O Net/Ratings anunciou sua mudança de métricas passando do tradicional PageViews para o Time Spent. Aqui no Brasil, o Ibope (leia-se Ibope Net/Ratings) já sinalizou ir para o mesmo caminho.
Até agora não consegui achar um único texto que explique melhor o assunto, mas uma coisa ficou clara. Todo mundo parece estar perdido e sem rumo.
Soltar informação ou release sem detalhes técnicos apenas coloca lenha na fogueira e gera uma falsa sensação de estarmos trabalhando em um meio cuja mensuração de resultados é muito confusa.
Uma pena, conseguimos uma precisão muito maior de informações na Internet que em outros meios e no final, parece que estamos andando em círculos.
Que pageviews não é ideal para medir resultados nós sabemos. Muitos sites tem metade de seu acesso vindo de RSS. Outros, trabalham com Flash e por isso todo o site é acessado em uma “única página e um único pageview”. O mesmo vale para aplicações com vídeo ou jogos, cujo pageview não reflete a “atenção” cedida pelo consumidor.
Mas time spent? Não muda nada, nada se resolve. Primeiro porque time spent é uma medida obtida com muito menos precisão técnica que pageviews. Segundo porque time spent não pode ser encarado como uma medida única. Pegue um site de comércio eletrônico, um site de jogos e um site notícias. Se todos tiverem o mesmo time spend isso não significa que todos tem o mesmo valor de mídia. Pior, em alguns sites, uma melhoria na usabilidade pode derrubar pela metade o tempo médio de permanência.
Se estamos caminhando para alguma medida mais próxima de conseguir audiência e freqüência, a mudança continua sem fazer sentido, pelo menos da maneira que foi (pouco) explicada.
O serviço não vai parar de medir nada (acredito) e por isso, poderemos ignorar o ranking oferecido e trabalhar usando as informações que forem mais lógicas para cada caso. Isso é bom, mas pensando assim, se os valores continuarão a ser medidos, o que muda na prática? Nada!
Métricas não podem ser padronizadas, devem ser únicas. Assim como o objetivo, estratégia e escolha dos canais, a métrica utilizada para medir retorno deve ser específica para sua ação. Enquanto pageviews e tempo de exposição têm lógica para uma ação, podem ser inúteis ou burros para outra.
Isso não é exatamente uma tarefa do Net/Ratings e sim de agências e anunciantes. O Net/Ratings deve sim é conseguir informação mais relevante, mais precisa e mais profunda.
Talvez até mudando sua metodologia de mensuração. Mesmo acreditando na eficiência das fórmulas estatísticas, a amostragem deixa de fora uma quantidade imensa de sites de nicho por terem apenas “traço de audiência”. A Internet é um veículo de massa, mas sua fragmentação torna importante a medida de sites menores (falarei sobre isso em outro post).
É esperar pra ver, espero estar fazendo tempestade em copo d’água.
RSS
17 comentários
Essa história de tempo de visitação parece ser feita para os portais. Só eles teriam a ganhar com isso. Os aproximaria de um canal de TV, e os mídias velha-guarda entenderiam.
É verdade… imagina um site marromenos feito todo em flash e pesado pacas. Na medição por page view ele vai ficar bem aquém da realidade (tipo, ele não é tão pouco acessado assim vai…), e na aferição por tempo de permanência, por ele ter loadings demorados, vai parecer um puta site bom (e ele tb não é tudo isso…). É preciso achar um meio termo. A Internet é constantemente tratada com resultados quantitativos, enquanto eu acho que o conteúdo da rede tá muito mais pra qualitativo.
Tai um complexo quebra cabeças, ou seria complexo pela otica de quem avalia?
O Google ja deu uma pista, e vende cliques e não hits. Se o tempo for um valor plausivel com certeza ele não será atribuido ao anunciante, pelo contrario se o conteudo for bom ou malicioso (como falou Klug nos comentarios) nao signifca que o anunciante tera bom resultado. Partindo do presuposto que o conteudo seja bom o suficiente para o usuário ler um post como este, pergunto: Se tivesse um banner la encima, voce teria prestado atenção nele?
Alias venhamos e convehamos, boa parte do modelo de publicidade na web é pra la de ineficiente, incluo os banners ai. Conheco muita gente que navega com bloqueador de banners. Vejo modelos criativso, vi outro dia um no eMarketing que era uma perna de mulher chamativa, e ao passar o mouse desenrola um video, do tipo quem é esta mulher, e voce acaba prestando atenção, legal, muito legal. Mas ideias acabam saturando, até mesmo as boas ideias como o AdWords, que ja estão naturalizando em nossas vistas.
Who know the future?
O modelo de pay per click funciona apenas para alguns objetivos.
Sobre ineficiencia da publicidade na web, usando o mesma lógica, podemos dizer que a midia tradicional tambem é. As pessoas também ignoram comerciais de 30 segundos e páginas em revistas.
Uma das mais famosas frases sobre nosso mercado diz que metade da grana gasta em publicidade é perdida, porém o problema é descobrir qual metade.
Ok Cava, vou “maneirar” no meu discursso apocaliptico
Imagine só se os caras cobrarem pelo tempo que as pessoas utilizam o site. No Brasil, por exemplo, o Orkut e o Msn seriam tão caros que ninguém investiria nestes veículos, comparando-os aos portais.
Digamos que eu estava visitando um website… ja eh tarde da noite e resolvo ir dormir… mas deixei o computador ligado com o browser funcionando… e ai? o Time Spent no site que ficou la na maquina sera de 8 horas?
E velocidade de conexao? isso tambem nao infuencia no tempo gasto no website?
Isso se deve ao uso de AJAX que diminui drasticamente o número de pageviews de um website.
Faz sentido medir o tempo.
[]‘s
komel
Geralmente o timeout é configurado para 30 minutos do ultimo uso. Sem uso quer dizer, sem fazer requisição ao web server.
Por isso eu disse, a precisão usando time spend é muito menor que pageview. Durante estes 30 minutos você pode continuar lendo uma página, mas sem fazer nenhuma requisição ao server.
Velocidade de conexão influencia no tempo gasto para arquivos maiores (como um vídeo ou um jogo).
Komel, eu falei sobre isso no texto. O problema do Ajax é o mesmo do flash e do rss. O fato dos pageviews serem menos precisos não significa que time spent tenha mais logica.
“GOOGLE
O famoso site de busca, que vinha liderando o ranking do Nielsen por page views, passa a ocupar a quinta posição dos sites mais acessados, pelo critério de minutos gastos nas páginas da web.”
Coxinha esse post, hein!? ahahahahah.
Arteze, pelo que o povo fala e pelo o que eu tenho percebido, só posso concluir uma coisa: você é um b*sta!
Hahahah! Adoro piada interna…
Uau! Até que enfim um post macho… Que aconteceu? Vc precisou se esconder em outro continente pra ganhar toda essa coragem? Vem me xingar nas férias, ahaha. Melhor parar porque tá paracendo o Blog da Vovó Danada, ahahahaha. O que mais diz o Google, Valtinho? (Cava…vamos melhorar essa moderação, hein?)… bj
To fazendo um job com esse assunto. Meu cliente é LIDER em tempo de navegação em todas as categorias que atua.
Eu acho que continuamos na mesma merda. Nunca curti o pageview, não gosto do time spend. Prefiro os dois juntos do que separados (ou isolados). Cava, você tem alguma sugestão?
Acho que (como eu disse no texto) nao existe solucao unica. O que o Net/Ratings precisa prover são informações. E prover cruzamentos e filtros para usarmos da maneira que for conveniente.
O basico todo mundo ja tem, time spent e pageviews. E sendo chato, eu tambem faria um bom trabalho de usabilidade na ferramenta.
Nao sei exatamente como foi este movimento de mudanca, mas pareceu ser algo politico e não muito planejado. Discutir isso com a IAB e outros interessados que entendem do assunto teria sido inteligente, nao tenho ideia se isso foi feito.
Como o Net/Ratings não parou de medir pageviews, concordo com voce, mudamos e ficamos na mesma. Fazer um ranking por minutos sera bom para alguns e pessimo para outros. La fora, a AOL saiu de 5 lugar para 1. Aqui no Brasil, tem grandes chances da Globo.com sair do sexto ou setimo lugar e pular para o primeiro.
Pra quem usa a “superficialidade” do ranking, isso muda tudo. Para quem faz um planejamento mais consistente, isso nao muda nada.