Monthly archives: April 2007

a inspiração vem da transpiração

Biscoito da sorte

Pedi comida chinesa outro dia e no biscoito da sorte apareceu o tema deste post. Foi sorte mesmo, estava sem idéia do que escrever.

Participei da época que a publicidade tinha status de Hollywood no Brasil. Foi quando explodiu o interesse da molecada em vir pra área. Entrar na ECA passou a ser mais díficil que entrar para medicina porque na cabeça dos mais jovens, publicidade era um mundo de glamour e purpurina. Fumar maconha no meio do trabalho, participar de festas maravilhosas, usar a roupa que quiser, comer as meninas do atendimento e nunca se preocupar com dinheiro. Ah, e quem quiser sair do armário seria muito bem recebido, afinal, agência não tem preconceito.

Quando esta visão infantil e distorcida começou a ser compartilhada por clientes, o mercado reagiu (de forma consciente ou não, não importa), muitas agências passaram a divulgar a palavra “trabalho” como parte do mantra. Alguns até a usavam em seus slogans.

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job description

O que muitos entendem como burocracia, eu entendo como necessidade básica de uma empresa.

Um job description tem 2 itens principais. O primeiro se chama “responsabilidades”. É a parte que diz o que você tem que fazer dentro da empresa. É comum pensarem que esta é a parte mais importante porque sem estes “limites”, alguns podem ter medo de assumir o trabalho dos outros e virar o Aristeu.

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BIC

Que as Bics são fabricadas para sumir, todo mundo sabe, mas esta é nova. Minha empregada me disse hoje:

não fui eu que peguei essa caneta não seu Ricardo, eu não sei escrever muito com caneta preta nem vermelha

Não tive coragem de perguntar porque, mas imagino que ela descobriu que o mundo era dominado por bics azuis e se especializou nisso.

Taí, minha empregada é tão especializada que acho que merece um aumento.

Crispin Porter Employee Handbook

Crispin

Esta semana li o manual do funcionário da Crispin Porter. Enquanto meus colegas blogueiros se deliciam com prova de agência tão moderna, tenho uma opinião ligeiramente diferente.

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TV digital for dummies – teremos maior qualidade visual?

A maior propaganda que se faz a respeito da TV digital é o tal incremento na qualidade visual, com HDTV poderemos ver as rugas e as acnes de estrelas como Cameron Diaz. Ter mais resolução não chega a ser um salto tão grande como da preto e branco pra colorida, mas não deixa de ser uma tremenda mudança.

Mas vale a pena analisar um pouco melhor esta questão. Pra começar, nem sabemos se todas as emissoras irão enviar um sinal com mais resolução. Tudo bem, isso é detalhe, as maiores com certeza terão transmissão em HDTV. Mas o que ninguém comenta é que, “ter capacidade” é diferente de “usar a capacidade” e fazer direito.

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A ironia da TV a cabo com sistema digital.

Chega a ser irônico. Quem tem o avançado sistema de TV a cabo digital está na verdade sempre um pouco atrasado em relação a quem não tem.

É que pelo processo de encoding, empacotamento e transmissão, rola um atraso de alguns segundos entre o sinal transmitido pelo sistema digital e analógico. Não faria a puta da diferença na prática se não vivêssemos no país do futebol. Assim, seu vizinho grita gooolll alguns segundos antes de você saber que a bola vai bater na rede.

Na época da copa essa frustração ficou nítida na Vila Madalena. Se você estivesse em um barzinho com cabo digital, escutava a galera de outro barzinho (que não tinha) gritar gol quando o atacante ainda estava entrando na área. Mais frustrante que isso só alguém gritar bingo quando falta um único número na sua cartela.

D&AD 2007

Na semana retrasada, participei do D&AD em Londres, como jurado da categoria websites. Fiquei imaginando que seria ótimo se todos soubessem como acontece este festival. A primeira coisa que notei foi que a organização é pra lá de inglesa, existe uma equipe pra tudo que se pode imaginar, ou seja, tudo é milimetricamente pensado.

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brasileiro é mesmo criativo

faca perdidaBrasileiro é mesmo um povo criativo. Sempre que escuto isso lembro da irmã de um amigo. Ela fazia plantão em um hospital público. Viu todo tipo de coisa lá dentro, mas adorava mesmo era me contar a história de um rapaz esfaqueado que jurava ter sido vítima de faca perdida.

Não, ele não trabalhava no circo, mas como os médicos são obrigados a avisar a polícia sobre vítimas de armas (brancas ou de fogo), fazer um paralelo com bala perdida foi a sacadinha do malandro.

Como diz um amigo meu, tem muito malandro pra pouco otário! Todo mundo quer dar uma de esperto, como se ninguém percebesse.

Assim como em Cannes, a sacadinha do brasileiro foi inventar os fantasmas. Mas hoje, o tal fantasma (e a imensa fama que ganhamos em cima deles) causa uma reação de ojeriza aos brasileiros que reflete na mais puro boicote com nossas peças. Basta ser brazuca para ser execrado. Foi o que aconteceu ano passado, é o que pode se repetir este ano. Quem está certo nesta brincadeira? Ninguém.

[des]convergência

olipost.jpg

Está tudo à sua volta. Essas coisinhas tecnológicas. Seu celular é smart. Envia e recebe e-mails e sms e tem calculadora e tem browser e é máquina fotográfica e é câmera de vídeo. Com ele, você manda uma foto para o seu Tumblr que vira um post instantâneo, para o mundo todo ver. O computador é o centro do seu mundo digital, exatamente como Steve Jobs prometeu. Tem seus filmes, músicas e vídeos. Na TV o DVD ficou obsoleto. A Sky é +. Grava tudo digital, para você rever quando quiser. E ainda tem o py-per-view. E ainda tem rádios do mundo inteiro. Com AppleTV, você libera as fotos, músicas e vídeos que estavam aprisionadas no seu computador. O PSP tem browser. O Wii também tem. Acabaram de lançar. E também manda e-mails. É tudo Wi-Fi. É tudo bluetooth. Você conecta o mundo num device. Num Wii. Ou PSP. Ou telefone.

Fade out.

Fade in.

Ontem jogamos Wii até tarde. Minhas três filhas e eu.

Hoje chego em casa e a Olivia, 6 anos, está sentada diante da TV, na tela do Mii do Wii. É a tela onde se criam personagens para jogar. As “personas-wii”. Os Awiitares. Ontem haviam apenas 4: a OliWiia, o da Manuela, o da Catarina, e o meu. Quatro bonequinhos que jogam boliche, tênis e golfe. E que mandam e-mails entre si. Mas hoje, quando olhei a tela, haviam uns 30 bonequinhos.

Ao invés de jogar, ou enviar e-mails, Olivia preferiu ficar criando aMiiguinhos para a OliWiia. Estavam lá todos os seus colegas de classe: o Bernardo, o Lucas, a Gabi e mais um monte de outros. Com o mundo aos seus e-pés, 100% conectável, Olivia não navegou pela Wiinternet, nem ao menos jogou boliche virtual, ou ouviu músicas, ou assistiu filmes.

Quando ficou a sós com a tecnologia, Olivia preferiu cercar a OliWiia de amigos.

Convergência, para ela, é isso.

vale a pena brigar pela audiência?

Jornais e revistas vivem do resultado da audiência. São sustentados por leitores leais que geram assinaturas e atraem publicidade. Mas por diversos motivos, como aumento de concorrência, fragmentação da audiência e Internet, começou a ficar difícil sustentar este modelo.

A estratégia sempre foi conseguir audiência, e a tática de muitos veículos foi partir para o caminho da manchete vendedora. Não é um termo técnico, chamo assim por pura falta de criatividade. Me refiro aquela manchete cujo objetivo principal é vender papel. Ela não segue linha editoral, ela segue o que vai chamar atenção, não importa se é a fofoca do momento, a catástrofe ou o escândalo fabricado por quem precisa aparecer.

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