Como resultado natural da migração da grana dos cinemas para as residências (cabo, pay per view, aluguel de filmes, IPTV, etc.), surgiram vários seriados com uma qualidade superior ao padrão anterior. Qualidade superior em casting, trama, produção, pós produção e até em ações de marketing. Não é necessariamente uma novidade, alguns deste seriados já passaram de dez temporadas.

Friends durou 10 temporadas e seu último ano teve uma receita publicitária de U$ 279 milhões.

Mas uma coisa me incomoda em alguns que surgiram nos últimos anos. Estou falando de uma impressão de sobre vida além da conta. Seriados que parecem ter um roteiro sensacional para um ou dois anos mas acabam sendo produzidos para durar seis ou oito.

Consigo até imaginar o estúdio lendo o roteiro e sonhando com um novo Friends, um novo Seinfeld, ou um novo ER. Sonhando com uma década de sucesso seguida de outra reprisando.

Seinfeld filmou o último episódio em 98, mas em 2004 ainda recebia U$ 120 milhões de publicidade.

Lost KateEntre eles, o que mais passa esta impressão é o Lost, um seriado que seria perfeito para um ou dois anos que foi esticado até perder a liga.

Outro exemplo? Nip/Tuck! A necessidade de chocar o público constantemente passou do limite quando acabaram as opções mais óbvias. Nesta temporada (pelo o que eu vi nos comerciais) os dois sócios vão acabar brincando de Brokeback Mountain. Não que homossexualismo seja um tabu grotesco, mas não tem nada a ver com o seriado. Colocar os dois pra dormir de conchinha muda completamente o sentido da trama.

Existe uma diferença entre seriados com histórias diárias (como ER, Seinfeld, Friends, Simpsons, CSI, etc.) e seriados cuja história deve ter um começo, um meio e um fim (como Lost, West Wing, Desperate Housewives, etc.).

Eu parei de ver Lost o dia que descobri que existia roteiro pronto para - no mínimo - seis anos. Alguns fãs de Lost chegaram a produzir uma petição online pedindo para que o seriado termine. Na visão deles, melhor terminar bem do que ter uma morte sem sentido graças a falta de audiência. Aliás, a audiência do seriado já caiu, e ele já foi transferido para um horário menos nobre. Pode ser que seja tarde demais para recuperar um final digno.

A qualidade é mais importante que a quantidade para os expectadores. A audiência é mais importante para os produtores. Achar o meio termo é que são elas.

A solução pode vir do 24 horas, afinal, para uma nova temporada é só adicionar um dia na vida de Jack Bauer.

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6 comentários

  1. 1 Ricardo Amaral

    Acho que no Nip/Tuck, o homossexualismo não é entre os dois, mas um deles (o garanhão) que vai começar a pensar nisso… Só que este era um plot do primeiro ano da série, para quem se lembra…

  2. 2 Giu de Lollo

    O grande problema hoje é que tudo gira em torno do dinheiro.
    Enquanto Lost tiver anunciantes, vai ficar no ar até virar uma coisa sem graça e sem nexo, quando perceberem que há o desinteresse, não do público, mas sim da publicidade, fabricam um final e pronto. Uma pena.

  3. 3 jean boechat

    li em algum lugar que lost vai acabar agora na 4ª temporada.

    bom, eu nunca vi lost mesmo, então… =^D

  4. 4 Michel

    Sempre fui criticado por não gostar do Lost, quando alguém vier me azucrinar por causa disso vou mandar o link deste artigo pro infeliz ler e entender o que penso sobre seriados que tem início mas nunca terão um fim.

  5. 5 haydee

    eu sou do tipo de pessoa ‘proud of’ nunca ter assistido: sex and the city, lost e afins. já vi até algumas referências da porra dos números do lost em anúncios impressos e pipocando nos nicks da minha lista de msn.

    agora me expliquem, que diferença faz…?

    pq assim como eu nunca assisti lost e nem sex and the city, eu conheço gente que não sabe “o que é lilliput?”, que viu aquele filme do macaco gigante (sim, i mean king kong) e nem quem é a moça do cabelo azul (aka margie simpson).

    também fui criticada por achar o fim-do-mundo alguém não conhecer referências e informações substancias que impactam diretamente o nosso meio de trabalho. mesmo que eu realmente ache um absurdo mesmo, tendo em vista a velocidade do fluxo de informações na internet.

    poréeemmmm… sempre ensinaram à estar em contato com a massa e consumir (mesmo que parcialmente) o mesmo que a massa consome, para entender melhor o cliente, pra quem você comunica… ao invés de criar pra você e layoutar pro diretor de arte do lado.

    até que ponto?

    ** call me tosca, but essa parte de criar pra si próprio e layoutar pro diretor de arte do lado é realmente RIDÍCULA.

  6. 6 Letícia

    A-d-o-r-o LOST, ponto.

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