Evil Knievel


No Brasil, testar significa perder tempo e dinheiro. É cultural e vai além do nosso mercado. Percebi isso quando comprei um sofá e depois de 3 meses discutindo com a loja, um técnico veio em casa e disse: “ahh, é esse modelo? já sei qual é o problema. Ele é protótipo e a fábrica já descobriu como arrumar. O que está vendendo na loja hoje já está com o problema corrigido.”

Somos todos cobaias. O pior é que fazemos o mesmo com nossos clientes.

Evil KnievelQuem trabalha com marketing direto sabe que testar deveria ser parte do mantra e obrigação de toda campanha. Testar sua base, testar sua criação, testar tudo. Testar poupa tempo e dinheiro. Testar traz melhores resultados. Então porque é tão raro se testar uma campanha no Brasil?

Quem trabalha com produção de web sabe que um site é muito mais complexo do que aparenta. Atrás daquela carinha bonita que aparece no browser tem um monte de regra de negócio reproduzida em linhas de código e toda mistura de software e bancos de dados.

Tem sempre aquela história, se estiver errado é só arrumar e subir no FTP. Não é como imprimir 5 mil folhetos. Bullshit. O cliente ver e experimentar o erro não é um prejuízo maior? E descobrir que perdeu toda a base de dados da promoção porque o sistema não foi testado como se deveria não é um risco considerável? E errar um email marketing? Tem conserto? Então porque nunca existe tempo suficiente para realizar uma bateria decente de testes?

Quem trabalha com arquitetura de informação sabe que o correto seria fazer o teste de usabilidade antes de produzir o site. Mas as verbas e as metas de prazo para produção são tão apertadas que raramente se fazem testes de usabilidade e – quando acontece – é feito com o site no ar. Isso porque a verba para o teste vem do budget de manutenção e corrigir o site depois de lançado não atrapalha a meta do prazo de entrega. O importante é a meta do prazo, não do resultado. Aliás, em muita empresa, o resultado é medido pelo prazo de entrega. Se não colocar o site novo no ar este ano não ganha bônus. Gasta-se mais corrigindo, mas não estoura o budget. Triste, mas comum.

Seja com marketing direto, web, arquitetura de informação ou qualquer outro assunto. Ignorar os testes é acelerar na ladeira, esperando que no final tenha uma rampa e rezando para não ter um muro de pedra. Os americanos criaram o Evel Knievel, mas os brasileiros são a melhor personificação dele.

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