O tema TV digital é acompanhado de lindas promessas que enchem os olhos de marketeiros e publicitários. Interatividade é sem dúvida a mais importante para nós, pois abre um leque enorme de possibilidades para fazer exatamente o que queremos, nos relacionar com consumidores.

Com a TV digital, o consumidor poderá se cadastrar em uma promoção diretamente na TV. Através do T-commerce, poderá comprar a camisola que a artista está usando na novela. Poderá votar no Big Brother. Poderá escolher o final da propaganda, navegar na Internet e muito mais.

E nesta parte que cabe a pergunta, isso vai rolar direito no Brasil?

Básico do básico, seja em um totem multimídia no shopping center ou na Internet ou qualquer outro meio, para rolar interatividade é preciso de um canal de duas mãos. A que envia informações (dados, áudio ou vídeo) para o usuário e um canal de retorno, que recebe informações do usuário.

Quando falamos de TV digital brazuca, estamos falando de enviar o conteúdo para o telespectador pelo ar (antenas de transmissão que emitem as famosas ondas eletromagnéticas), assim como acontece hoje com a TV aberta tradicional (analógica).

O sinal é captado por uma antena na sua residência (ou no seu prédio) e passa o sinal para seu aparelho de TV. Antes, esse sinal deverá ser decodificado por um outro aparelho (o tal set-top box, como acontece hoje com TV a cabo e satélite).

Esta é a descrição básica de uma das vias de comunicação, ou seja, da emissora até o telespectador. Para rolar interação (não importa de que forma), o inverso também precisa ocorrer, ou seja, o telespectador enviar informação para a emissora.

Para isso acontecer, são necessários 2 componentes básicos.

  1. um aparelho (que poderia ser o próprio box decodificador) que entenda o pedido (input) do expectador.
  2. um meio físico que envie esses dados para a emissora.

E são justamente nestes dois pontos que estão as maiores limitações para a expansão da TV digital no Brasil. O Brasil ainda não fechou as regras definindo os requisitos mínimos de um box para o nosso padrão, mas na teoria, o mínimo não deve ter capacidade de interatividade, pois isso encareceria o aparelho. Temos que lembrar, que a estimativa é de 50 a 70 milhões de aparelhos de TV no Brasil, sendo a maioria em residências de baixa renda, que não seriam capazes de comprar um box (muito menos um box caro).

Meio físico também é um problema. Visto que ninguém tem uma super antena em casa, as maneiras de enviar informação para a emissora também se mostram complicadas para a população de baixa renda. Celular, WiMAX, Internet ou qualquer outra maneira citada como solução envolve assinatura, instalação de meio físico (cabo) ou compra de um aparelho (modem ou outro tipo de decoder, por exemplo) que acabaria resultando em um problema maior de custo.

Resumindo, interatividade (assim como a maior parte das vantagens da TV digital pra consumidores) deverá ser viável a somente uma parcela da população brasileira, assim como acontece com a Internet hoje. Não é uma parcela desprezível, principalmente por que terá grande penetração nas classes A/B em poucos anos.

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