A nova moda é levar a propaganda ruim onde o consumidor está, seja na rua, na casa ou na fazenda.

Para quem não conhece, a descrição breve para digital signage seria utilizar displays eletrônicos (plasma, LCD, etc.) para passar uma mensagem publicitária.

Três coisas impulsionam a nova onda:

  1. diversas empresas de mídia exterior procurando ampliar seus negócios, ou até mesmo salvar seu negócio, visto a introdução do Cidade Limpa.
  2. imitação de modelos que viraram moda lá fora (lê-se EUA)
  3. e o mais importante para o mercado:

  4. o fortalecimento da idéia que “freqüência” é um termo que deveria ser independente da mídia. Em outras palavras, freqüência significa receber a mesma mensagem, não o mesmo comercial e muito menos “no mesmo veículo”, visão que compartilho e que arrepia os mídias tradicionais que tenham preciosismo com terminologias.

digital signageAcho ótimo que novas empresas tragam soluções de digital signage. Novos displays e possibilidades de distribuição (como banda larga que pode ser facilmente instalada nestes pontos) abrem possibilidades para aproximar marcas e consumidores.

Com isso, vemos uma proliferação de empresas apostando em digital signage. O mais comum é a empresa ser especializada em algum lugar específico. Com lugar quero dizer barzinhos, hospitais, elevadores, ônibus, metrôs, restaurantes, supermercados ou até mesmo grandes cadeias de varejo, como Pão de Açúcar ou Casas Bahia.

No princípio, não tenha dúvida, teremos mais do mesmo. Ou seja, mais poluição visual com os mesmos anúncios intrusivos, sem graça e pouco efetivos. Estes que talvez sejam tão culpados para declínios dos meios tradicionais quanto a Internet e outros vilões.

Mas olhando a longo prazo sou otimista, resta esperar que agências entendam o verdadeiro potencial e comecem a fazer coisas mais interessantes e menos intrusivas.

Update

Em outro site, o texto foi criticado por 2 caras porque entenderam (na verdade não entenderam) que eu estava criticando o meio. Eu deixo claro quando uso as duas expressões “No principio” e “a longo prazo” que não sou contra o meio e sim a má utilização do mesmo.

A maior defesa dos críticos é que o meio é informativo, uma evolução (segundo eles) do cartaz tradicional.

O que eu acho. Evolução remete ao entendimento de melhorar algo. Evolução de cartaz é fazer cartaz bem feito, não importa a tecnologia utilizada. A não ser que estejamos falando sobre evolução tecnológica, mas aí fugimos do assunto comunicação.

A argumentação sobre passar informação, isso é balela, toda e qualquer propaganda pode usar deste argumento. Alias, é este o argumento utilizado na campanha contra o Cidade Limpa. Ridículo.

Minha crítica sobre o mau uso no começo não é nova, qualquer tecnologia sofre do mesmo problema. Não importa se falamos de novidades como o Second Life ou mesmo TV e Internet. No auge da novidade, a exploração do meio é feita apelas pelo glamour, sem trazer nenhum benefício real.

Com a poluição, os consumidores são obrigados a aprender a abstrair, tornando o meio menos eficaz e obrigado marketeiros e publicitários a - aí sim - evoluir, tornando sua mensagem mais atrativa, menos intrusiva, menos descabida.

Propaganda boa é propaganda que funciona, não propaganda que usa um meio mais moderno. Qualquer pesquisa atual sobre resultados em digital signage não pode ser usada para previsão de nada, porque mostra apenas a realidade de hoje, não de amanhã. No começo da web, o resultado de click through de banners era altíssimo, hoje é pífeo. Na época, qualquer banner tinha alta performance, porque era novidade. Hoje, precisa ter muita criatividade para conseguir uma taxa 5 ou 10 vezes pior que em 1996.

Outro exemplo, as pesquisas hoje mostram que jogadores adoram propaganda em games porque ela os torna mais reais. Publicitários já perceberam isso e nos próximos anos irão inundar os jogos com campanhas estúpidas e sem pertinência. Em poucos a mesma pesquisa apontará um resultado oposto.

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3 comentários

  1. 1 cava

    Faltou dizer: escrevi sobre o tema depois de ter lido a primeira versão impressa (disponível em pdf no site) da Bites, projeto que simpatizo muito e recomendo a todos.

  2. 2 cava

    adicionei um update no texto

  3. 3 Tom Shen

    Caro Ricardo,

    Matéria muito pertinente para o momento. Dizem que febre faz aumentar a atividade. Mas de vez em quando deve administrar um antifebril para controlar a febre. Muito boa a matéria.

    Sou da sub-comitê de Digital Signage do POPAI do Brasil que trabalha para que a Digital Signage siga um caminho construtivo para o benefício de todos. Pregamos que a mensagem ao consumidor é a peça mais importante do sistema. A Digital Signage não vende o produto. É a mensagem que vende. A Digital Signage só entrega a mensagem.

    Abraços
    Tom

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