Acabei de ver alguns comentários sobre a premiação em Cannes e queria discutir alguns pontos. O primeiro deles que esse texto é um comentário que não diz respeito à agência na qual eu trabalho, mas sim de uma visão mais generalizada de até onde queremos chegar com a internet no Brasil.
Até onde o Festival de Cannes vai ser usado para lançar e promover pessoas e agências ao invés de reconhecer os melhores trabalhos? Até onde cyber será responsável por mudar uma percepção inteira de um mercado, mesmo ela sendo ilusória? Acho que está mais do que na hora do Brasil abandonar essa estratégia e alinhar um discurso de só pensar de uma maneira: de fazer um trabalho consistente, trabalho de verdade que apareça de uma forma relevante no cenário mundial. Trabalho que os suecos fazem, por exemplo: eles criaram uma verdadeira escola de como fazer algo de verdade e brilhante. De ver a Crispin e a Goodby inovarem a cada campanha e querer descobrir como eles conseguem fazer aquilo? De mostrar que não se ensina internet transformando uma equipe inteira de offline em “criadores” de peças online de uma hora para a outra. As pessoas devem aprender na prática do dia-a-dia dos jobs, integrando os departamentos e enriquecendo os negócios de seus clientes.
Acredito que a categoria de Cyber é muito maior do que isso e tenho certeza que algumas agências e profissionais do Brasil também compartilham esse pensamento. Compartilham que a internet brasileira tem um futuro brilhante, verdade essa dita por alguns jurados internacionais que conversei por aqui.
O que realmente falta no Brasil é fazer com que as pessoas que trabalham com internet percebam a real necessidade de reavaliar alguns pontos, alguns conceitos e recomeçar um trabalho muito bem embasado para que daqui a alguns anos, tenhamos uma boa base para trabalhar. E uma base dessa não é montada de um dia para o outro.
Precisamos pensar em construir um mercado que faca com que aqueles dois brasileiros que ganharam o Young Creatives tenham orgulho de trabalhar, em um país aonde o trabalho é realmente respeitado. Assim, eles não precisariam depender do sonho de sair do país para ter um verdadeiro trabalho.
Vamos encarar a internet de uma forma séria, de uma forma verdadeira? Seria fabuloso que todos vocês pudessem fazer comentários e críticas a respeito desse assunto para que o país volte a ganhar o prestígio que tivemos um dia. Esse é o lugar do Brasil e devemos tomar um certa cautela em apoiar atitudes não pensadas por algumas pessoas desse meio.
Se isso não acontecer, o Brasil só tem a perder. Perde profissionais por não acreditar que podem fazer um trabalho consistente. Perde clientes porque eles não vivem de prêmios - vivem de produtos, vendas, serviços. O Brasil sai perdendo com tudo isso e só resta uma saída: cada um parar e pensar no que podemos fazer para mudar esse cenário e tentar reverter essa imagem desgastada de um país que, a cada ano que passa, perde mais credibilidade no nosso meio.

RSS
Pois é…não dá pra comparar o trabalho dos caras de fora com o do Brasil. Eles tem 1 ano pra fazer um site e esse site ganha Grand Prix por pura excelência. O Brasil vai lá, inscreve 8000 peças e ganha com banner chupado de outro banner, com pecinha de sacadinha…tudo falso, tudo cheirando a golpe. Todo o caráter underground que a internet tinha, aquele lance de fazer tudo diferente, anti-sitema, inovador de verdade já era. Viramos um bando de publiciotários, isso sim. Daqui a pouco os nêgos vão subir no palco com gravata de Washinton Olivetto. Viixeeeeee…
O texto do Sergio merece outros vários textos dissecando o assunto todo.
Todo mundo tá cansado de saber que festival é DE criativo PARA criativo; as peças se preocupam mais em ganhar prêmio que vender o produto / conceito.
As agências de publicidade estão no meio do caminho de onde sai o dinheiro e de onde ele vai parar [cliente / veículo], logo é a parte que sofre primeiro e em ambos os lados.
Os salários [alguém aí aceita ter o seu diminuído] não estão perto da realidade do mercado brasileiro, e ponto. Uma agência que fatura 400 milhões [de verdade fatura quando muito 20% disso] não pode ter 30 diretores ganhando R$ 50 mil por mês, é matemática.
O anunciante que AINDA não está na web não o fez por querer mais técnica e mais ciência, e isso só quando o mercado tiver maturidade para dividir esse custo.
É, penso que ainda falta um pouco pra chegarmos em algum lugar mais confortável por assim dizer.
Eu não acredito que os dois brasileiros que ganharam o YC serão transformados em mega talentos especias porque venceram a premiação. Não conheço o portfólio de deles, mas a peça que ganhou a não é nada original, já que existem outras, inclusive já premiadas em Cannes, que tem a mesma “resposta” criativa proposta, esse maniqueísmo de “para adireita é bom, para a esquerda é ruim”. A própria DM9 ganhou um Leão ano passado, se não me engano, com um trabalho para a Fedex que tinha o mesmo sentido, a mesma idéia básica. Claro que tais profissionais podem se tornar grandes criativos, sucesso mundial, mas não por esta peça, ao menos no meu conceito de criatividade.
Acho excelente que exista espaço para reflexões como a sua, Sergio.
Penso também que é notória a superioridade da Crispin, da Goodby e até mesmo da R/GA no que diz respeito a compreensão do que é digital e a prática disso. Basta ver o que foi inscrito: a natureza dos projetos, o perfil dos anunciantes e até mesmo os resultados dos cases gringos. A distância que nos separa ainda é grande.
As redes estão também correndo atrás. Taí a Ogilvy abocanhando Grand Prix. Acho emblemático também que a BBDO tenha à frente da operação na América do Norte o David Lubars, um cara que entende muito de digital (pra quem não sabe o cara criou e vendeu BMW Films, assumindo o risco, afinal era diretor de criação e presidente da Fallon na época). Tá certo que ele tá reestruturando toda a operação mas já tem uns projetos cross media de Mountain Dew MDX, os outdoors interativos da BBC America, os mobpisodes de Snickers e o GE One Second Theatre que tangibilizam bem este entendimento.
Enfim… que dias melhores venham pra gente. Penso, como você, que somos todos agentes dessa mudança. Espero muito que possamos ajudar a construir esse espaço para que possamos trabalhar melhor no futuro, aqui mesmo no Brasil, e diminuir essa distância que existe e, como foi colocado, não é pequena.
Falando do que você não quis comentar, até porque tem muita gente muito literal e que iria confudir tudo, acho que faltou leão pra Almap. Gosto muito dos projetos do Greenpeace e dos robôs da Audi. Não estava lá, não vi portanto, mas imagino que tenham inscrito. Acho o primeiro muito bem resolvido em termos de conceito e execuçã e o segundo, da Audi, um case completo e competitivo - na minha visão - neste cenário de primeiro mundo.
; )
Abs,
Paula
Este é um assunto polêmico e talvez pelo medo de criar inimigos as pessoas evitam de comentar por aqui. Mas por ser o proprietário deste blog (haha) recebi muitas críticas por email e msn.
Queria fazer aqui uma defesa ao texto do Serginho. A Almap fez 4 inscrições em cyber este ano (com 3 peças). O discurso pode parecer impróprio, mas ele não é distante da prática.
Se a Almap está valorizando qualidade ao invés de quantidade, mesmo que pareça desdém para alguns, é uma prática que mostra um caminho que eu acredito. E que pode trazer mais resultados concretos para o nosso mercado.
Eu prefiro isso a escutar que escutar alguma agência dizendo que se arrependeu de inscrever dezenas de peças para depois de ganhar dizer que tudo não passou de uma estratégia para treinar seus profissionais.
Cava,
Nego se caga de falar demais e depois morder a lingua e ter que pedir emprego pro bahiano. A realidade é que a discussão é saudável pra todo mundo.
Não é novidade falar da falta de maturidade do mercado publicitário no Brasil. Cannes é um sinal. Criativos saindo do país é outro sinal.
A falta de preocupação com resultado e a desvalorização do desenvolvimento profissional mostra resultados. A forma como os grandes sócios de agências dirigem o mercado é a mesma de muitos anos atrás. Mesma politicagem, mesma espectativa de fazer dinheiro a todo custo… E desse jeito todo mundo vai embora.
Aqui fora o filme de brasileiro está completamente queimado quando se trata de premiações. A fama é: quem faz o trabalho down and dirty, não sabe lidar com profissionalismo. Nem resultados.
Falar que a taxa de click no banner é acima da média não significa nada. Publicidade efetiva aqui é calculada no bolso do cliente, se ele duplicou as vendas ou não.
A gente aprende tudo errado no Brasil… e ai, só saindo do país pra entender como o mundo real funciona. O país tem muito talento, muito sangue-nos-olhos, mas isso não dura muito. Desapontamento vem bem antes do profissional amadurecer.
To cansado de ouvir discurso egocentrico de moleque de 24 anos que ganhou leão com campanha da click e agora acha que está pronto pra ser diretor de criação ou ir pra fora e encher o cu de grana.
Nossas agências patrocinam profissionais inexperientes e imaduros com a ilusão de que é ganhando prêmio que se ‘cresce’ na área. Daí na hora de fazer publicidade de verdade, consistente e efetiva… não consegue.
Não precisamos de radicalismos pra entender que com ou sem prêmio o mercado precisa mudar. E prestígio a gente só reconquista entregando resultados para os clientes.
Parabéns ao Serginho pela atitude.
Putz, Cava, eu queria saber que “muitas críticas por email e msn” foram essas.
Tem como ?!
; )
não rola citar nomes, mas as criticas foram todas batendo em um unico ponto, dizendo que o texto é cinico. Nao vou entrar em detalhes, mas a logica das reclamacoes era algo como “nao cuspir no prato que comeu”.