Continuando com as dicas do texto anterior.
Quarta dica, o ser humano é mentiroso.
Nós nascemos para mentir, seja de maneira consciente ou inconsciente. Pergunte para as pessoas se elas são racistas. Em seguida pergunte para as mesmas pessoas se elas têm algum amigo racista. A primeira pergunta vai provar que não existe racismo. A segunda vai provar que o racismo não só existe como é enorme, pois todo mundo tem pelo menos um amigo racista. A menos que você esteja fazendo um teste psicológico, as duas perguntas são inúteis para descobrir a verdade.
Quinta dica, seja crítico também em relação as análises já executadas por outrem.
Indagados em uma pesquisa, 50% dos entrevistados admitiram mentir em respostas que pudessem demonstrar alguma falha de caráter.
Ora pois, sabendo que metade mente para parecer mais nobre, os 50% que não admitiram mentir estão – portanto – mentindo. Descobrimos então que 100% dos entrevistados mentem em pesquisas, mas apenas a metade admite isso.
A afirmação acima tem uma grosseira falha de lógica, mas algumas análises têm erros mais sutis, por isso ler somente a análise pode ser perigoso.
Sexta dica, cuidado ao analisar cenários ainda em evolução.
Exemplo, a aceitação do consumidor em relação a alguns produtos. No começo da web, o resultado de click through de banners era altíssimo, hoje é pífeo. Na época, qualquer banner tinha alta performance, porque era novidade. Hoje, precisa ter muita criatividade para conseguir uma taxa 5 ou 10 vezes pior que em 1996.
Outro exemplo, as pesquisas hoje mostram que jogadores adoram propaganda em games porque ela os torna mais reais. Publicitários já perceberam isso e nos próximos anos irão inundar os jogos com campanhas estúpidas e sem pertinência. Em poucos a mesma pesquisa apontará um resultado oposto.
Sétima dica, não economize na pesquisa.
Invista em qualidade da amostra, consumidor não consegue visualizar além do “rough”. Invista em um bom moderador nas pesquisas qualitativas. Moderador é que nem camisinha, o bom senso manda usar e usar uma que não seja boa é burrice.
Oitava e última dica, estimativas
Já fugindo um pouco do assunto sobre pesquisas, mas mantendo o foco nos institutos que as fazem. Estimativas não são nada além do que isso: estimativas.
As previsões dos institutos de pesquisa mais sérios e respeitados acabam sendo tão distantes uma da outras que fica inviável saber em quem acreditar. Tem um bom exemplo abaixo:
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Estimativa de crescimento do investimento em propaganda online nos EUA para 2007 (comparado ao ano de 2006)
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| JMP Securities | 25,8% |
| Merrill Lynch | 21,9% |
| Citigroup Investment Research | 20,9% |
| Forrester | 14.1% |
| Jupiter | 12,7% |
| Borrel Associates | 10,2% |
Agora, vai entender porque a Borrel disse 10,2% enquanto a JMP disse 25,8%. Eu pelo menos, não tive acesso as metodologias.

3 comentários
Pesquisas são para os fracos.
Eu minto nas pesquisas.
Eu sempre falo a verdade.