A imprensa gosta de alardear, com razão, os sucessos que a Internet tem no país: uma das maiores taxas de crescimento de usuários do mundo, maior tempo médio de conexão, maior comunidade do Orkut, um dos maiores acessos do YouTube, país mais premiado em propaganda interativa, o merecido prêmio que esse Overmundo recebeu recentemente, e por aí vai.
No entanto, os porquês são sempre fantasiosos, poéticos, pouco objetivos: o brasileiro adora novidade, ou o brasileiro é mais criativo – ou o mais gozado de todos –, o brasileiro é um povo surpreendente.
Mas tem uma outra possível explicação. Possível e mais interessante. E mais crível também.
Quem já foi a uma LAN house de periferia, quem já conversou com a sua empregada doméstica, com o filho da sua empregada doméstica, com o amigo mais pobre do filho da sua empregada doméstica talvez tenha um início de resposta.
Que tal pedir emprestado o pen-drive que a garotada carrega no bolso, na mochila ou no pescoço? Dos meninos dos Jardins ou do Jardim Ângela. Tem música, tem trabalho de escola, tem foto de tênis de marca, tem as fotos que ele tirou com o celular para ilustrar sua página pessoal e seus nicknames do MSN, tem até umas experiências de colagem fotográfica, uns vídeos caseiros, umas letras de hip hop.
E quantitativamente, a constatação salta aos olhos: a penetração da Internet nas classes mais pobres tem um crescimento exponencial. Todas as pesquisas dizem isso.
Uma vez, perguntei a um garoto da Cidade de Deus como ele gastava o dinheiro dele. A resposta foi óbvia: “Metade para minha mãe, um quarto para meu acesso à Internet em casa (banda larga, claro), mais um pouco para a recarga do meu celular (não dá pra ficar sem) e para minha academia. O restante é para me divertir.” Nada muito diferente de muito garoto bem-nascido, com exceção da ajuda familiar.
E se a gente começasse a perceber que a Internet é um sucesso porque o Brasil é pobre? Porque existem milhões de pessoas que vivem à margem das oportunidades de trabalho, estudo e inserção social. Porque existe uma imensa maioria da população que acha injusta a distribuição de renda do país. Porque toda essa gente quer crescer, quer ganhar dinheiro, quer se informar e se divertir. Porque todos os brasileiros querem se expressar, querem ser ouvidos.
Porque a Internet permite isso tudo e talvez seja a única ferramenta acessível, a única esperança. Bem-aventuradas sejam todas as iniciativas estatais (e privadas) contra a exclusão digital, de investimentos em escolas, de relativização dos direitos autorais, de software livre, de digitalização de trabalhos de domínio público.
Bem-aventurados todos aqueles que acreditarem que esta é a maior oportunidade que o país tem de escapar de um sistema perverso que concentra riqueza e distribui esmolas.

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Texto chupinhado do Overmundo.
Fernand, fantastico este seu tópico, ao menos me sinto menos Quixotesco neste ponto. Há algum tempo venho desenvolvendo trabalhos com esta gurizada, e alguns até mesmo da Cidade de Deus. Dei até um curso de Flash que chamei de curso de desenho animado e foi uma experiencia fantastica. Neste curso pude observar como tem talentos que não se desenvolvem ou desenvolvem para o “mal”. Isto de certa forma me deixou intrigado e conversando com profissionais da instituição (psicologas, assistentes socias, pedagogas) pude constatar que o que faltava era perspectiva. Os talentos estavam sendo mal direcionados. Dai comecei a idealizar o projeto Perspectiva, isto em 2004, que era uma especie de network do bem. O projeto foi desenvolvendo, a primeira versão pública foi em um Wiki dentro do Flash Brasil (que voce deve lembrar), depois eu o transferi para dentro do Via6. Por fim ao ler seu post, estava justamente acessando uma comunidade no NIng e foi um insight instantâneo. A coisa tomou forma e foi criada.
[]s
Caribé
1- A afirmacao do titulo nao é verdadeira, veja este link.
2- O texto é interessante, mas o rebaixamento da iniciativa privada a posicao menor dentro dos parenteses para mim soa como preconceito, o iG sozinho deve ter feito mais pela inclusao digital no pais do que qualquer programa estatal (sem falar na abertura do mercado de telefonia e lan houses)
Oi Fabricio,
Achei bonitinho o gráfico. Mas q instituto fez essa pesquisa? Não é porq é gringo q vou dar mais crédito. Outro dia saiu mais uma pesquisa de um instituto yankee q dava conta de uma situação de penetração no Brasil catastrófica. Pesquisas são pesquisas e eu sou mais a minha. Foi feita pelo Datafolha, mais de 2000 entrevistas, Brasil afora, sem o vies do Ibope, na rua e não por telefone, em mais de 200 municípios seguindo exatamente os estratos da população brasileira do IBGE. Vai por mim q a minha é melhor.
Qto ao seu segundo ponto, se o iG fez mals pela inclusão digital do país do q o governo, não posso afirmar. Só sei q ele fez mais pelo bolso dos share holders do q para o dos meninos da periferia. Coloquei os parenteses só para dizer q inclusão digital deveria ser função do estado, primordial. A iniciativa privada tem outros obejtivos. Ou será q vc acha q o iG está preocupado com a distribuição de renda do país? Porq estaria, alias?
Fernand
Oi Fernand,
Voce pode me passar esta da datafolha por favor? O link, ou uma scaneada por email(meu primeiro nome @gmail.com) ou simplesmente colar os dados principais aqui, ou alguma referencia outra de sua preferencia, eu respeito a datafolha e te darei a razao se os dados apontarem o que vc afirma(a frase do titulo) É bem dificil para mim conceber que quanto mais pobre o pais maior a internet, segundo esta lógica Serra Leoa seria um dos paises com maior percentual de habitantes com acesso a internet do mundo enquanto o Japao troca telegramas, o que nao é verdade.
O gapminder usa dados do Banco Mundial (worldbank.org), mas se vc acha impreciso, suspeito, vendido, “yankee” e/ou pouco confiavel, deixo aqui o pedido para que escolha um outro(ou quantos outros quiser) instituto qualquer que aponte dados mais proximos da sua afiramacao de que “quanto mais pobre o pais, maior a Internet”, veja bem, estou questionando a afirmacao do titulo, se vc me falar que escolheu abrir o texto com uma afirmacao sem base na realidade para ganhar a atencao do leitor ou algo do tipo eu fico quieto.
Acesso a internet (e acesso a conhecimento em geral) é um serviço de utilidade publica sem duvidas, é essencial nao só para o desenvolvemento tecnologico do país mas principalmente o intelectual dos cidadaos é um meio incrivelmente poderoso de emancipacao e deveria ser acessivel ao maior numero de pessoas possivel. Ponto.
É função e dever primordial *da sociedade*, de cada-fucking-um que liga para sua propria liberdade e a do próximo fazer o que estiver ao alcance para propiciar inclusao digital, se isto é melhor atingido através de órgaos oficiais com interesses politicos(os mesmos que adoram querer “regular” a internet) ou por empreendedores que prestam contas a shareholders com interesses financeiros, ou ainda iniciativas maléficas como as de um yankee do MIT, ou de um Astronauta rico extravagante pouco importa, se ajudar o shareholder a ter uma bmw é o que dará oportunidade para as pessoas da periferia de ler os great books de graca, ouvir musica de todos os generos e épocas, ajudar a achar sua vocacao (ou uma namorada que seja)… porra, eu quero mais é que o cara tenha uma ferrari! Os responsaveis por dar a chance a um moleque vislumbrar a web pela primeira vez por linha discada (depois da meia noite para pagar um pulso só) deveriam ser ao menos lembrados e tratados com um pouco mais de respeito.
Assim como vc tem lá seus preconceitos a respeito da iniciativa privada e questiona os seus objetivos, eu me dou o direito de tocar a sineta aqui ao ver o assunto enveredando para o lado do coitadismo como justificativa para aumento do Estado, fechado?
… E essa pesquisa que o Fabricio lincou eh de 2004… de lá pra ca a internet no Brasil cresceu assutadoramente!
Oi Klug.
Sim, a pesquisa é de 2004, muita coisa mudou desde la, a internet cresceu assustadoramente, tanto no Brasil quanto no mundo inteiro, mas isso nao faz da afirmacao falsa uma verdade, dizer que “quanto mais pobre o pais maior a internet” era falso em 2004 e continua sendo falso em 2007.
A relacao ou o “segredo do sucesso” nao é um pra um (até pq nao teria tanta gente tentando explicar se fosse), nao é a regra, nao se aplica a tantos outros paises mais pobres que o Brasil. A pobreza, no caso do Brasil é um dos fatores que contribuiram para a rapida adesao? Sim, mas nao sozinha, nao do nada, nao basta ser pobre ou ter a pobreza como um numero bonito para mostrar ao mundo, tem que ter gente disposta a oferecer servicos para saciar a demanda do outro lado da balanca, do lado que tem recursos para instalar infra estrutura, para comprar maquina, para dar a chance, fazer isto da forma mais otimizada possivel, e lucrar em cima, claro, pois se arriscou para fazer dar certo.
Se o Orkut, Youtube, Photolog, MSN, UOL, IG, Speedy, Counter Strike, World of Warcraft, Boa Bronha e tantos outros serviços financiados e mantidos por empresas ou pessoas que segundo o colega Fernand nao estao estao preocupadas com distribuicao de renda(o que eu pessoalmente discordo) e cujo objetivo principal nao é a inclusao digital(o que eu pessoalmente concordo) são até aqui os motivos que levam as pessoas a querer conectar e que colaboram para o crescimento assustador, palmas!
Com o passar do tempo, seja por um video relacionado do Youtube, ou indicacao do amigo pelo icq, ou uma busca errada no google durante a navegada em busca do pornozao nervoso o moleque que acha bonito escrever errado, ouve funk proibidao e passa o dia agredindo os outros no orkut vai cair num blog, wikipedia, podcast ou pagina com pensamentos e ideias diferentes que podem leva-lo a uma situacao melhor, ou talvez a dedicacao e vontade de montar um mapa do bairro no couterstrike para poder dar tiro nos manés da escola é o que vai faze-lo a aprender programar e pegar trampos no rent-a-coder. E quando isto acontece ta la um a menos para a ma distribuicao, um a menos para servir de massa de manobra pros que governam. O pais pode almeijar ficar rico um dia e dar nascimento ao proximo Google, nao ser apenas o pais orgulhosamente “mais pobre” que da milhoes de usuarios(e verdinhas) para ads dos outros.
A iniciativa privada quebra as barreiras, o governo leva o credito, era esse o ponto, enfim, escrevi alem da conta.