As profecias de Ajaz Ahmed são pesadas e encaradas com muito medo por quem quer manter a ordem. Mas Ahmed não pertence ao Hezbollah ou ao Hamas.

Ajaz Ahmed é co-fundador da AKQA, agência digital independente que ano passado levou o título de agência interativa do ano pela AdAge.

Segundo ele, a agência do futuro será metade empresa de entretenimento e metade empresa de software.

Esta novidade (se é que podemos chamar assim), demanda investimento em pesquisa, desenvolvimento e novos especialistas.

Terceirizar o que não é do core business da agência parece meio trivial, visto que “agência” é aquela que “agencia”, e por fazer isso a décadas não parece trazer nenhuma novidade.

Mas o perfil destes novos terceiros pode ser bem amplo, envolvendo licenciadores, importadores, engenheiros e outros bichos esquisitos. Estes novos fornecedores têm um perfil diferente das produtoras que as agências estão acostumadas a trabalhar. E o oposto é verdadeiro, estas empresas nunca trabalharam com agências.

Prazos malucos, acordos verbais que nunca são colocados em contratos e especificações que mudam sem parar são alguns exemplos de dificuldades que podem surgir neste relacionamento.

E por a agência não ser o maior cliente destas empresas, expressões como “quero pronto amanhã”, “faz no risco”, “te pago em 60 dias”, “faz este de graça, é pra Cannes” ou “muda tudo porque meu diretor não gostou” podem não funcionar mais.

Beira ao ridículo, é como um putanheiro querendo namorar uma crente.


7 comentários

  1. 1 Rodrigo Cunha (reply)

    É verdade. Gostei da última colocação “é um putanheiro querendo namorar uma crente”.

    Realmente não é nenhuma novidade que as agencias “do futuro” serão agencias de entretenimento. Isso já está até acontecendo por aqui e por ali. Mas ainda há muita “resistência”.

    Conversar com quem não está plugado no que esta acontecendo com o Marketing, como um todo, tem se tornado bastante complicado. Defensores ferrenhos das formas tradicionais de trabalho custam a aceitar a nova realidade.

    De qualquer forma, já estivemos muito mais longe nessa corrida…

    Abraços,

    Rodrigo Cunha.

  2. 2 Ricardo Amaral (reply)

    Esse treco todo vai gerar o que a literatura de negócios trata há algumas décadas como “conflito de agência” (agency, no inglês). Já era um problema nas áreas financeiras e de entretenimento (indústria de criação). Apenas estamos trazendo isso tudo para o mercado de publicidade. Nenhuma novidade nisso.

  3. 3 cava (reply)

    Amaral, por isso coloquei um parênteses após a palavra “novidade”.

  4. 4 forbes jr. (reply)

    quem viver, verá.

    o dificil é tentar enxergar um P&L de agencia brasileira unificado, proporcionalmente ao discurso “integrado” de várias (quase todas).

  5. 5 PR (reply)

    Pois é… quando TI encontrar MKT no mesmo espaço temporal vai ser algo interessante eheheh. Trabalho na área de TI e posso falar um pouco sobre ela.

    Acho que TI por lidar com áreas críticas dos negócios como produção / venda / estoques / financeiro.. .coisas que não podem parar senão a empresa para, ela foi obrigada a doutrinar as áreas de negócios e estabelecer metodologias. Caminho que as Agencias vão ter que trilhar também.

    Ai quem sabe acaba com essas frases “é pra amanhã” etc :)

Comentários em blogs:

  1. 1 Agência x fornecedores : Colmeia

    [...] muito legal do Cavallini sobre os novos fornecedores da publicidade. Já saiu faz tempo, mas é cada dia mais pertinente. August 24, 2007 por [...]

  2. 2 Jan Chipchase: “user anthropologist” : Colmeia

    [...] foi lembrando de um post do Sr. Cava sobre novos fornecedores no mercado publicitário, que por sua vez citava o Ajaz Ahmed, co-fundador da AKQA… Segundo [...]

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