo, é como um putanheiro querendo namorar uma crente.
7 comentários
Comentários em blogs:
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Pingback on Aug 24th, 2007
[...] muito legal do Cavallini sobre os novos fornecedores da publicidade. Já saiu faz tempo, mas é cada dia mais pertinente. August 24, 2007 por [...]
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Pingback on Oct 31st, 2007
[...] foi lembrando de um post do Sr. Cava sobre novos fornecedores no mercado publicitário, que por sua vez citava o Ajaz Ahmed, co-fundador da AKQA… Segundo [...]

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É verdade. Gostei da última colocação “é um putanheiro querendo namorar uma crente”.
Realmente não é nenhuma novidade que as agencias “do futuro” serão agencias de entretenimento. Isso já está até acontecendo por aqui e por ali. Mas ainda há muita “resistência”.
Conversar com quem não está plugado no que esta acontecendo com o Marketing, como um todo, tem se tornado bastante complicado. Defensores ferrenhos das formas tradicionais de trabalho custam a aceitar a nova realidade.
De qualquer forma, já estivemos muito mais longe nessa corrida…
Abraços,
Rodrigo Cunha.
Esse treco todo vai gerar o que a literatura de negócios trata há algumas décadas como “conflito de agência” (agency, no inglês). Já era um problema nas áreas financeiras e de entretenimento (indústria de criação). Apenas estamos trazendo isso tudo para o mercado de publicidade. Nenhuma novidade nisso.
Amaral, por isso coloquei um parênteses após a palavra “novidade”.
quem viver, verá.
o dificil é tentar enxergar um P&L de agencia brasileira unificado, proporcionalmente ao discurso “integrado” de várias (quase todas).
Pois é… quando TI encontrar MKT no mesmo espaço temporal vai ser algo interessante eheheh. Trabalho na área de TI e posso falar um pouco sobre ela.
Acho que TI por lidar com áreas críticas dos negócios como produção / venda / estoques / financeiro.. .coisas que não podem parar senão a empresa para, ela foi obrigada a doutrinar as áreas de negócios e estabelecer metodologias. Caminho que as Agencias vão ter que trilhar também.
Ai quem sabe acaba com essas frases “é pra amanhã” etc