faca perdidaBrasileiro é mesmo um povo criativo. Sempre que escuto isso lembro da irmã de um amigo. Ela fazia plantão em um hospital público. Viu todo tipo de coisa lá dentro, mas adorava mesmo era me contar a história de um rapaz esfaqueado que jurava ter sido vítima de faca perdida.

Não, ele não trabalhava no circo, mas como os médicos são obrigados a avisar a polícia sobre vítimas de armas (brancas ou de fogo), fazer um paralelo com bala perdida foi a sacadinha do malandro.

Como diz um amigo meu, tem muito malandro pra pouco otário! Todo mundo quer dar uma de esperto, como se ninguém percebesse.

Assim como em Cannes, a sacadinha do brasileiro foi inventar os fantasmas. Mas hoje, o tal fantasma (e a imensa fama que ganhamos em cima deles) causa uma reação de ojeriza aos brasileiros que reflete na mais puro boicote com nossas peças. Basta ser brazuca para ser execrado. Foi o que aconteceu ano passado, é o que pode se repetir este ano. Quem está certo nesta brincadeira? Ninguém.

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16 comentários

  1. 1 Cass

    O brasileiro passou os últimos anos fazendo muito bem sua campanha de ghost-creative e deu certo. A má fama já foi conquistada.
    Já ouvi gringo falando que se recusa a trabalhar em agência onde tem brasileiro na criação. Eu acho exagero, generalização idiota, mas como diria vovó, quem faz a fama, deita na cama.

  2. 2 Athila Armstrong

    Eu acho que é roubar no jogo, e roubar não é algo eticamente aceitável.
    O que me irrita com relação a essa historia toda é que mostra que profissionalismo passa longe das agências de publidade no Brasil.

    Se fosse competir num prêmio só de peças fantasmas provavelmente o Brasil levaria poucos prêmios, porque invariavelmente a produção no US, Japão e UK é infinitamente melhor e o nível de sintese dos gringos é tão bom quanto dos criativos brasileiros.

    Acho que o brasileiro – pelo baixo nivel educacional da população – sabe criar ideias universais, geralmente apoidas no humor, mas quando parte pra um nível intelectual mais complexo geralemente é um desastre, por que tenta pegar o caminho mais fácil.

    Eu entendo até os gringos que falam que não trabalham se tiver brasileiro na criação, apesar de achar uma bobagem também e não concordar. Brasileiro não é criativo, brasileiro é “dodgy”. (mega-super generalização, mas funciona.) :-)

    Meus 2p, já estou esperando as pedradas.

  3. 3 Dgrull

    Peças fantasmas estão no TOP 2 da Perda de Tempo.
    Só perde para hipocrisia da Inconvenient Truth.

  4. 4 cava

    Só pra brincar de advogado do diabo…

    Athila, produção é melhor ai fora ou apenas se tem mais dinheiro? Ademais, pensei que Cannes fosse conhecida por premiar a criatividade, não a produção e o nível de sintese.

    Dgrull, se fantama traz prêmios (e traz), não podemos dizer que é perda de tempo.

  5. 5 Athila Armstrong

    Respondndo a pergunta do Cava
    – Produção aqui é melhor e tem mais dinheiro.

    Um exemplo simples do nível elevado da produção aqui, a grande maioria (senão todas), tem um tipógrafo e um Dir. de Design pra cuidar de toda e qualuqer peça que sai da agência.

    O nível de especialização é super alto, o que leva a nível de excelência em produção muito acima do encontrado no Brasil. Ao mesmo tempo ainda eles podem chamar o Mark Romanek pra fazer uma propaganda (Muito ££££££).

    Quanto a premiar a criatividade, os prêmios são feitos pra isso e criatividade no Brasil é uma “sacadinha”, pelos lados daqui é “sacadinha” + alto nível de “crafting”.

    O Brasil nunca vai conseguir produzir uma Coca-Cola - Happiness Factory http://www.ifilm.com/video/2819662/collection/18373/minisite/superbowl ou um Honda - Choir http://84.40.3.164/ ou até uma Stella Artois - Peeterman posters http://www.creativereview.co.uk/crblog/wp-content/uploads/2007/04/peeterman.jpg

    Simplesmente porque perde profissionais que se importam com isso tudo por não se importar com conhecimento.

  6. 6 cava

    não entendi uma coisa entao, pq o brasileiro é tao requisitado? se aqui nao tem qualidade de producao, nem um bom nivel de “crafting” e acaba se promovendo em cima de fantasmas?
    ai os gringos chamam os brazucas pq? pq nao enxergam isso que vc comentou ou pq a necessidade de mao de obra é tao grande que ate brasileiro serve?

  7. 7 Cass

    Ou pq brasileiro é mão-de-obra barata, tem ’sangue nos olhos’ e é fácil de enganar?

    Athila,
    Me irrita essa defesa toda pra cima dos gringos. Tem nego ruim em todo lugar, assm como tem nego bom no brasil. Seus exemplos são criativos, mas estão longe de se rum problema impossível para uma agência brasileira. Se cliente tem o dinheiro, ele pode ter Lobo, 3D foda, gráfica foda, designer foda, se se procurar vc encontra gente especializada e competente em Typo no Brasil também.

    Voltando ao tema do post, brasileiro pode ser mais criativo, mais malandro… e a esperteza muitas vezes não funciona num país onde a coisa acontece dentro das normas, preto no branco.
    Brasileiro é tão requisitado pq se esforça, pq é ‘malandro-agulha’ tá acostumado a tomar no c- e nao sair da linha. É investimento rentável.
    Além do mais, cliente aqui adora ouvir que tem um brasileiro na equipe que está criando pra ele… mesmo que na prática a criação seja super amarrada e limitada ao bannerzinho de varejo.

  8. 8 Cesar Senatore

    Bom, quando era mídia cansei de arrumar espaço de graça pra subir fantasma, como um favor. Hoje isso [ainda mais na internet] está difícil pois a inserção não aceita peça fora do peso, então nem isso rola [implicitamente deixo claro que é difícil ter idéia boa em 12k ultimamente, o que é o viável de verdade].
    Na minha idéia isso é exclusividade de agência, e os prêmios são DE criativos PARA criativos. E ponto.
    Ajuda a agência a ganhar cliente sim, ajuda a mostrar o potencial criativo, a ter um bom rolo e por aí vai.
    Mas como tudo na vida e como diriam os velhos lobos da internet: quem não dá assistência abre concorrência, de nada adianta ser bom em festival se no dia-dia da vida real não entregar; e aos meus olhos é isso que acontece.
    Isto posto é tiro no pé, que vai desatar em sangria lá na frente [um tempo depois] depois de ter contratado equipe para atender o cliente.
    Mas a pergunta é: Porquê não criam uma categoria fantasma e acabam com essa palhaçada de vez? Pois para a minha humilde insignificância peças fantasmas são feitas com dinheiro fantasma e devem receber um prêmio fantasma.
    Ou melhor, porquê não fazem um festival que também leve em consideração a efetividade da campanha, com relatório de vendas Nielsen, ganho de share…… será que vão perceber que só a criatividade não vende e voltaremos para conceitos mais amplos como frequência, cobertura, recency, varejão bombando…..

  9. 9 cava

    cezinha, vc ta pensando muito em cyber. Pra fazer fantasma nao precisa ser bannerzinho nem veicular nos grandes portais. Pelo contrario, hoje é bem dificil se ganhar premio com full banner. O que alias defente minha tese de que a criatividade aparente de muitas agencias digitais se deve muito a melhor utilizacao de meios novos.

    Tambem ta pensando muito em cannes, existe muitos outros premios que sao valorizados e que nao sao de criativos para criativos e onde o resultado é obrigatorio de ser apresentado na inscricao. Mas isso nao muda nada, nenhum resultado é comprovado e nao existe tabulacao nem para metodologia de ROI nem para a maneira como isso é apresentado.

    ah, e nem o nielsen (nem o nelson, nem ninguem) da relatorio de vendas, da no maximo click through, que nao so’ serve pra medir resultado de nada.

  10. 10 Athila Armstrong

    A demanda por brasileiros é algo que de certa forma é simples de explicar, na verdade o Cass ja explicou bem isso acima. Mas existe uma falta enorme de mão de obra especializada no US e na Europa em geral, isso explica um pouco do interesse grande pelos profissionais Brasileiros, além de todo a flexibilidade que o brasileiro tem.

    Há uma falta de conhecimento geral sobre o mercado brasileiro pro “gringos”, o Brasil é um país muito folclorico e tem uma cultura alegre que é percebida como um diferencial pras empresas daqui, junta a isso todos os prêmios que ganham todo ano com ideais que previlegiam o humor. Entretanto não existe nenhum conhecimento como o mercado no Brasil funciona, e boa parte das contratações são baseadas no trabalho “sexy” e premiado dos barasileiros, porque ter prêmio no curriculo é coisa seria aqui, o que me fez valorizar muito mais as premiações internacionais.

    Minha defesa dos “gringos” se da ao fato que eu acho bem mais fácil trabalhar aqui do que no Brasil, não tenho que me deparar a todo tempo com falta de especialização e profissionalismo que acontece no Brasil. Não funciona muito pra mim por ai, mas isso é bem pessoal.

    Quanto aos bons designers, tipografos, ilutradores e a produtora (Lobo) que nós temos no Brasil, eles são sub aproveitados pelas agências de publicidades por falta de conhecimento, simples assim. É dificil apreciar certas coisas ou da importância se você não entende do que se trata.

  11. 11 Cesar Senatore

    Ai Cava, sifudeu.
    O Nielsen aqui no Brasil de varejo tem relatório de vendas para uma trolha de categorias, por estabelecimento de 3 até mais de 50 caixas, então esse papinho tá fora, tem como comprovar sim a efetividade de qualquer campanha, on, off, below, above, a sacanagem que vc quiser.
    [veja o link http://www.acnielsen.com.br/products/index.shtml ]
    Então é preguiça falar que não dá pra saber da efetividade da campanha e o retorno em vendas.
    Dá sim, é que nego não tem interesse. não tem interesse nem de saber de onde veio o LEAD, onde foi impactado, então isto posto acabam-se as esperanças.
    Basta ver projeto da UNILEVER que tem que ter KPI pra acesso no site, cadastro, aquela inferno todo que demonstra senão um cuidado pelo menos garantia de resultado, independente da qualidade da criação aprovada.

    E eu falo de cyber / online, pois é o mercado que atuo, posto que pro offline tá cada vez mais difícil [e mesma LEVER hoje escolhe os fornecedores e não deixa mais essa tarefa na mão das agências, que perdem o toma lá da cá na produção, vc faz esse pra mim e eu pago mais nos outros].

    É isso, quando todo mundo ficar sério e aparar as arestas e fechar as torneiras [mais ou menos o que o nosso governo deve fazer] isso pára simplesmente pela equação não fechar mais [alguém vai perder muito e outro vai ganhar muito pouco].

    abs

  12. 12 cava

    Cezinha, acabei escrevendo rapido e acabei falando bosta. O que eu quis dizer é que nao tem relatorio pra medir resultado de campanha. Da pra medir vendas de uma unica campanha, mas isso nao é regra. Vc esta sugerindo que toda peça inscrita tenha que comprar relatorio do Nielsen?

    E coletar resultado de vendas nao significa coletar resultado de campanha. A coisa é muito mais complicada que isso. Tem anunciante que nem tem controle sobre o canal de vendas. Se a campanha fosse o unico fator do resultado de vendas, seria muito facil definir quem é a melhor agencia e existiria ja um ranking pra isso. Nem existiria concorrencia, cliente iria escolher a agencia pelo ranking de resultados em sua categoria.

    Existem maneiras e ate software pra fazer isso, mas nao funcionam para qq acao e muito menos para qualquer objetivo. Medir resultado esta cada vez mais complexo, nao da mais pra usar formula pronta. Vou ate aproveitar e fazer um post rapido sobre isso depois.

    Sobre nego estar preocupado ou nao (seja em gerar ou medir lead ou qq outra meta), acho uma generalizacao sem sentido. Tem nego competente e incompetente em todo mercado, seja aqui ou la.

    Sobre anunciante assumir contratacao de fornecedor, acho que é um assunto que merece um post exclusivo.

  13. 13 paulo sanna

    Olha só, trabalhei numa das maiores agências interativas dos Estados Unidos, e direta ou indiretamente, levei comigo uns 5 ou 6 brazucas. Todos se tornaram referências criativas em seus grupos de trabalho. Talento? Certamente. Mas a motivaçao lá em cima me parece a explicação mais exata para o sucesso dos brasileiros. Essa história de mão-obra-barata eu não vi não. Os brazucas que eu conheci lá ganhavam tanto quanto os americanos e ainda tinham um montão de benefícios extras, como férias de 30 dias e passagens para o Brasil.

  14. 14 TheSoulSurfer

    O negocio eh fazer a operacao inversa… cria a peça como se fosse fantasma… mostra p/ o cliente… abre o jogo…fala que eh pro festival…que vai ser bom pra ele e para a agencia… e se ele topar… faz uma veiculacao simples… dessa maneira voce esta jogando dentro das regras e agradando a ambos os lados…
    Nem todos os clientes topam isso… e por isso ja vi casos onde a ideia foi criada e depois foram ver p/ que empresa/marca aquela ideia poderia ser melhor aproveitada… tem empresa que topa, outras nao… geralmente as grandes com muitos layers de aprovacao nao topam… mas faz parte do jogo.
    Outra coisa… se o leitor estiver pensando em trabalhar no exterior, na hora de ser providenciado o visto de trabalho, eles pedem prova da sua criatividade e p/ isso os certificados dos premios eh fundamental e da credibilidade… mesmo que apenas entre eu e voce, saibamos que tudo nao passa de uma grande picaretagem…

  15. 15 Ricardo Amaral

    É por isso que prêmios como o EFFIE, o APG e o AAAA estão sendo mais valorizados e sendo cada vez mais difíceis de se conseguir, porque nestes a criatividade não basta. Tem que ter resultado e sustentação. Cannes é bacana para criativos (principalmente, pois valoriza passe) e para a agência (porque atrai criativos e clientes seduzíveis). Mas não serve para nada para os demais seres humanos das agências (como planejadores, que em geral, acabam tendo que “criar” reason-whys ridículos para sustentar uma peça engraçadinha e totalmente fora de contexto e de lógica de marca).
    Não sou purista de achar que prêmios não valem nada. Valem, especialmente em indústrias cuja mensuração de resultados é simbólica (como “criação”, por exemplo). Agora, campanha não é pura criatividade. É isso e mais um monte de coisas. Mas para mim, a peça fantasma é mais uma prova de duas teorias que tenho:
    1) O brasileiro é, tecnicamente, muito bom e consegue ter proficiência nas artes a que se dedica. Vide nossas produtoras, músicos etc., que são muito requisitados para “fazeção”. Porém, o conteúdo - ou seja, a parte da criatividade que depende de cultura - é chocho, como a MPB muderna, que elege Lenine como gênio, explicita.

    2) O brasileiro prefere viver de aparências do que de mostrar um trabalho sério e consistente. Não fomos capazes de desenvolver qualquer marca global via publicidade. As próprias exceções (Natura e INBEV) são cases de marketing, não de publicidade.

  16. 16 Nato

    Tá legal hein!
    O divisor de águas sempre será grana!

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