A propaganda sempre vai ser propaganda, qualquer que seja o suporte, qualquer que seja a tecnologia, mídia, formato: uma mensagem comercial. E uma boa propaganda sempre vai ser uma boa propaganda, qualquer que seja o produto, a marca, ou o consumidor: uma mensagem comercial com impacto, brand linkage (tentei traduzir mas ficou horrível) e que agrada.
O que mudou, portanto, não é nem o propósito nem a forma de fazer nem a mídia.
O que mudou é que as pessoas estão de saco cheio de serem interrompidos com porcaria. É só isso que mudou.
As pessoas estão de saco cheio de serem obrigados a engolir mensagens idiotas, sejam elas comerciais ou não.
E óbvio, agora, a gente pode escolher. E isso muda tudo, porque a gente escolhe o que nos interessa e despreza o resto.
Nesse cenário, o que muda com a propaganda? Praticamente nada. Só que agora, ficou mais difícil. Muito mais. Simplesmente porque ninguém se deixa mais enganar pelos truques: martelar um jingle, contratar um ator famoso, demonstrar atributos, fazer piadas sem graça, nem mesmo fazer uma linda produção.
Mas o fato das pessoas não gostarem mais de serem interrompidos pelas mensagens comerciais, não significa que a propaganda morreu, só quer dizer que ela tem que ser o que sempre precisou ser mas nem sempre foi: boa.
Outro dia, fui julgar umas “propagandas” inscritas na Internet para um festival. Foi um show de horror, e saibam que faço isso desde tempos imemoriais.
Nunca me encheu tanto o saco ver aquele monte de sites inúteis, piscando pra todo lado.
Nunca fiquei tão irritado com tanto tempo perdido já que, contrariamente ao consumidor normal, eu estava ali para julgar portanto era obrigado a ver tudo.
Nunca fiquei tão nervoso com aquela profusão de vídeos idiotas, sem graça, intermináveis. Nunca fiquei tão desapontado com a qualidade tosca das produções.
Foi uma tortura, mas nada muito diferente de assistir ao Fantástico sendo interrompido pelo lixo publicitário.
Aliás, tem sim aquela diferença: o Fantástico me interrompe com a propaganda e se eu quiser ver o resto da programação sou praticamente obrigado a ser importunado. Já na Internet, to fora! E um dia, o Fantástico também vai deixar de interessar. Nesse dia, a propaganda ruim simplesmente vai morrer. Já vai tarde.
E não adianta nada fazer essas estratégias pseudo-misteriosas, pseudo-spam-virais. Nem encher meu saco com vídeos e interações idiotas. Nem achar que estou morrendo de vontade de interagir com o mundo real no Second Life.
Porque propaganda ruim, na mídia tradicional funciona. Na Internet não.

RSS
Well, eu acho que a porcagranda (como diz minha filha) na internet me incomoda menos que nas midias tradicionais. Talvez esteja mais acostumado a não me irritar com banners esdruxulos, do que com outdoors cafonas ou filmes completamente idiotas.
Consigo me animar com alguns banners e hotsites mas com poucas exceções as propagandas nas midias tradicionais conseguem me empolgar. Muito pelo contrário alimentam o ódio na minha, ja poluida, mente.
Será q a propaganda na Internet te incomoda menos porq ela é melhor ou porq vc simplesmente nem a percebe?
Uma coisa que não entendo na propaganda que vejo na internet brasileira é a necessidade de se contar uma história no banner, de ter muita animação, peso, frames e mais frames, e títulos.
Não dá mesmo pra passar conceito num banner estático?
Sim, pois na época que vivemos dificilmente [aos meus olhos] alguém pára para ver o desenrolar do banner e de sua história.
Pra mim tinha que ser tudo pá pum.
“Será q a propaganda na Internet te incomoda menos porq ela é melhor ou porq vc simplesmente nem a percebe?”
Acho que a maioria dos usuarios simplesmente nao percebem os anuncios, eu particularmente ja estou condicionado a ignorar os banners, um exemplo eh o yahoo mail que uso bastante e nunca presto atencao na propaganda… para mim,tudo bem… afinal o serviço funciona muito bem e eh gratuito.
de qualquer forma deixo o link abaixo sobre eye tracking.
http://www.etre.com/usability/eyetracking/showme/
Abracos.
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É isso aí, The Soul, vc respondeu à minha pergunta com a maior sinceridade: vc nao liga a mínima para propaganda na Internet. E isso provavelmente porq é muito ruim e coisa ruim, nesse ambiente, não cola.
César, acho q o problema não seja só essa coisa de entender o formato jurássico do banner com a mesma lógica de um formato de mídia velha. É q convenhamos, o formato é muuuuito ruim. Um formato que mal cabe um pá-pum do tipo “clique já” não dá propriamente pra chamar de formato de publicidade.
As pessoas não sabem sintetizar o que precisa ser dito, acham que o fato da informação estar fragmentada em frames/steps a torna menos eficaz, e acabam fazendo um roteiro de longa num banner. Era tudo tão mais simples na época do gif animado…
As pessoas não sabem sintetizar.