Invariavelmente em minhas palestas, sempre tem alguém fazendo a mesma pergunta. Quando eu acho que essa ou aquela tecnologia vai pegar. Pode ser TV digital, RFID, mobile marketing, computação ubíqua ou qualquer outra.

Não dá para ignorar o fato que é muito complicado fazer previsões, pois novas tecnologias têm muitos obstáculos técnicos, legais, culturais e mercadológicos. Gurus prevêem com facilidade essas coisas porque vivem do glamour de previsões catastróficas que nunca são confrontadas no futuro.

A pergunta é comum porque temos a necessidade de simplificar as coisas e transformar tudo em binário. Pegou ou não pegou, fracasso ou sucesso. Mas na prática, as coisas não funcionam assim. Tudo é bem mais subjetivo e definições como fracasso e sucesso acabam dependendo muito do entendimento de cada um.

Classe social
Pegar é ter penetração nas classes sociais? Mas qual classe? Tecnologias novas tendem a ser mais caras e entrar primeiro nas classes mais abonadas. Ter grande penetração nas classes A e B pode ser perfeito para alguns produtos e insuficiente para outros.

Usado em sua plenitude
Ter penetração não significa estar apto para ser usado em sua plenitude. RFID já é usado pela classe média (no Sem Parar) e pelas classes mais baixas (no Bilhete Único) mas está longe de usar todo o seu potencial. A TV digital é outro exemplo, deve chegar nas classes mais baixas através de um box que não permitirá utilizar a maioria dos benefícios da mesma, como alta resolução e interatividade.

Moda
Sem perder tempo discutindo o que é moda, muitos utilizam o “pegar” como sinônimo de “estar na moda”, geralmente usando como sinônimo de visibilidade. Novas tecnologias costumam chamar atenção antes de atingir sua maturidade, é o que o Gartner chama de um período de “expectativas exageradas”. E justamente por serem exageradas, estas promessas não são cumpridas e saem da moda para somente depois de algum tempo atingirem a maturidade. O melhor exemplo é a Internet, que atingiu o auge da expectaviva exagerada em 2001. A explosão da bolha mostrou que ela não estava madura o suficiente para justificar a euforia.

Marketing
Alguns estão pouco se importando para a tecnologia em si, querem mesmo é saber quando poderão usar para uma ação de marketing. A resposta também depende, pois em algumas ações é possível usar uma tecnologia que ainda não esteja madura e não tenha quase nada de audiência. Isso porque a ação pode gerar mídia expontânea e ligar alguns atributos a marca (como inovação, modernidade, etc.) mesmo que seu “impacto” direto seja mínimo.

Maturidade
Pegar é estar madura? Madura pra quem jacaré? RFID serviu bem o propósito na segunda guerra para identificar os aviões inimigos mas somente hoje conseguimos uma leitura mais confiável para controlar grandes cadeias de suprimento.

Enfim, parece papo de consultor (que nunca dá uma resposta direta para uma pergunta), mas a verdade é que esta pergunta de “quando esta tecnologia vai pegar”, não tem resposta, a não ser que seja melhor formulada.

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