Na semana retrasada, participei do D&AD em Londres, como jurado da categoria websites. Fiquei imaginando que seria ótimo se todos soubessem como acontece este festival. A primeira coisa que notei foi que a organização é pra lá de inglesa, existe uma equipe pra tudo que se pode imaginar, ou seja, tudo é milimetricamente pensado.
Bom, antes do julgamento começar, Tony Davidson, presidente do D&AD, fez o seu discurso, no qual ele ressaltava o conceito do festival: “For excellence, for education, for enterprise and Not for profit” . E o interessante é que o papo é sério. Por exemplo, a Apple inscreve os seus produtos na categoria design, o que responde muito bem ao quesito excelência.
Quanto à educação, o fato chega a ser lógico. A coisa mais importante é que os jurados coloquem o melhor trabalho do ano no livro para que as próximas gerações aprendam e continuem inovando. Um fato curioso: o tempo todo existia um estudante dentro da sala do júri, quietinho, no canto, vendo como os jurados avaliavam, brigavam e votavam. Os cinco melhores alunos tinham sido selecionados nas melhores universidades do pais. Será que não dá pra gente fazer isso no Brasil, nas eleições do CCSP?
Eu estava no júri de websites e foi difícil avaliar os trabalhos brasileiros, pois tivemos somente 4 trabalhos pré-selecionados em meio a um total de um pouco mais de 1.000. Todos os trabalhos haviam passado por um shortlist a fim de diminuir o número de peças a serem julgadas no festival. Os jurados presentes avaliaram os trabalhos nas categorias gerais e alguns outros em uma categoria específica (craft category).
O julgamento teve alguns pontos interessantes. Havia um único computador acoplado a um telão. Em frente a este telão, estavam os 15 jurados que viam ao mesmo tempo cada peça, ou melhor, todas as peças foram apresentadas para todos da mesma forma. A cada sessão, um jurado era selecionado para navegar. Usamos uma espécie de game boy sincronizado pela Beam.tv e, por meio dele, votávamos YES ou NO. Foi uma experiência curiosa, mas não muito bem-sucedida, pois perdemos muito tempo.
Tivemos ao todo oito steps durante os dois dias de julgamento. Toda a peça votada como shortlist voltava para a sala novamente e, para a minha surpresa, estas peças eram reavaliadas uma a uma. Se o júri achasse necessário, ela voltava novamente para uma terceira votação. Ou seja: o trabalho que é selecionado para o livro é o que o júri julga realmente o melhor trabalho. Nada entra por sorte.
No final, dei uma olhada nos trabalhos selecionados para concorrer aos lápis e ficou visivelmente claro que o júri fez a melhor seleção: trabalhos maravilhosos foram premiados em suas devidas categorias. Fazendo um paralelo com a nossa produção, o Brasil ainda está longe para uma premiação de um website pela direção de arte, fotografia, roteiro ou som. A visão ainda é muito mais generalizada, muito mais superficial.
Se para mim foi uma experiência muito rica, imagine quanto aprendeu o estudante, aquele inglês que estava junto com a gente durante todo o processo?

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4 comentários
A foto acima me lembrou muito o filme Minority Report… centenas de anuncios aprisionados por terem transgredido a lei… hehe…
Mas brincadeiras a parte, muito legal Serginho voce poder ter ido la pessoalmente, deve ter sido mesmo muito rica a experiencia… este ano eu fiz parte do juri p/ o NY Festivals e sei la… foi uma desgraça… participei de um juri remoto…entao ninguem foi p/ NY p/ discutir com os outros jurados e trocar experiencias… quando voce vai fazer o julgamento on line eles te socam 300 peças p/ serem julgadas em alguns dias… simplesmente uma tarefa impossivel…
Aquestao eh… se voce quer analizar peça por peça da maneira correta, prestando realmente atencao… o tempo nao eh suficiente… ai o que voce faz? acelera no julgamento, comeca a dar uma olhadela rapida e boa… proxima! e ai acho que o julgamento nao eh feito da melhor maneira…
Cheers!
M.
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Este cemitério de anuncios impressona pra caralho. Da pra brincar de imitar aquele filme do bruce lee com os espelhos.
soh mais um comentario final p/ encerrar o post aqui…
http://www.underconsideration.com/MaketheLogoBigg...
Yeahh!
M.
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Serginho, a pergunta que não quer calar é: Está lá vc avaliando as peças e vê uma qualquer que sabidamente é fantasma, mas que é realmente do grande caralho.
O que vc faz?
Vota nela pela qualidade criativa / conceito ou lima por saber que é fantasma.
Que dilema hein?
abs