Propaganda é assunto sério


Essa lei que proíbe propaganda pra criança tem várias camadas de assunto. Falei de uma delas no post anterior.

Agora vou falar de outra camada.

Lembra que critiquei o exagero do SBT no outro post?
Então, tem culpa o SBT?
Tem, mas tem culpa todo mundo.

Teve Unilever, teve Casas Bahia, teve Nestle.

Era a nata, mas fazendo merda.

Mas este não é um post pra elogiar ou criticar a lei.
Nem é sobre a lei, ela serve apenas para ilustrar o meu ponto: não temos mais auto-regulamentação.

A publicidade virou uma grande micareta.
Fodeu, agora é que a Ivete Sangalo não sai mais da tela :D

Claro, estou exagerando. O Conar é sério, importante e útil. Diria até fundamental.

Radicalizo porque acredito que estamos em um momento crítico. É só uma rachadura, mas é no pilar que sustenta tudo.

Ou seja, não estou falando do passado, estou falando do futuro.

O Conar é antigo. Isso é motivo de orgulho. É um ponto positivo. O mercado precisa de maturidade e de um órgão que entenda o significado de longo prazo.

Ser velho é bom. Estar velho é péssimo.

A Coca Cola não pode tirar sarro da Pepsi, mas o que a cerveja proibida fez pode? Não tem quem culpar? Não?

E a punição padrão é tirar o comercial do ar? Sei, tipo juiz quando faz merda e é aposentado com salário integral.

Outro exemplo? A agencia e o anunciante foram inocentes e não sabiam que o comercial seria condenado e sairia do ar, mas por coincidência botaram toda a verba em um período curto. Engana que eu gosto. Manda tirar do ar não só não tem o efeito positivo como pode ter negativo, chamando atenção para quem não vir ir direto pro Youtube ver.

Não é uma questão de incompetência (capacidade), mas de competência (sua atuação é restrita). No formato e modelo atual, não cabe ao Conar fazer o que precisa ser feito. Pelo menos não o que EU acredito que precisa ser feito.

É o mesmo que criticar o delegado que, cumprindo a lei, solta o bandido.

Outro dia escutei que o Conar iria julgar blogs de moda que estão fazendo seus posts pagos.
Nem sei se é verdade mas é inútil. Não é catando milho que se resolve alguns problemas.

Eu estou cometendo a audácia da pilombeta de propor reinventar o Conar?
Ué, os anunciantes não precisam se reinventar?
As agencias não precisam se reinventar?
Os jornais, as editoras etc.?
Sugerir isso ao Conar não pode?

E nesse momento crítico, o Conar lança sua nova campanha na TV, fazendo piadinha claro — no brasil, comercial sem piadinha paga imposto mais caro — e a mensagem é “recebemos muitas reclamações, muitas são justas, muitas não, confie na gente”.

Vejo duas maneiras de entender essa mensagem.

Primeira: perderam tempo importante pra tentar resolver um problema operacional, de receber muita denuncia idiota. Algo tão útil quanto um blog pedir para as pessoas não escreverem merda nos comentários.

Segunda: é um recado velado as associações que estão se metendo no espaço do CONAR em assuntos sérios e polêmicos, como esse das crianças. Algo tipo: não fala merda que só eu entendo disso. O problema não é dizer isso, é acreditar nisso.

Precisamos entender uma coisa.
A auto-regulamentação não existe para defender as baleias do Sea World
A auto-regulamentação não existe para defender as criancinhas
A auto-regulamentação existe para defender quem ela regulamenta.
Auto-regulamentação é sinônimo de “não bota o dedo aqui porque não precisa. Eu entendo disso e eu deixo a coisa no eixo.”

E a maneira de fazer isso é defendendo o consumidor. Olha que coisa linda.
Quem entende do riscado, julgando a favor da sociedade.
Não por bondade, mas por necessidade.
O Conar NASCEU por isso, porque no final da década de 70, o governo começou a achar que devia aprovar todos os comerciais que iam pro ar. A tal censura.

Mas, porem, contudo, todavia….o mundo mudou. (jura?)

Apesar da quebradeira dos últimos anos, tem mais título de revista, tem mais emissora de TV, tem mais título de jornal, tem mais consumidor, tem mais anunciante, tem mais produto mais tudo. E tem a tal da internet.

Mas quer saber, neste caso o problema não é o volume ter aumentado, mas as barreiras terem caído.

Hoje faz mais sentido reclamar no Twitter, Facebook e Reclame Aqui do que no Procon.

Não to dizendo que o Conar deveria fazer o papel do Procon (ou da Anatel, ou da Anvisa….)

Estou dizendo que, antes, o cenário exigia do Conar o papel

Agora precisa ser animador de buffet infantil. Não existe meio termo. Ou tem o controle de verdade, ou será apenas mais um inútil no meio da algazarra.

Lei proíbe propaganda pra criança.


Enquanto não sabemos se a lei que proíbe propaganda pra criança pega ou não pega, queria botar outro assunto em paralelo.

Quem acompanhou a novela infantil carrossel (SBT) viu o exagero que foi.

Na escola teve aula de um “medico” falando sobre a importância do chocolate na vida das crianças.

Tinha imagem que aparecia no meio da novela cobrindo a tela toda e permanecendo por milisegundos. tipo mensagem subliminar mas bem visível

Na vida real, teve filha de família “Classe AAA gargalhada” pedindo pra mãe virar vendedora da Jequeti. É engraçado pra cacete porque a gente pensa na cara da mãe escutando isso. Mas, se pensarmos na filha, não teria graça nenhuma.

Carrossel não foi um sucesso comercial.
Isso é pouco. Foi um puta sucesso comercial. Ainda mais para os padrões SBT.

Vendeu espaço, vendeu merchan, vendeu boneca, vendeu fantasia, vendeu música. Competiu pau a pau com Angry birds, da loja no shopping a barraquinha do camelô. Até o Liminha teve sua parte, levando os atores mirins para fazer show em circo.
Deve ser a versão SBT dos globais em baile de debutante :D

Para os olhares menos atentos, o SBT estava fazendo o mesmo que a Globo.
Para os mais atentos, isso até poderia ser verdade no formato, mas o que chamava atenção indicava exatamente o oposto.

De uns anos pra cá, a Globo começou a fazer algumas mudanças conceituais importantes em sua programação. E uma delas era claramente em detrimento ao conteúdo infantil.

Sem juízo de valor nas escolhas, não é um movimento fácil, principalmente para uma emissora centralizadora como a Globo.

Sim, era uma tática óbvia até, bastava olhar o que aconteceu com outras indústrias (como tabaco e farmacêutica). Mas por ser um movimento de longo prazo em detrimento do curto, coisa rara hoje em dia em empresas de qualquer porte, de qualquer segmento.

Não estou defendendo que a Globo é vilã ou mocinha.Nem dizendo que a emissora não faz cagada quando o assunto é gestão ou estratégia.

Mas defendo — mais uma vez — que a Globo permanece onde está por mérito próprio e, não menos importante, demérito dos outros.

Man in the Arena


Participei do Man in the Arena, um videocast sobre empreendedorismo e cultura digital muito legal.

Gravei no mês passado e estava louco pra ver. Agora vocês podem ver juntos :D

Leo Kuba, Miguel Cavalcanti e In Hsieh, obrigado pelo convite.

Popcorn


Popcorn Time é tipo netflix, mas 100% free, sem cadastro, com lançamentos que vão demorar meses para chegar no netflix (e serviços do mesmo tipo) e P2P, ou seja, será dificil de barrar.

Tem apenas um problema, é pirataria.
Mas será que isso é um problema pra maioria da população? Óbvio que não é, isso já ficou claro ao longo dos últimos 20 anos.

Popcorn Time é a morte do Netflix?

Se tem alguem na indústria no cinema com um mínimo de inteligência, deveria entender que estamos diante de um novo tipping point e agiria rapidamente.

A primeira medida seria matar TODAS as janelas de exibição.

Mesmo que eu goste da ideia de pagar 17 reais por mês pelo Netflix (para não ser mais um “pirata”), a sensação de “estou sendo idiota” — ao saber que está pagando por um catálogo gigantesco mas que não tem os filmes que gostaria ver — pode ser forte demais.

Transpiração no job dos outros é refresco


Participei da época que publicitário tinha status de popstar no Brasil. Foi quando entrar na ECA passou a ser mais difícil que entrar em medicina.

Na cabeça de alguns jovens, publicidade era um mundo de glamour e purpurina. Fumar maconha no banheiro, cigarro e álcool liberado na própria mesa. Participar de festas maravilhosas, não ter dress code e poder ir trabalhar de bermuda e ainda a possibilidade de ganhar um salário gigante em uma carreira meteórica.

Quando esta visão infantil e distorcida começou a incomodar os clientes, as agências reagiram (de forma consciente ou não) e passaram a divulgar a palavra “trabalho” como parte do mantra. Algumas até mudaram seus slogans.

Cansei de escutar “nosso trabalho é 99% transpiração e 1% inspiração” e “preferimos estressar os funcionários do que os clientes”.

Não era só discurso. Trabalhei em uma agência que produzia de 20 a 40 peças (arte e texto) para usar apenas uma.

E, com tantos “benefícios”, o patrão podia cagar na sua cabeça todo dia. Cagar com tamanha propriedade que ninguém acreditaria se passasse na novela.

Os almoços de 3 horas eram seguidos da maluquice de virar a noite trabalhando 3 dias seguidos. O lado bom e o lado ruim se alternavam com uma frequência estroboscópica.

No começo da carreira, pedi demissão de um lugar quando descobri que um colega entrou para trabalhar na quarta de manhã e saiu no domingo a noite, sem sair nem pra almoçar ou jantar, comendo lanche em cima da mesa. Detalhe, o lugar não tinha janelas.

Em outro lugar, fiquei 3 anos sem férias nem finais de semana. Nada, zero, não é força de expressão. Quando ia para casa no domingo às 10 da noite, as pessoas me olhavam feio.

Eu sei, o mercado mudou muito, os “benefícios” sumiram e os jovens de hoje dão mais valor a qualidade de vida. Mas infelizmente, muito da parte ruim permanece.

Tudo isso, as coisas do passado e as mudanças até o presente, eu entendo. Concordando ou não, eu entendo.

Só não consigo entender que em 2013 ainda exista agência usando o conceito de foder o funcionário como marketing. Não é legal, não é atual, não é original e… não cola mais.

Seu filho pode ser o novo Niemeyer


Alguma vez você se deparou com uma folha em branco?

Seja um papel de verdade ou um documento aberto vazio no seu computador? Quem já passou por isso entende o tamanho do desafio. E quem venceu sabe como isso pode ajudar em nosso desenvolvimento.

Um texto, um desenho. Uma obra. Entre algo bobo e grandioso só você e o vazio do papel. Escrevendo assim parece uma tentativa de soar poético, mas não. Estou descrevendo sobre algo bem prático.

Nem todo mundo que tem talento sabe disso.
Nem todo mundo que tem potencial explorou ou aprimorou.

Parte desse gap entre ter e usar passa pela visão como a nossa sociedade encara a carreira e a educação. Direcionamento, incentivo e inspiração.

Mas uma parte importante também está no acesso. Acesso as ferramentas, a tecnologia. O papel é tecnologia, o lápis, o computador etc.

Alguns talentos conseguem passar por cima disso tudo. Não mas muitos outros simplesmente não desabrocham.

Quase duas décadas de internet foram uma boa prova da tecnologia viabilizando esse lado da ferramenta, muita coisa tosca surgiu, mas muita coisa boa também. Obras que não esperávamos, obras que não imaginávamos. Talento que nem mesmo seus autores sabiam ter.

Toda essa introdução para dizer que chegou meu 3Doodler. Projeto que só se viabilizou porque 26 mil pessoas acreditaram nele. Fui um dos bakers.

Mas nesse texto, o 3Doodler não é exemplo do fruto da tecnologia. É exemplo de ferramenta. Alguns de vocês já conhecem, é uma caneta que desenha no ar.

A primeira vez que fui usá-lo, não foi uma folha em branco que apareceu na minha frente, foi o ar. Invisível, intocável, inodoro mas ainda assim, mais incômodo e provocador que a folha de papel.

Obviamente que ele nunca será tão onipresente como uma folha de papel. Mas com nossas crianças escrevendo e desenhando no ar, muitos talentos não esperados poderão aparecer e produzir coisas maravilhosas para todos nós.

O título original desse post era “Seu filho pode ser o próximo Aleijadinho”, mas achei que seria mal compreendido :D

E, para provocar, a imagem do post não é do Niemeyer, é de Jean Giraud (mais conhecido como Moebius). Fico imaginando o que ele faria se tivesse acesso ao 3Doodler quando criança.

Mas voltando, seu filho pode ser o novo Niemeyer.

Para deixar o mundo melhor e servir de exemplo e inspirar novos talentos.

Compre sua arma no jornaleiro mais próximo.


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Tem circulado a noticia da primeira arma impressa totalmente funcional (em metal mesmo). Antes já havia se falado sobre uma arma impressa em plástico (super tosca mas que dava medo por nao ser vista pelo detector de metais) e sobre a impressão de pentes da AR-15 e AK-47 (que podem ser compradas legalmente e com o pente ficam ainda mais perigosas).

A legislação vai demorar para acompanhar, mas uma hora ou outra acabará saindo. Será proibido imprimir ou exportar arquivos 3D de armas. Mas, como já sabemos, mesmo nos países onde a lei funciona, esse controle não será viável.

As proibições geralmente afetam mais quem esta de acordo com a lei do que quem esta fora.

Nem mesmo pelos métodos legais será possível proibir. Ontem estava conversando com um amigo (o Luciano Ramalho) sobre isso e lembrando do caso do PGP, criado pelo Phil Zimmermann em 91. O PGP foi o primeiro software de criptografia e autenticação para as massas (e open source). Como era de se esperar, o governo caiu de pau. A exportação de criptografia sempre foi super controlada, quem lembra aqui que nem mesmo os bancos brasileiros conseguiam usar servidores web com criptografia forte para o internet banking?

O que o cara fez? Imprimiu o código em um livro via editora da MIT. Aí não pode proibir (liberdade de expressão, a tal Primeira Emenda da constituição). Qualquer um (em qualquer país) pode comprar o livro, passar um OCR (ou digitar na mão :), compilar o programa e distribuir livremente na internet.

Mas o que assusta não é a fabricação caseira de armas (ou armas feitas para um único indivíduo) pois isso não será interessante (financeiramente falando) por muitos anos. O problema será a fabricação para milícias e ditadores de países que hoje precisam recorrer a um expediente caro e demorado para conseguir armas.

Mesmo que uma arma demore muitas horas para ser impressa, demande um equipamento caro e uma equipe treinada, isso ainda será financeiramente mais interessante do que o tráfico.

Bastará ter os arquivos. E arquivos são muito mais fáceis de serem roubados ou contrabandeados.

No passado, muitos países usaram as fábricas locais para produzir armas, roupas e outras coisas para a guerra. No futuro, poderão fazer o mesmo com impressoras 3D compradas por empresas ou universidades.

A boa notícia é que, normalmente o lado negativo de uma nova tecnologia é primeiro a chamar atenção, e no caso das impressoras 3D isso não aconteceu. Antes de falar de armas, muitos falaram sobre impressão de próteses, reposição de órgãos etc.

A Primeira Tela


Estão todos convidados :D

RSVP é importante, pois a versão papel será distribuída apenas para o mailing da ProXXima, por isso o número de exemplares do lançamento será limitado.

A inutilidade de reclamar nas redes sociais.


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A inutilidade de reclamar nas redes sociais.

Eu sempre discordei dessa afirmação.

Sim, as redes são palco para muita inutilidade. Mas isso não é um problema, isso é parte dela. Julgá-la por suas idiotices é o mesmo que pedir para alguém só falar coisas inteligentes. A rede é so-ci-al e ela abrange todas as facetas de um ambiente so-ci-al.

Mas a crítica de muitos não é nem da existência das coisas inúteis.
O que é muito comum se afirmar é que, mesmo as discussões mais sérias (como por exemplo, discussão política), são inúteis.

E, novamente, eu discordo dessa afirmação.

Não, eu não nunca esperei que gritar “Fora Sarney” iria realmente derrubar o Sarney.

Mas, agora, no meio de tanta manifestação, não dá mais pra dizer isso.

O que motivou as pessoas irem para a rua não nasceu nas rede social, mas foi através dela que as pessoas se mobilizaram.

E depois que a muvuca acabar? Mesmo que nada mude, muito já mudou.

Mudou porque, graças a cobertura feita pelas redes sociais trouxe uma grande lição para dezenas milhões de brasileiros. Sim, dezenas milhões. São cerca de 100 milhões de brasileiros online e a grande maioria (se não me engano, cerca de 80%) estão nas redes sociais.

Uma grande lição porque mostrou ao povo o tamanho do buraco que existe entre os “formadores de opinião” e a realidade.

Não, não espero que o povo fique totalmente esperto e aprenda a votar do dia pra noite, mas essa é uma lição importante e concreta.

Os acontecimentos dos últimos dias serviram para mostrar ao povo o que apenas uma parcela da população já sabia.

A cobertura feita na rede mostrou que os jornais também têm agenda (não apenas os radicais da Veja e da Carta Capital).

Mostrou que a Globo não é de esquerda ou de direita, que ela é da Situação, não importa quem seja o governo.

Mostrou que a maioria dos âncoras televisivos que bradam para o povo (como o Datena e Jabor) são pautados pela audiência e, para isso, eles vão falar o que seu público gosta de ouvir. A velocidade para mudar de opinião varia apenas de sua competência de entender os sinais do povo. Datena foi mais rápido apenas porque teve ajuda da enquete em tempo real.

Mostrou que até mesmo os artistas, sempre tão politizados, só aparecem quando interessa. Porque os artistas, na verdade, não são politizados, eles são políticos de um único partido. E, como sabemos, os partidos não representam o povo, representam a si mesmo.

E por último, mas não menos importante, mostrar que os políticos são pautados pela mídia de massa. Alckmin desceu a lenha porque foi pautado pela Globo, Estado e Folha para agir assim. E, como já ficou claro, a mídia de massa não nos representa.

Por isso, o povo precisa ser seu proprio interlocutor.

 

E repito a pergunta, e depois que a muvuca acabar?

E repito a resposta: mesmo que nada mude, muito já mudou.

Reclamar nas redes sociais pode mobilizar uma nova crise. Alguém duvida disso? Eu duvido que o poder público cometa o mesmo erro ignorando esse poder.

E, finalmente agora, a mídia sabe disso, os políticos sabem disso.

Então, acredite, eles vão ficar mais espertos com isso.

A rede social que já pautava as matérias idiotas do Fantástico, agora vão pautar as matérias sérias dos jornais.

Taí, estou só esperando terminar essa crise para começar a gritar de novo: fora Sarney.

Eu te disse!


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E cá estamos em 2013. Com passaralho forte e grosso rolando em vários jornais, revistas, editoras e emissoras de TV. Veículos considerados sólidos pela população, que não acompanha de perto esse mercado. Uma crise que é pouco falada mas que é bastante sentida.

Costumo dizer que tenho mais de 2 décadas de comunicação interativa, pois trabalhei com projetos digitais que envolviam interação antes mesmo da internet comercial aparecer no Brasil. Coisas como estações multimídia, catálogos eletrônicos, CD-ROM e outras coisas (inclusive ligadas em rede) que só de falar o nome já me faz sentir meio velho.

E por estar sempre com um pé em comunicação, tecnologia e negócios, nas últimas duas décadas estive constantemente alertando sobre as mudanças, impactos e consequências do crescimento do universo digital.

Foram muitas palestras, reuniões, apresentações, workshops, cursos, aulas, livros, consultorias e até aqui nesse pequeno e não humilde blog. Mostrando números, projeções, fatos, causas e consequências. Então, posso dizer sem medo:

Eu te disse.

Obviamente, eu não estou sozinho. Muito provavelmente não fui o primeiro a avisar e com certeza não fui o único. Muita gente avisou. Muitos de vocês, que frequentam esse blog e que estão lendo esse texto, também avisaram. Então, melhor dizendo, nós avisamos. Mas como a opinião desse texto é minha, falo apenas por mim.

Ser o cara do “eu te disse” pode ser gostoso para alguns. Talvez para os profetas do apocalipse, que rogam o fracasso sem trabalhar em soluções.

Mas para outros, os que se esforçaram para buscar uma solução, propondo soluções, criando projetos, buscando caminhos etc., a sensação não é boa não.

Acredito que me encaixo nesse perfil. Mais do que avisar, criei projetos, propus caminhos. Tentei de verdade. Por isso a sensação não é boa não.

Eu te disse, merda :(

Não que alguém pudesse reverter a revolução digital, mas se tivessem escutado, teriam pelo menos uma década para buscar caminhos e alternativas. Pelo menos uma década completa para que o modelo antigo subsidiasse o novo. Uma década inteirinha para experimentar e testar novos caminhos. Uma década inteira para aprender a respirar novos ares.

Isso vale para os gestores, e vale para os que perderam o emprego. Vale para o presidente, vale para o estagiário.

Aqueles que acreditaram que o Brasil é diferente, que a TV é diferente, que o jornal é diferente, que a publicidade é diferente, que o brasileiro é diferente.

Negar sempre foi mais fácil que aceitar todos os sinais, conselhos, dicas e provocações.

Por estar atento e gostar de tecnologia, a mudança sempre foi bem vinda para mim. Gostaria muito que a maioria pudesse falar o mesmo. É triste ver um monte de gente agora na merda mesmo quando foram avisados (por mim e por muitos outros) que era preciso se coçar, era preciso fazer algo.

Eu até entendo. Dá trabalho correr atrás, manter um aprendizado contínuo, ter iniciativas, mudar, mudar de novo, botar fogo nas cortinas.

O que importa é que preferiram ficar na zona de conforto, enquanto eu, e muitos outros, corremos e nos esforçamos para ficar em dia.

É.

Pensando bem….

Eu te disse, então, foda-se.