displays

É sempre igual, quando uma nova tecnologia fica acessível, o exagero toma conta e o que vemos é uso de tecnologia por tecnologia. A firula é tão interessante que passa – erroneamente – a ser mais importante que a mensagem. Quem não se lembra da quantidade de campanhas que usavam efeitos de photoshop ou uso indriscriminado de fontes que vieram com o advento da computação gráfica.

Há tempos acompanho a evolução dos displays, um assunto muito rico e mais amplo que a discussão LCD e Plasma. Tanto acho assim que mereceu um capítulo exclusivo no meu livro.

Acredito que novos displays (como o e-paper) irão revolucionar o PDV e permitir novas formas de interagir com o consumidor.

Este ano a explosão dos displays se tornou visível. Basta andar em qualquer shopping center de São Paulo. Caminhe por um corredor do Morumbi Shopping e conte quantas lojas tem displays instalados. Fiz hoje este teste, mas em minha pequena pesquisa no Shopping Iguatemi outra coisa me chamou atenção. Essa história do exagero, que me levou a escrever este post.

Para ilustrar, a World Tennis tem 23 displays (sim, vinte e três). São plasmas e LCDs de tamanhos variados exprimidos em uma pequena vitrine. Mas como tudo pode piorar, todos os displays reproduzem as mesmas frases: Liquidação! 10 vezes sem juros! Péssimo, um impresso em papel jornal colado na vitrine teria o mesmo efeito.

Outro exemplo, a Track & Field onde contei 27 (vinte e sete). Só como parâmetro, a Fast (loja que vende plasma e LCDs) tem um mostruário de 26 aparelhos, um a menos que a TF.

Na TF as imagens são melhores e tem relação com os produtos vendidos, mas o exagero faz a loja parecer ter sido decorada pelo Hans Donner. Se tivesse um único cubo e um leve traço de dourado só ia faltar a Globeleza.

A verdade é que são poucos que utilizam as novas tecnologias com parcimônia. Ponto para a Louis Vuitton que com apenas um display (na verdade dois, dispostos juntos formando uma única peça) conseguiu utilizar a tecnologia de maneira correta, agregando valor e sem brigar com a identidade da loja.

Displays eletrônicos podem ir além da imagem com movimento, interagindo com clientes. A primeira marca a ousar nesse sentido não poderia deixar de ser da indústria de luxo. A loja da Prada no Soho instalou etiquetas de radiofreqüência em todas as peças do mostruário. Se um cliente pega uma peça na mão e passa na frente de um monitor, a loja consegue exibir vídeos de demonstração do produto escolhido com fotos da coleção, esboços do estilista, informações sobre o corte, tecido e outras opções de cores. Minority Report direto na veia.


Um comentário

  1. 1 renato kaufmann (reply)

    Hey cava, belo blog. Boa a comparacao com a melancia. Isso me lembrou do meu espanto ao ver os recentes outdoors da Visa com o infame filtro “viradinha-de-canto-da-folha” do photoshop…

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