Hoje falei com 11 diretores (planejamento, mídia, criação, atendimento) de grandes agências digitais e tradicionais.
Pedi pra indicarem uma campanha atual (último ano) que seja inovadora e explicar porque. Podia ser qualquer mídia e não precisava ser brazuca.
Destes, apenas 3 citaram inicialmente uma campanha que não era de sua própria agência. E quando eu disse aos outros que não podia jabá, somente outros 3 conseguiram indicar uma segunda campanha.
Somos treinados para este discurso? Vestimos a camisa da empresa a tal ponto que não conseguimos admirar outras campanhas? Ou não tem nenhuma campanha inovadora?
Perco os amigos mas não o post.
Aproveitem os comments pra indicar as que vocês acham inovadoras. Importante, tem que dizer porque é inovadora.
Ah, e pra ser mais chato. Ser boa (ou ótima) não torna uma campanha inovadora. Inovar é transformar, é mostrar algo novo que nem havia sido imaginado, é mostrar algo velho por um ângulo diferente. Chega de filosofia barata, colaborem nos comments.
RSS
é q todos acham inovador aquilo que ELES nunca fizeram antes!
Nike+
Por que não é uma campanha.
As campanhas realmente inovadoras pra mim são projetos de comunicação e não peças isoladas. Ou coisas que tenham uma puta idéia. Alguns exemplos de 2007:
Projeto Buy A Player, da Coca-Cola no Reino Unido.
Gosto da campanha feita pela Mother (veja aqui um dos filmes). Mas gosto muito mais da concepção: fazer com que as pessoas se mobilizem a enviar o pincode do refrigerante imbuídos do intuito de, coletivamente, conseguir a grana para contratar um craque pro seu time. E, óbvio, dando prêmios instant win para o cara tb poder ganhar algo pra ele.
Get the Glass, do California Milk Advisory Board – EUA
Além de brilhante do ponto de vista de execução, roteiro e idéia (afinal, pelas regras do Cava isso não vale), o que eu acho genial o fato deles terem escolhido criar um advergame para fazer o follow up da campanha Got Milk, que entra no 14o ano de sucesso. O game é extremamente imersivo e envolvente. E, de quebra, ao final, as pessoas que terminam ganham o copo como memorabilia. Acho inovador que se invista tão pesado no desenvolvimento de um game (parece que foram 3/4 meses de desenvolvimento e quase US$ 500k…) e que se faça deste game a principal plataforma de comunicação da marca. Um trabalho orquestrado da Goodby, silverstein & Partners e da North Kingdom. Espetacular na minha opinião.
Campanha do Mini nos EUA que usa RFID. Vamos dizer que a solução nem é das mais redondas mas acho brilhante pensar no uso publicitário de coisas que não pertencem ao seu universo. E essa solução merece outro destaque pois está amplamente alinhada ao esforço que Mini vem fazendo desde que começou a trabalhar com a sua nova agência (Butler, Shine, Stern & Partners), de reconhecer e valorizar os atuais compradores.
Podia virar a noite citando projetos e campanhas que eu considero inovadoras.
Sério mesmo.
A campanha OOH do Nedbank da Af do Sul que usa captadores de energia para iluminar escola / ah, vou dar espaço pros outros comentários.
; )
Paula
Eu sempre achei que pra ser diretor de criação ou assumir um cargo tipo Chief something Officer você precisa de um certo nível de falta de ‘espelho’.
Não que eu concorde com isso, mas conheço alguns DC bem-sucedidos que certamente deixam a auto-crítica de lado em função de acreditar no que está tentando vender. O problema é voltar a enxergar depois que o espelho perde a função.
Como eu não sou chief de nada vou dar meu palpite de campanha inovadora.
A apesar de não ser tão inovadora em vários aspectos, a campanha anti drogas ‘Above the Influence’ é bem diferente do que estou acostumado a ver por ai. É Inovadora pelo approach.
Ninguém fala pra vc não usar ou mostra algum viciado morrendo de overdose. Mesmo por que é uma campanha focada em ‘recreational drug use’. Ela simplesmente mostra como as pessoas ficam chatas quando tentam te passar o baseado pra frente.
Não tem casting, não tem cores saturadas, distorção de realidade, nada, só um desenho toscamente animado.
Claro que eu tenho dúvidas na eficiência da campanha. Não acho realmente que vai fazer alguém parar de fumar maconha, mas gostei de ver a forma como foi tratada a idéia. Toda vez que vejo na TV (e passa no intervalo do American Idol) lembro de vários amigos.
Ps.
Athila, Se não é campanha guarda pra vc.
Cassiano
Eu gosto muito desta do Itaú. Não sei se é inovadora porque não sei se foi a primeira a fazer uma propaganda sem mostrar o logo nem falar o nome do anunciante. Acho inovação por usar melhor do que ninguém o conceito de “menos é mais”.
Gostaria muito de saber como foi o Brand Linkage desta campanha. Tem alguém da agencia que visita este humirde brog?
Nike+ é mais do que uma simples campanha. É um produto, por isso é inovadora.
Agências (seja interactiva, tradicional mkt direto, promoção, etc) só inova hoje se gerar conteúdo e Nike+ foi um dos poucos que gerou conteúdo no último ano.
Nike+ é uma idéia gerada por uma agência – no total sentido da palavra – porque a R/GA não desenvolveu a tecnologia de comunicação entre o iPod e o Tenis e sim agenciou outra empresa e colocou em contato com a Nike, que ao final contactou a Apple e fez o negócio.
Essa idéia gerou todo uma nova categoria de produtos, o que por si só gerou uma nova fonte de renda para empresa. Ajudou a marca Nike a voltar ao lugar que quase sempre esteve, a de líder em inovação e criatividade em Mktg e a estar na boca de todos.
Eu acho que é esse tipo de coisa que os clientes estão procurando, pelo menos aqueles que etendem alguma coisa de como o mundo é hoje.
Se isso não é uma “campanha” inovadora, eu não sei nada de publicidade.
Shaï
http://www.shaiwear.com
Alguem lembra disso aqui?
http://www.sexpacking.com
Infelizmente nao está mais no ar. Mas foi sem dúvida o melhor exemplo de video interativo até agora.
Ricardo, quais foram as resposta que você obteve?
Como eu disse no post, a maioria citou campanhas da própria agência. Agora todo mundo (eles e quem mais quiser) está livre pra postar seus próprios cases e defender porque são ousados. Aliás, até acho que seria legal. Defender o que fez de mais ousado no último ano.
Como a lista de campanhas já está bem grande e a inovação bem representada, tomo a liberdade de escrever sobre aquela, que para mim, foi a maior e mais inovadora campanha do ano passado: a minha campanha pessoal para resgatar o tesão profissional.
Sei, sei, o post não é sobre isso.
Não é, mas é.
Depois de 16 anos trabalhando em agência até chegar ao pomposo cargo de Diretor Senior de Criação de uma das maiores agências do mundo, deveria estar satisfeito.
Mas a cada ano que passava, minha angústia aumentava porque meu dia-a-dia se distanciava cada vez mais da minha vocação.
A propaganda ficou burocrática, executiva, paneleira e chata pra caramba.
Profissionais de criação viraram formateiros (muitos nem se deram conta) e fazem hoje manobras de conceitos para estacionar na vaga dos prêmios e da grana.
O flow dos jobs é patético, com estruturas cada vez mais departamentalizadas, pesar do discurso contrário. E o crescente destaque para os planejadores como os novos criativos das agências é sintomático.
Hoje, envolvido até o pescoço em novos projetos, tanto no Updaters como para clientes, começo a desenpoeirar meu tesão criativo e descubro gente talentosa e lugares improváveis.
Tem frentista inovando.
Tem pescador inovando.
Tem político inovando (um perigo)
Tem professora inovando.
Vivemos uma deliciosa revolução que, se Deus quiser, vai democratizar e equalizar o maldito róltulo do “ser criativo”.
Tá difícil fazer uma lista de campanhas inovadoras?
Vai ver que a inovação se encheu o saco dos publicitários e foi dar mole em outras bandas.
Puta que los pariles! Brenner, sensacional!
Sabe que projetos pessoais também sempre foram a minha solução para fugir da rotina e da mesmice. Meus livros foram resultado disso. Este blog (e o wishlist) idem. Este projetos não são inovadores, mas permitem que eu faça o que quiser, como quiser, quando quiser.
Caio, pq shaiwear e sexpacling sao inovadores?
Eu não acho o Get the Glass inovador. É sensacional (acho que o melhor do ano até agora), é ousado (por terem usado e investido bastante em um advergame) e é impecavelmente bem produzido. Mas não é inovador.
Concordo Cava,
Tenho meu copo de leite em casa, que chegou pelo correio 2 semanas depois de ‘brincar’ no site. O projeto teve uma dedicação e um acabamento excepcional. Mas não tem nada de inovador.
No site do H4ach, o mexicano que participou do projeto Get The Glass tem um pequeno making of. Vale dar uma olhada. Os caras chegaram a esculpir a ilha em isopor pra planejar os takes.
Cava, voltando ao Sex Packing.
É inovador por que sai dessa punheta politicamente correta que todas as grandes marcas são obrigadas a seguir vai direto ao ponto, putaria, descaração, libertinagem, safadeza e sem-vergonhice…tudo de muito bom gosto.
Em se tratando de video interativo é um dos melhores exemplos tb. Não tem aquela cara de CDROM que a maioria insiste em manter ( janelinha de video dentro da janelinha do site), não tem Host (que PQP já deu o que tinha que dar), e não é no esquema “toca um pouquinho – para um pouquinho – toqua um pouquinho”…
Faz qualquer marca pseudo-descolada parecer coisa de criança.
Eu entendo que ali não tem muito dinheiro envolvido nem grandes marcas, não ia rolar de filmar a fodelança interativa do ronald mcdonald e sua turma, mas ainda assim, é válido comentar.
Eu condordo com o Athila em relação ao Nike + e adorei o Get the Glass tb.
Mas entre Correr, beber leite e pornografia.
Acho que eu ja fiz a minha escolha.
Caio, o vídeo é otimo (conteúdo, interação, qualidade) mas não é inovador em nenhum dos 3 quesitos. Sobre o conteúdo, acho bastante ousado, mas não diria inovador.
Agora, essa sua história de “toca um pouquinho, para um pouquinho…” larga mão de ser tarado cara.
Esse papo de campanha inovadora sucks. Eu só acredito em peças matadoras. Hoje, as agencias preferem fazer coisinhas a torta e a direita numas de criar “inovação”, “mídias novas” e outras – com perdão da palavra – viadagens.
Não q isso seja irrelevante, mas por conta dessa busca pela inovação, esquecem o conteúdo.
Esses fogos de artifícios de mobiliar cases-de-power-point são bons pra palestras em faculdades. Pras pessoas, eu prefiro algo assim (e q se f… o resto q veio junto):
Fernand
Eu achei o comentário do Fernand inovador, haha.
bonito o filminho…
porém meu voto permanece com a putaria.
Concordo com o ponto do Cava de que o Get the Glass talvez não seja propriamente inovador. É ousado. E tem uma puta idéia. Rompedor do formato da publicidade da marca, muito pautada em comerciais de TV. Mas, no fim do dia, fico me perguntando se não é uma questão meramente semântica, e de classificação. Indago qual seria o sentido desta classificação. Fico pensando se o que vale, no fundo, não é uma puta idéia (que sacode o consumidor) e a capacidade que ela tem de comunicar.
Gosto dos formatos cross media. Acho inteligentes, sobretudo os que usam o melhor de cada meio e fazem valer da força e da penetração da mídia de massa para gerar leads para uma experiência mais imersiva e mais envolvente em outros meios, como um game, um programa de tv… Mas daqui a pouco isto não será inovador. Será a prática corrente.
Concordo com o ponto do Fernand que, algumas vezes (muitas, eu acho) apenas para inovar se esquecem das idéias. Este é um ponto de reflexão importante.
O filme Night Driving é muito bom mesmo. O site ainda não entrou no ar e o projeto tá apenas começando. Não dá para ter uma avaliação do projeto ainda. Nem sei se é um projeto… Mas acho que o ponto ali foi dizer que mais vale uma puta idéia capaz de sensibilizar quem tá assistindo.
Eu concordo. A forma evolui, os projetos ficam mais sofisticados, mas se não conectar com as pessoas não faz o menor sentido. No entanto acho que uma puta idéia já não basta. Cada vez mais é importante pensar na capacidade de comunicar. Nos EUA e em muitos países da Europa a audiência de TV é uma outra história, bem diferente da nossa. E os desafios de impactar o público são muito maiores. O filme da VW é genial mas o cara já não assiste TV. E quando assiste, pula o comercial com o TiVO.
Enfim, vamos aquecer esse papo que tá bom à beça.
; )
Paula
Bom, na verdade eu estou meio compulsivo nesta história de mudança de paradigma de mercado. Não tenho mais a menor paciência de discutir com publicitário que ainda não entendeu o fato de que a publicidade mudou no mundo inteiro e ainda tem cara que acredita nos 30s de sempre.
Pra ser muito sincero, se o cara não entende o que está acontecendo, paciência. Deixa o cristão ser atropelado pelo que está vindo.
Voltando ao tópico, este filme da Sony ganhou Cannes no ano passado. Num mundo em que produto não vale mais nada e o TIVO te permite escolher o que vc vai assistir, os caras estão encarando o Ad Entertainment (Cava, o termo já existe ou eu acabei de cunhar?) como a solução para fazer o espectador assistir seus filmes e entender o conceito da marca.
Pra mim, o inovador é o filme vender um conceito a maior parte do tempo e o produto aparecer cerca de 2s só no finalzinho. Por quê?!? Porque pouco importa como o produto se parece. O importante é o conceito que permeia a marca.
o termo existe sim, é advertainment.
O Filme do Golf é legal, mas não chega ser inovador. Na minha opnião a direção de arte e plot são super colados na referência, que muito provavelmente deve ser o fime Collateral do Michael Mann.
Voltando ao sexpacking, porque realmente chamou minha atenção ano passado. Conteúdo, interação, qualidade?
Ok, o conteúdo todo mundo já conhecia, a interação foge do esquema cd-rom anos 90 mas também num inventa nada, qualidade normal. Mas pra mim a inovação alí foi na aplicação. Afinal, quem antes já tinha feito sexo explícito pra vender roupa? Eu fiquei chocado (no bom sentido) !
cava, uma vez um DC amigo meu disse: “nós criativos não criamos nada, apenas fazemos associações que até então pareciam improváveis”. Ele inclusive questionava o fato de ser denominado um “criador” mas isso é assunto pra outro fórum.
Só quis dividir isso aqui porque acredito que se aplica também à inovação. Lavoisier já havia cantando a bola há séculos, tudo se transforma, e o que vemos por aí são constantes transformações. Algumas delas são tão inesperadas que viram as chamadas “inovações criativas”.
Isto posto, meu voto vai para o advergame
BMW PACE – Pursuit Across Europe desenvolvido pela Interone (agência digital alemã) para o lançamento da BMW Serie 1.
Minhas razões: 1. Ousadia de criar um game para um público que teoricamente “não joga na internet” (lembra da história das associações improváveis). 2. Estética: visual estonteante resultado da composição entre ilustrações, 3d e animações em flash que dão a sensação de estar viajando em aquarelas tri-dimensionais das paisagens européias.
Fui ver o site do Get the Milk. Meu problema com Advergame é o mesmo com arte interativa. Como diria o Tony de Marco, arte interativa é videogame velho. Numa época em que as pessoas estão acotumadas a jogar Xbox 360 e Wii, como um jogo feito por uma marca vai ser atraente?
Eu joguei até o fim e adorei, todo mundo que eu mandei (o que já é outro ponto pra ação) também disse ter gostado muito.
Acho que é uma questao de expectativa, se este jogo estivesse no PS3, todo mundo acharia uma merda. Mas na web, pra jogar durante o trabalho, foi divertidíssimo.
Campanha inovadora pra mim: http://yearzero.nin.com/
para divulgação do novo cd Year Zero do NIN.
Grafites nas ruas, pen-drives abandonados, tudo misturado, muito bom.
Acabei de visitar o site do PT Cruiser http://www.chrysler.com.br/hotsite/ptcruiser/default.asp e achei muito interessante as informações serem apresentadas por dois anfitriões e não por texto escrito.
É divertido esse papo de “as pessoas pulam os comerciais com o Tivo”.
Mas será q elas pulam porq é propaganda ou elas pulam porq a propaganda é ruim? E qdo falo propaganda, falo propaganda “em geral”.
Eu tb pulo a propaganda na Internet. Pulo a propaganda em rádio. Pulo a propaganda de rua. Pulo a propaganda guerrilheira. E uso o meu Tivo cerebral pra isso.
Mas não pulo a propaganda porq ela é propaganda. Pulo porq ela é ruim.
As pessoas gostam de propaganda, mas só gostam de propaganda boa. Na TV, na Internet, em qualquer lugar.
As pessoas perderam, graças a Deus, todos os pudores ideológicos. As pessoas sairam do armário faz tempo. E me parece q os “muderrnos” têm medo de fazer seu coming out, por isso disfarçam. Propaganda disfarçada é só mais uma forma de fazer má propaganda q é justamente o q as pessoas estão de saco cheio de ver.
Fernand
Fernand,
Neste caso estava falando do comportamento de pular publicidade porque ela é publicidade sim. Para além dos filtros normais que todos nós fazemos quando vemos uma propaganda ruim.
Eu não uso TiVO mas tenho uma grande impressão que que quando você cria o hábito e pular comerciais você não volta para ver se tem um bom no break. Você pula o bloco todo. Então, não importa se é bom ou ruim. Será pulado. Assim como bloqueador de pop up. Não te dará acesso às msgs. para que você faça o filtro. Há que se levar isso em consideração.
A publicidade como se conhece hoje, está em evolução e considero isso saudável. Penso que este comercial da VW tem mais valor e mais significado quando assistido online, sob demanda, do que interrompendo a programação. Mas enfim, essa já é uma outra discussão.
; )
Paula