Se você é o único (ou um dos únicos) que faz o que você faz, tem duas maneiras de enxergar isso.
Uma é achar que você é a cereja do bolo, e por isso será cortejado e gozará de todos os benefícios por ser único. A outra é achar que é um animal em extinção, porque ninguém valoriza o que você faz, e por isso todos os outros que faziam a mesma coisa morreram de fome ou se picaram.
No primeiro mundo, você tem mais chances de ser a cereja. Aqui, dados estatísticos não confiáveis criados pela minha medíocre observação mostram que você está quase extinto.
Alfaiates, ourives e sapateiros são bons exemplos. Já próximos do tema do blog temos arquitetos de informação, caras de motion design, 3D e sound designers.
São mundos diferentes? Sim, claro. Enquanto alguns tendem a se extinguir pela mudança cultural, outros apenas sofrem por trabalhar no escasso mercado que vivemos. Mas na prática, se você pertence a alguma dessas especializações, seja motion design ou sapateiro, aqui no Brasil você vai ganhar menos que flasheiros que têm 2 anos de carreira, sabem mexer em um único software, conhecem uma linguagem de script que nem podemos chamar de linguagem de programação e não entendem nada de design.
Você pode dizer. Ahhh, arquiteto de informação tem nhém nhém não sei quantas nhém nhém nhém empresas que têm. Isso não vale nada, 8 ou 10 empresas e nada é a mesma coisa. Eu poderia rebater dizendo que profissão boa mesmo é medicina, que só no Hospital Albert Einstein, tem mais médico que diretor de arte no Brasil inteiro. Profissão boa é engenharia, que só na Volkswagen deve ter mais que engenheiro que a soma de todos os flasheiros que já nasceram no Brasil.
Não estou reclamando não, é só uma constatação. O ponto é que não tenho o que falar quando alguém vem chorar no meu ombro quando não arruma emprego, sendo que escolheu uma especialização que tem 5 ou 15 vagas nos 8 milhões e meio de quilômetros quadrados do nosso país.

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Concordo com seu ponto de vista. Mas é fato que, não importa se você está ou não na lista de animais em extinção, se você faz muito bem o que faz, não corre o risco de desaparecer. Um bom alfaiate, se for o melhor, com certeza vai continuar vivo. Por outro lado um bom flasheiro pode ter que enfrentar amanhã milhares de flasheiros melhores. O negócio é ser muito muito bom no que você faz, daí emprego pode até não sobrar, mas dificilmente vai faltar.
Falou e disse Galvão.
E se faltar sempre vai ter gente em Dubai ou Bahrain querendo te contratar.
Experimente “ter um olho só” trabalhando no interior de SP. As empresas sugam até a última gota do teu sangue.