Biscoito da sorte

Pedi comida chinesa outro dia e no biscoito da sorte apareceu o tema deste post. Foi sorte mesmo, estava sem idéia do que escrever.

Participei da época que a publicidade tinha status de Hollywood no Brasil. Foi quando explodiu o interesse da molecada em vir pra área. Entrar na ECA passou a ser mais díficil que entrar para medicina porque na cabeça dos mais jovens, publicidade era um mundo de glamour e purpurina. Fumar maconha no meio do trabalho, participar de festas maravilhosas, usar a roupa que quiser, comer as meninas do atendimento e nunca se preocupar com dinheiro. Ah, e quem quiser sair do armário seria muito bem recebido, afinal, agência não tem preconceito.

Quando esta visão infantil e distorcida começou a ser compartilhada por clientes, o mercado reagiu (de forma consciente ou não, não importa), muitas agências passaram a divulgar a palavra “trabalho” como parte do mantra. Alguns até a usavam em seus slogans.

Dizer que ser criativo era um dom, ofendia a honra e a mesma deveria ser lavada com sangue. Seria o mesmo que dizer “ah, para você é fácil, não precisa se esforçar, você tem esse dom”.

Não era só discurso. Trabalhei em uma agência que produzia de 20 a 40 peças (arte e texto) para usar apenas uma. Isso mudou, e os estudantes já perceberam que a realidade é diferente do que eles gostariam.

Mas trabalhar muito e ter pouco tempo (ou nenhum) para uma vída social é sem dúvida a maior desvantagem. Nosso ramo sempre foi e talvez sempre será sinônimo de suor, pelo menos aqui na terra brasilis. Adoro este mercado e ainda acredito que trabalhar com comunicação tenha mais vantagens do que desvantagens.

Enfim, naquela época escutei muito duas frases: “preferimos estressar os funcionários do que os clientes” e “nosso trabalho é 99% transpiração e 1% inspiração”.

Neste momento surge minha pergunta: direção de arte ou redação são uma ciência que qualquer um aprende?

Quero dizer, se pegarmos um programador, inteligente e esforçado, conseguiremos transformá-lo em um bom diretor de arte ou um bom redator em alguns anos? As diferenças entre lado esquerdo e direito do cérebro é pura balela? Será mesmo que não existe dom para ser um bom criativo?

Veja bem, não estou falando de um ótimo nem um excepcional, para isso é inegável ter um “algo a mais” que chamamos de “dom”. Estou falando de um bom profissional, um cara que cumpre suas funções e entrega o que foi pedido. Bom e bonito, não necessariamente barato.

Deixe sua opinião na enquete abaixo.

Para ser um bom diretor de arte, precisa de:

  • suor e talento (74%, 45 Votes)
  • suor e ser esforçado (21%, 13 Votes)
  • só talento (5%, 3 Votes)

Total de votos: 61 – Start Date: April 27, 2007

Para ser um bom redator, precisa de:

  • suor e talento (67%, 38 Votes)
  • suor e ser esforçado (21%, 12 Votes)
  • só talento (12%, 7 Votes)

Total de votos: 57 – Start Date: April 27, 2007

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3 comentários

  1. 1 ferNando bueno

    Acho fascinante o resultado da equaçãozinha (inspiração + transpiração) / prazo

    O verdadeiro artista é quem consegue equilibrar a equação sem se perder no caminho. É aí que o talento faz a diferença.

    E mais, a química e a energia desses profissionais deixa qualquer lugar mais legal para se trabalhar. Além de uma equipe de pólo aquático feminino no atendimento, logicamente.

  2. 2 cava

    Uma galera que votou comentou que ve grande diferenca entre os 2, acham que direcao de arte é somente suor e que redacao precisa de talento. Ou vice-versa. Seria legal ver opinioes aqui dizendo porque veem diferenca entre um e outro.

  3. 3 Felipe Uchôa

    Olá!

    Sou estudante de desenho industrial e… penso que talento é mto importante… Talvez não essencial. Pensando-se pelo lado do design que mantém estreitas relações com a direção de arte deixo minha opinião.

    Observo alguns estudantes de D.I., veteranos, calouros, pessoas do mesmo ano que eu e consigo perceber vários “tipos”. Alguns muito esforçados, dedicados, cdf’s mesmo mas que não conseguem (na minha opinião) alcançar resultados bons nos seus trabalhos. Já outros, principalmente os do “fundão” rs, conseguem realizar trabalhos surpreendentes, bons e bonitos, as vezes feitos horas antes da entrega do trabalho.
    Parece algo estereotipado, mas é uma percepção que tenho!

    Essa percepção, sempre me faz acreditar no talento de cada profissional.

    Talvez eu esteja viajando mas acho que isso pode ter relação com o contexto pós-moderno que se vive no design, principalmente no que tange a expressões muito individuais e subjetivas. Acredito que antes, no design moderno, ser esforçado significava mais pois o design daquela época era essencialmente regrado, com limites bem definidos, objetivo e universal. Conhecer, estudar, esforçar-se, naquela época, poderia ser quase que sinônimo de se tornar um bom profissional. Hoje em dia, acho que a situação é outra, que favorece expressões mais intuitivas onde ter talento é no minimo interessante.

    De qlqr forma, assunto bem legal esse do post!

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