Cava, há tempos estou para escrever um texto pro Coxa e depois de ler o texto do Sergio Mugnaini refleti e resolvi gastar algumas parcas linhas falando do que sei de movimentações para garantir um futuro melhor para o meio internet e para os profissionais nele inseridos / relacionados.

Desde que comecei a trabalhar exclusivamente com internet [isso lá em 2000] bato na tecla de que o meio só iria decolar quando os investimentos aparecessem no Ibope Monitor. Isso porquê é nele onde se acham as verdades do mercado, onde os bons mídias buscam saber do próprio anunciante, dos concorrentes, da categoria, enfim, do volume de dinheiro investido na mídia em geral. Isso direciona planejamento e ações estratégicas / táticas do tipo nossa concorrência migrou para patrocínio, vamos barrar, sai da veiculação NET e foi para local, a tática é vinhetagem, e por aí afora. E isso não é frescura de profissional não, pois é o primeiro passo para qualquer grande agência começar qualquer coisa. E ainda não temos nada de investimento publicitário de internet ali. Vá lá, já temos no Intermeios mas é uma análise muito mais financeira que de mídia.

Para chegar no estado da arte [que é ter os números no IbopeMonitor] precisamos maturar o mercado, e para isso foi necessário fortalecer a AMI [hoje IABB] possibilitando que os grandes portais sentassem a mesma mesa para discutir coisas básicas como o “pacote universal” de formatos e pesos, e me parece que o consenso vai até o full banner, passa pelo super e morre no square].

Enfim, hoje podemos dizer que os portais conseguem conversar de maneira civilizada. Depois disso e com o envolvimento do IBOPE me parece que em breve teremos esses números, ainda muito longe de se chegar num consenso do tamanho do mercado, investimento direto x agências…….. mas é um primeiro movimento. Após esse passo podemos pensar em refinar a metodologia.

Outro ponto que tenho observado nas agências é a demanda por ciência, assunto que merece um post exclusivo e técnico, e que por ser chato vamos tratar de maneira rápida. Os grandes anunciantes querem investir mais no meio, só que o farão quando tiverem certeza da assertividade, otimização e da rentabilidade como isso será feito. O que eles querem, nada mais nada menos, é um software de simulação de alcance e freqüência, que já existe para o offline. De maneira tosca eles querem saber o que é melhor, fazer uma diária em cada portal, concentrar em 2 pois existe grande sobreposição da audiência nas home-pages, trabalhar com impressões, patrocínio, selos e botões…….. cobertura, freqüência, flights horizontais, de pulso……….. para tal precisamos de mentes que conheçam de mídia, pesquisa, universos e amostras e do meio internet. E aí esbarramos no problema criado lá na bolha da falta de profissionais e de envolvimento dos grandes players do mercado; sem falar no tanto de confete que jogamos em nós mesmos e não conseguimos limpar depois.

OBS: Ano passado em diversas reuniões nos clientes ouvi o discurso do ultimato: – Ou minha agência recomenda internet ou vou trocar de agência / mandar o online para outrem.

Penso também que poderíamos ter mais resiliência e treinamento. Eu por exemplo só consegui fazer pós e cursos de especialização depois que saí do mundo da agência, por tempo hábil e ajuda no custo. Anunciantes e veículos treinam a mão-de-obra, o que dificulta ainda mais o trabalho de convencimento por parte das agências, que no seu quadro de profissionais tem executivos que atendem na mesma carteira 5, 6 ou mesmo 7 segmentos da economia / categoria de produtos, e sabemos que é humanamente impossível ser um expert ou ter profundo conhecimento em mercados tão díspares quanto higiene pessoal e metalurgia.

E resiliência para entender que não estamos falando de arte ou prêmios ou egos, e sim de negócio. E isso é muuuito diferente de só dizer sim.

Cesar Senatore é Gerente Geral de Publicidade do UOL.


5 comentários

  1. 1 Carlos Valverde (reply)

    Oi Cesinha,
    Entendo perfeitamente o seu aflito quando falamos da medição na audiência da internet. Hoje, para chegarmos a esse sonhado estado da arte, precisariamos ter um esforço maior do Ibope para mensurar isso, sendo que a própria predicta tem um software q vc consegue medir a pessoa impactada antes com desejo de compra e depois da compra efetuada. Se isso já existe, aplicar para audiência não seria nada impossível e resolveria um pouco a vida dos executivos e dos mídias.
    Abs,

  2. 2 andre (reply)

    caro cesinha,

    por mais que acredite na ‘ciência’ de um planejamento de mídia, com estratégia e táticas eficazes, gosto de acreditar que isto é cada vez menos tangível no mundo.com, o que quero dizer é que cada vez mais nos tornamos revistas, ou um meio ainda sem uma definição clara (e é isso que gosto, esta geleia geral), critérios sempre terão que existir, mas serão uma mistura maior entre o qualitativo/quantitativo. Preste atenção aos termos que usamos em publicidade: campanha, estratégia, tática…parece um dicinário de algum manual de guerra, só que é uma guerra comercial…

  3. 3 Patricia (reply)

    Pois é pra gente que planeja midia on-line desde o século passado a sensação que tenho é que vivemos em looping….Sem pesquisa, com pouca ciência e justificando as mesmas e eternas dúvidas do passado! E o que é pior…com poucas ferramentas, temos que ficar justificando o ACHISMO… e se já percebeu como esse povo acha???!!!
    Paty Fleury

  4. 4 Trzmielina, Marcello (reply)

    Cesinha,

    gostei da iniciativa de escrever sobre esse assunto.
    Comecei a escrever um POST chamado CPM ou Salsicha. Parei, tava muito agressivo.
    Vou rever e mando um dia quem sabe.

    Quanto ao tema, man, acho que a linha está correta, vejo alguns pontos que são complementares ao assunto e vou mais além.

    A Internet só mesmo começa a fazer $$ depois que uma geração inteira rodou, não podemos esquecer a tão famosa LINHA DO TEMPO, a moçada do mercado rodou e subiu, e assimui posições importantes e decisivas.

    RESUMINDO: o PROBLEMA DO MERCADO PONTOCOM SÃO OS PONTO SEM, que PARTIRAM!!!

    Trz

  5. 5 cava (reply)

    Eu acho fundamental termos mais informação e informação com mais precisão. Mas eu ainda acho que na prática isso é conseqüência e não causa.

    A cobrança por números será maior quando o investimento crescer (que está acontecendo agora).

    Claro que tudo ajuda, mas acho que o crescimento não aumenta mais rápido por outros motivos.

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